Hazel Sky tinha potencial para ser ótimo, mas se perde ao longo das suas poucas horas de campanha.

Hazel Sky - Capa
Ficha Técnica
Desenvolvido por: Coffee Addict Studio
Publicado por: Neon Doctrine
Gênero: Ação, Aventura, Casual, Indie
Série: Hazel Sky
Lançamento: 19 de Julho de 2022
Classificação indicativa: 14 anos
Modos: 1 Jogador
Disponível para: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One e PC

 

Hazel Sky é apenas o segundo jogo do estúdio brasileiro Coffee Addict, por isso, podemos dar algum desconto pelos seus erros de percurso. A aventura focada em exploração e resolução de quebra-cabeças é cativante, a ponto de te fazer querer saber todos os mistérios do jogo. Inclusive, com vários títulos abertos, Hazel Sky foi o que conseguiu captar minha total atenção. Mas o que ele tem de especial? Pois vamos dar início logo a essa review.

Cidades Voadoras

Shane é o nosso protagonista, um jovem com o sonho de se tornar um engenheiro para ajudar seu pai e todos os habitantes de sua cidade. Mas seu mundo não é como conhecemos, algumas pessoas vivem em ilhas flutuantes, e nosso garoto parece ser uma delas. Nessa cidade, chamada Gideon, alguns jovens se voluntariam para participar de um teste para se tornarem engenheiros e contribuírem para o bom funcionamento da sua comunidade.

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O jogo começa então com Shane encapuzado, sendo levado para uma ilha isolada de tudo e todos, onde ele deve montar máquinas para conseguir avançar e voltar para Gideon. No caso, o teste para se tornar engenheiro consiste numa série de missões pré-estabelecidas para resolvermos e retornamos à cidade.

Os Testes

Logo na primeira ilha conseguimos experimentar tudo aquilo que o jogo tem a oferecer. Incluindo nosso primeiro mapa com instruções de como restaurar o avião e avançar para a próxima ilha. O desafio então está em você procurar os materiais necessários para reformar a máquina, nos forçando a explorar todo o local para encontrarmos as ferramentas e materiais requisitados.

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Ademais já podemos estar conferindo os primeiros itens colecionáveis que vão estar decorando a nossa mochila, como broches, chaveiros e até mesmo chaves que mesmo após utilizadas ficam expostas para dar um visual mais arrojado ao personagem.

De início é tudo é novo e interessante, mas o balde de água fria já cai na segunda ilha, quando a próxima máquina precisa ser reformada com basicamente os mesmos materiais. Obviamente o caminho para pegá-los é totalmente diferente, mas acaba frustrando um pouco o jogador pela falta de inovação.

A Parte Técnica

Somos capazes de correr, nadar, escalar, deslizar, agarrar, balançar e pular! Tendo uma jogabilidade rica o suficiente pra deixar a gameplay divertida e fluída. Porém não espere nenhum grande desafio, para um jogador acostumado com exploração e puzzles, tudo estará fácil, mas satisfatório.

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Toda a aventura na verdade é extremamente agradável, já que carrega consigo um cenário muito bem organizado, onde a ambientação e iluminação também se destacam. Mas claro, podia estar um pouco mais polido, principalmente quando alguns locais (em especial o final), não parecem possuir o mesmo zelo do início do jogo.

Além do mais a trilha sonora também nos acalma, mas sem ser monótona. O som dos animais e da ação da natureza trazem consigo uma paz aconchegante. Como se trata de um jogo do PlayStation 4, não era esperado nenhum efeito no DualSense, mas mesmo assim, a vibração padrão do controle se mostrou bastante eficiente em aumentar a imersão da trama.

Além da Engenharia

Hazel Sky é um jogo pequeno, que se jogado numa segunda vez, deve levar apenas umas 2 horas. Ele é dividido em 3 ilhas, a primeira serve mais como um tutorial, e as próximas são maiores e com mais segredos a serem descobertos. Livros e anotações estão espalhados por toda região e fornecem ao jogador uma curiosidade sobre os acontecimentos que fomentam essa história.

No mundo de Shane, não existem apenas os renomados Engenheiros, mas também os Artistas, um grupo com ideais diferentes que parecem se detestar e evitar a existência um do outro. Através dos livros, rádios e de uma garota no Walkie Talkie, vamos tomando conhecimento da existência de uma vida distinta daquilo que Shane tanto sonhava, e uma possibilidade de um desfecho diferente vai se formando.

Shane inclusive acaba confessando seu gosto e talento para a música, podemos encontrar letras e cifras musicais com as quais nosso garoto utiliza para tocar lindamente no violão. É uma das coisas mais extraordinárias no jogo, encontrar uma folha amassada no chão, por exemplo, e conseguir replicá-la no violão ao acertarmos os acordes. Não só a melodia, mas a canção como um todo chama a atenção pelo capricho e originalidade.

Hazel Sky: Vale a pena?

Hazel Sky é uma ótima pedida devido ao seu preço, que está muito barato em todas as plataformas (R$49,99), exceto no PlayStation que por algum motivo triplicou o valor do jogo (R$133,90.) No entanto existe algo de frustrante no título da Coffee Addict, e ele é encontrado na falta de um desfecho que desse de fato uma conclusão para a trama. Sim, nós temos um final, mas não encontramos a Erin – a garota do Walkie Talkie – que fala conosco durante todo o percurso dos testes. O mesmo pode se dizer de mais detalhes da história de Shane, e também da “guerra” entre Engenheiros e Artistas. Muitas pontas soltas são deixadas ao vento e acabam impactando no desenvolvimento da história, e mesmo liberando o final secreto, esse também acaba se revelando um mistério.

De qualquer forma, é um indie a se considerar na sua lista de desejos, pois é realmente gostoso de jogar e oferece uma experiência gratificante. Além do mais ele possui interface, legendas e idioma localizados especialmente para o Brasil.

 

O Teoria Geek agradece a Neon Doctrine pela chave de PlayStation 4 fornecida para a produção dessa análise.


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