Existe algo quase ofensivamente apropriado em Fate/strange Fake passar meses dizendo “to be continued” e ainda deixar os fãs esperando pela confirmação formal.

Afinal, estamos falando de uma história construída ao redor de uma Guerra do Santo Graal falsificada, realizada nos Estados Unidos, na qual praticamente todas as regras tradicionais de Fate parecem existir apenas para que alguém encontre uma maneira criativa de quebrá-las.

Agora, pelo menos uma incerteza saiu do tabuleiro. A Aniplex confirmou que uma nova série de Fate/strange Fake está em produção, garantindo a continuidade da batalha em Snowfield depois dos 13 episódios exibidos no primeiro ciclo televisivo. O anúncio veio acompanhado de um vídeo e de um novo visual promocional, marcado pela frase “Rise Against the Rules”, algo como “Erga-se contra as regras”.

É um slogan particularmente adequado para uma Guerra do Graal cujo maior talento sempre foi olhar para o manual e perguntar: “E se fizermos tudo errado?”

O “to be continued” finalmente ganhou peso de contrato

 

A continuidade não surgiu exatamente do nada. Quando o episódio 13 foi exibido, em março, a produção publicou um terceiro visual e um comercial encerrado com as palavras “to be continued”.

Portanto, a intenção de seguir com a história já estava bastante clara, embora faltassem informações sobre a forma que essa continuação assumiria.

O novo anúncio elimina justamente essa zona cinzenta. Durante o painel de Fate/strange Fake na Anime NYC, a Aniplex revelou que outra série será produzida e apresentou material criado especificamente para essa fase. A partir daqui, a pergunta deixa de ser “vai continuar?” e passa para algo um pouco mais cruel: quando vamos poder assistir?

A resposta ainda não existe.

Não há data de estreia, número de episódios ou calendário de produção divulgado. Mesmo assim, para uma narrativa que terminou com praticamente todos os jogadores ainda no tabuleiro, saber que alguém autorizou a próxima rodada já resolve um problema considerável.

Ayaka, Saber e Sigma aparecem literalmente despedaçados

O novo visual também não parece interessado em transmitir serenidade.

Segundo Ryohgo Narita, autor das light novels, a arte mostra Ayaka, Saber e Sigma com seus retratos quebrados e misturados, enquanto os personagens seguem caminhando por essa falsa Guerra do Santo Graal apesar de tudo aquilo que tenta despedaçá-los.

O escritor brincou ainda com a dificuldade de adaptar aquilo que vem pela frente, dizendo que, mesmo como autor, chega a se perguntar como determinadas partes poderão ser transformadas em anime.

Não chega a ser o tipo de comentário que tranquiliza um estúdio de animação.

Para os fãs, por outro lado, funciona quase como ameaça promocional.

Se o próprio homem que escreveu a história olha para os próximos acontecimentos e pensa “como diabos vão animar isso?”, talvez seja sensato começar a se preocupar com o orçamento da equipe.

Snowfield continua sendo a pior ideia que alguém teve com um Graal

Para quem entrou em Fate por outras portas, strange Fake parte de uma tentativa de reproduzir nos Estados Unidos o ritual das Guerras do Santo Graal realizadas em Fuyuki.

Só que a cópia não sai exatamente conforme planejado.

A batalha acontece em Snowfield, cidade fictícia norte-americana, e reúne uma quantidade crescente de Mestres, Servos e organizações com interesses próprios. Como o ritual nasceu de uma reprodução imperfeita, surgem irregularidades capazes de alterar as regras que normalmente orientam esse tipo de conflito. O resultado é uma guerra que leva o conceito tradicional da franquia a um nível particularmente caótico.

Em teoria, uma Guerra do Santo Graal deveria reunir magos, chamados Mestres, que invocam Espíritos Heroicos, os Servos, para competir pelo artefato capaz de realizar desejos.

Em strange Fake, “em teoria” rapidamente se torna uma expressão muito importante.

A falsificação abre espaço para Servos fora do padrão, interesses concorrentes e uma disputa que progressivamente fica maior do que aqueles que pretendiam controlá-la.

Basicamente, alguém tentou copiar a prova do colega e conseguiu criar um desastre sobrenatural nos Estados Unidos.

Não faltaram peças soltas para justificar o retorno

O primeiro ciclo não chegou perto de resolver todas as linhas abertas, e essa é uma das razões pelas quais a confirmação importa tanto.

Ayaka Sajyou e Saber ainda possuem muito a desenvolver em sua relação, algo que a própria Kana Hanazawa, voz japonesa de Ayaka, destacou ao comemorar o anúncio. Segundo a atriz, a fase anterior terminou justamente quando os dois começavam a aprofundar seu vínculo, tornando especialmente importante poder interpretar aquilo que acontece depois.

Yuki Ono, responsável pela voz de Saber, também celebrou a oportunidade de continuar Richard e destacou que a história havia sido interrompida num ponto particularmente intrigante. Já Gakuto Kajiwara, intérprete de Sigma, demonstrou expectativa para acompanhar a resposta escolhida pelo personagem e o destino da própria Guerra do Graal.

Ou seja, o anúncio não está sendo tratado pelos envolvidos como uma produção paralela ou um desvio dentro da franquia.

É a continuação daquilo que ficou pendurado no episódio 13.

Ryohgo Narita nunca teve muito interesse em histórias simples

O caos de strange Fake fica um pouco mais fácil de compreender quando lembramos quem está escrevendo.

Ryohgo Narita é também autor de Baccano! e Durarara!!, obras conhecidas por trabalhar com grandes elencos, múltiplos pontos de vista e personagens cujas histórias se cruzam de maneiras progressivamente mais complicadas.

A light novel de Fate/strange Fake começou a ser publicada pela Dengeki Bunko em 2015, com ilustrações e conceitos de personagens de Shizuki Morii. Atualmente, o site oficial japonês lista nove volumes da série principal.

Consequentemente, colocar Narita dentro de Fate, universo que já possui diferentes linhas temporais, sistemas mágicos, Servos históricos e versões alternativas de personagens, sempre pareceu uma experiência semelhante a entregar uma caixa de fósforos para alguém dentro de um depósito de fogos de artifício.

Até agora, ele parece bastante satisfeito com o resultado.

A primeira fase levou A-1 Pictures novamente ao universo de Fate

A adaptação televisiva inicial foi produzida pela A-1 Pictures, estúdio que já havia trabalhado com a franquia em Fate/Apocrypha. A direção ficou com Shun Enokido e Takahito Sakazume, nomes que anteriormente haviam participado de produções promocionais e animações ligadas a Fate/Grand Order e ao próprio material original de strange Fake.

Existe, contudo, uma pequena cautela para a continuação.

O comunicado de agosto confirma a nova produção e apresenta comentários de autor, designer e elenco, porém não publica ainda uma ficha técnica completa para essa fase. Dessa forma, não considero correto afirmar neste momento que toda a equipe anterior está automaticamente confirmada para o retorno.

A A-1 Pictures continua identificada no portal oficial como responsável pela adaptação televisiva existente, mas uma reconfirmação específica para o próximo ciclo ainda não apareceu no material divulgado.

Pode continuar tudo igual? Perfeitamente.

Só precisamos esperar a ficha técnica dizer isso.

Rise Against the Rules não poderia ser uma frase mais Fate/strange Fake

A frase usada no novo visual resume bem aquilo que distingue essa ramificação de outras Guerras do Santo Graal.

“Rise Against the Rules.”

Em uma franquia que frequentemente estabelece sistemas extremamente detalhados para depois apresentar alguém capaz de encontrar uma exceção, strange Fake praticamente transformou a quebra das regras em princípio narrativo.

Seu Graal é falso; o ritual é imperfeito e seus participantes não se encaixam confortavelmente no modelo esperado.

Enquanto isso, diferentes grupos tentam aproveitar as falhas do sistema para alcançar objetivos próprios.

Portanto, chamar a próxima etapa para “se levantar contra as regras” não parece apenas uma boa frase para pôster.

É quase uma descrição do expediente em Snowfield.

Não espere data porque a Aniplex ainda não deu nenhuma

Embora a produção esteja confirmada, vários elementos continuam escondidos.

A Aniplex não anunciou quando a nova série estreia, quantos episódios terá ou qual será exatamente seu formato de exibição. Também não foram divulgados detalhes completos sobre equipe e cronograma.

A distribuição internacional também ainda precisa ser esclarecida.

Os 13 episódios da primeira série estão disponíveis no Brasil pela Crunchyroll, com áudio japonês e legendas em português, mas isso não significa automaticamente que o próximo ciclo já esteja confirmado para transmissão simultânea no país.

É provável? Considerando o histórico, existe um caminho bastante óbvio.

Confirmado? Ainda não.

E se existe uma franquia capaz de ensinar a não confiar em conclusões aparentemente óbvias, provavelmente é Fate.

O falso Graal ainda tem muita confusão para causar

No fim, o anúncio resolve exatamente a pergunta mais urgente e deixa todas as outras abertas.

A guerra continua; Ayaka e Saber continuam; Sigma continua.

Os demais Mestres, Servos e conspiradores espalhados por Snowfield ainda possuem contas a acertar, enquanto o próprio Narita já avisa que as próximas partes apresentam desafios suficientes para fazê-lo questionar como serão colocadas em movimento.

Ainda não sabemos quando veremos isso.

Tampouco quantos episódios serão necessários ou se a equipe de produção permanecerá exatamente igual.

No entanto, meses depois de aquele “to be continued” aparecer na tela, a promessa finalmente deixou de ser apenas uma provocação colocada depois dos créditos.

O Graal continua falso; as regras continuam quebradas; Snowfield continua sendo uma péssima cidade para contratar seguro de vida, mas a continuação de Fate/strange Fake agora é bem real.

 

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