Depois de décadas espalhando vírus, mutações e adaptações capazes de assustar até o Tomatometer, Raccoon City finalmente parece ter encontrado uma cura para o cinema.
O novo Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, de Barbarian e Weapons, estreou nos cinemas em 18 de setembro cercado por uma recepção que a franquia simplesmente não conhecia. Na rodada inicial de críticas, o longa chegou a 97% de aprovação no Rotten Tomatoes. Com a entrada de novas avaliações, o índice oscila, como é normal no agregador, e atualmente aparece em 96%, mantendo o selo Certified Fresh e o posto de filme mais bem avaliado de toda a série cinematográfica.
A melhor adaptação foi justamente a que parou de copiar
Nada de Leon procurando chave colorida, Jill refazendo cenas conhecidas ou outra tentativa de transformar um jogo inteiro em checklist de referências.
A Sony apresenta o filme como uma história completamente nova dentro do universo de Resident Evil. Austin Abrams interpreta Bryan, um entregador médico comum que vê uma missão de rotina desandar durante uma única noite de caos e precisa sobreviver enquanto segue em direção a Raccoon City. Cregger escreveu o roteiro ao lado de Shay Hatten.
A decisão de deixar os protagonistas clássicos de fora chegou a provocar resistência entre parte dos fãs antes da estreia, mas acabou sendo justamente um dos elementos mais elogiados pela crítica: em vez de copiar a trama dos games, o longa tenta reproduzir a sensação de estar jogando um Resident Evil.
Ou seja, menos “olha, é aquela cena do jogo!” e mais “por que diabos eu entrei nesta porta?”.
Noventa minutos de correr, sangrar e tomar decisões ruins

O filme tem apenas 1h30 de duração, e a agilidade virou um dos pontos mais recorrentes nas primeiras resenhas. O balanço do Rotten Tomatoes destaca justamente o ritmo acelerado, o humor, a ação e a fidelidade ao espírito dos games, enquanto o The Hollywood Reporter chamou atenção para uma narrativa praticamente sem gordura.
Cregger troca os heróis supertreinados por um protagonista vulnerável e aposta mais forte em slasher, body horror e improvisação, espalhando referências aos jogos pela linguagem visual em vez de reconstruir suas histórias literalmente.
Já Austin Abrams se destaca justamente por transformar Bryan em um sujeito assustado e nada heroico, que atravessa uma sequência de áreas cada vez mais perigosas quase como um jogador avançando pelas fases de um game.
Sete tentativas depois…

Antes de Cregger, Resident Evil já havia produzido sete filmes live-action: os seis estrelados por Milla Jovovich na série iniciada por Paul W. S. Anderson e o reboot Bem-Vindo a Raccoon City, de 2021.
Nenhum deles recebeu o selo Certified Fresh.
O novo longa não apenas conseguiu isso como saltou para o topo do ranking cinematográfico da franquia no Rotten Tomatoes, à frente inclusive das animações japonesas que anteriormente concentravam algumas das melhores avaliações da série.
E o feito vai além de Raccoon City: no guia atualizado do próprio Rotten Tomatoes para adaptações de videogames, Resident Evil aparece atualmente em primeiro lugar, enquanto o editorial que reuniu as primeiras críticas destacou que alguns jornalistas já o consideram não apenas o melhor filme da franquia, mas uma das melhores adaptações de games já produzidas. Essa última avaliação, claro, pertence aos críticos citados pelo site, não é um consenso objetivo sobre o gênero.
Nem toda mutação saiu perfeita
A Umbrella ainda não precisa se preocupar com unanimidade.
Entre as ressalvas das críticas estão um desfecho considerado abrupto, momentos em que o humor interrompe a tensão e uma reta final que, para alguns avaliadores, não mantém a inventividade do começo.
Ainda assim, depois de sete filmes live-action tentando descobrir a combinação correta, a ironia é difícil de ignorar.
Pois é… Resident Evil passou anos procurando no cinema a fórmula perfeita. Aparentemente, a cura era parar de tentar reproduzir o jogo e finalmente aprender a sobreviver como ele.
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