A Rockstar passou décadas ensinando jogadores a fugir da polícia, reduzir o nível de procurado e desaparecer do mapa. Fora de Grand Theft Auto, porém, o estúdio entrou numa missão em que trocar de carro e se esconder num beco não encerra a perseguição: um tribunal trabalhista.
Dayne Oram, ex-coordenador de produção envolvido em GTA 6, afirmou que funcionários teriam entrado numa espécie de “lista de vigilância” depois de assinarem uma petição sobre trabalho remoto. O depoimento integra o processo que discute se a Rockstar demitiu trabalhadores por atividade sindical.
A petição pode ter colocado nomes no minimapa

Segundo o The Guardian, Oram declarou ao tribunal de Glasgow que a empresa teria começado a observar determinados funcionários após uma petição enviada à direção em 2023.
Ele também apontou uma possível relação entre os nomes presentes no documento e as demissões realizadas em 2025. A defesa da Rockstar contestou essa interpretação ao lembrar que 141 das 154 pessoas que assinaram a petição não foram dispensadas.
Portanto, a existência da suposta lista e sua ligação com os desligamentos ainda precisam ser demonstradas durante o processo. Por enquanto, há uma acusação no mapa, mas nenhuma estrela judicial acesa sobre a empresa.
O Discord virou prova do crime ou álibi corporativo
Boa parte da disputa envolve um servidor privado no Discord, utilizado por cerca de 300 funcionários para discutir condições de trabalho e assuntos relacionados à organização sindical.
A Rockstar afirma que informações confidenciais foram compartilhadas nesse espaço e sustenta que os profissionais foram dispensados por conduta grave, não por participação sindical. Durante o depoimento, Oram reconheceu que algumas conversas saíam do controle e afirmou que provavelmente mudaria certas decisões tomadas enquanto moderava o servidor.
O sindicato IWGB contesta essa versão. Segundo a entidade, as mensagens estavam ligadas à atividade sindical protegida e foram utilizadas como justificativa para eliminar trabalhadores envolvidos na mobilização.
Trinta e quatro demissões entraram na missão

Ao todo, 34 funcionários foram demitidos, sendo 31 na Escócia e três no Canadá. Dos profissionais escoceses, 23 participam da ação representada pelo Independent Workers’ Union of Great Britain.
Os trabalhadores pedem reintegração ou indenização, além do reconhecimento de que as demissões foram injustas. O IWGB também acusa a Rockstar de ter dispensado os funcionários sem processo disciplinar adequado ou direito de recurso.
A audiência deve continuar até meados de outubro, com depoimentos de representantes da própria empresa previstos para as próximas semanas. Conforme destacou o The Times, a Rockstar nega as acusações e promete defender sua versão no tribunal.
GTA 6 ganhou uma missão secundária nada opcional

O caso ocorre enquanto a Rockstar se prepara para lançar GTA 6, projeto no qual os funcionários demitidos trabalhavam. Com isso, o processo oferece uma rara janela para a cultura interna de um estúdio conhecido por proteger informações como se cada reunião carregasse seis estrelas de procurado.
Além das demissões, a disputa envolve temas recorrentes na indústria, como trabalho remoto, jornadas intensas, transparência salarial, segurança após grandes lançamentos e reconhecimento sindical. Uma eventual decisão poderá influenciar mobilizações em outros estúdios britânicos.
Curiosamente, os próprios trabalhadores pedem que os fãs não boicotem GTA 6. Em vez disso, o sindicato solicita contribuições para o fundo responsável pelos custos do processo.
Ainda não existe decisão judicial, tampouco comprovação de que a Rockstar tenha criado ou utilizado uma lista para perseguir sindicalistas. Até a sentença, permanecem duas versões competindo pelo controle da narrativa.
Nos jogos da franquia, basta escapar da área de busca para o nível de procurado desaparecer. No tribunal, infelizmente para qualquer departamento jurídico, o histórico das ações não some quando o jogador troca de sessão.
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