| Desenvolvido por: Cold Symmetry |
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| Publicado por: Playstack |
| Gênero::Ação e aventura |
| Série:Mortal Shell |
| Lançamento: 20 de agosto de 2026 |
| Classificação indicativa: 16 anos |
| Modos: um jogador |
| Disponível para: PC, PS5 e Xbox Series S|X |
O primeiro Mortal Shell chamou atenção ao apresentar algumas ideias interessantes dentro do gênero soulslike, principalmente através dos Shells e da possibilidade de endurecer o próprio corpo durante os combates. Era uma experiência relativamente pequena e com algumas limitações evidentes, mas que conseguiu construir sua própria identidade em um gênero completamente dominado pela FromSoftware.
Mortal Shell II chega muito mais ambicioso. A Cold Symmetry ampliou o mundo, adicionou novos Shells, aumentou bastante o arsenal e modificou elementos importantes do combate. O resultado é uma sequência que mantém aquilo que funcionava no original, mas finalmente consegue explorar melhor o potencial de suas ideias.
História
Mortal Shell II funciona como uma sequência independente, então não é obrigatório ter terminado o primeiro jogo para entender sua campanha. Conhecer aquele universo ajuda, mas a nova história foi construída para funcionar por conta própria.

Dessa vez controlamos o Harbinger, uma criatura enviada para recuperar os misteriosos ovos roubados da Undermother, que foram espalhados pelo mundo e agora estão protegidos por criaturas grotescas e falsos deuses. E sim, a história é tão estranha quanto essa descrição faz parecer.
A narrativa mantém a abordagem característica dos soulslikes, utilizando diálogos, descrições, memórias e principalmente os próprios cenários para construir seu universo. Não espere encontrar personagens explicando tudo diretamente, já que boa parte dos acontecimentos precisa ser interpretada pelo jogador.
Os próprios Shells também ajudam bastante nesse processo. Ao encontrar esses guerreiros mortos e recuperar suas memórias, conhecemos melhor quem eles eram e o que aconteceu naquele mundo. É uma maneira interessante de conectar narrativa e progressão, embora alguns conceitos continuem sendo vagos demais.
Jogabilidade
É no combate que Mortal Shell II apresenta sua maior evolução. A principal mudança está na remoção da tradicional barra de stamina, permitindo correr, atacar e esquivar sem precisar administrar constantemente esse recurso.

Isso deixa as batalhas muito mais rápidas e agressivas, mas não significa que o jogo tenha ficado fácil. Os inimigos também são extremamente ofensivos e conseguem punir rapidamente quem simplesmente começa a atacar sem pensar.
A habilidade de Harden continua sendo uma das melhores ideias da franquia. Podemos endurecer nosso corpo para bloquear golpes, inclusive durante determinadas animações. É possível começar um ataque, ativar o Harden quando perceber que será atingido e continuar o movimento depois de receber o impacto. Quando você entende o tempo correto dessa mecânica, o combate ganha um ritmo muito próprio.
O arsenal também está muito maior. Existem dezenas de armas espalhadas pelo mundo, incluindo opções corpo a corpo e armas de fogo, permitindo experimentar diferentes combinações com os Shells disponíveis.

Os chefes aproveitam muito bem essas mecânicas. Além de visualmente grotescos, muitos exigem atenção aos padrões de ataque, posicionamento e domínio das ferramentas disponíveis. São confrontos que conseguem entregar aquela satisfação característica dos soulslikes quando finalmente entendemos o que precisamos fazer.
A exploração também cresceu bastante. Mortal Shell II apresenta um mundo aberto interligado com diferentes regiões e dezenas de masmorras espalhadas pelo mapa. Existem caminhos escondidos, equipamentos, Shells e inimigos opcionais que recompensam constantemente quem decide abandonar a rota principal.
Progressão
Os Shells continuam sendo o coração da progressão. Em vez de simplesmente escolher uma classe, encontramos corpos de guerreiros mortos espalhados pelo mundo e podemos possuí-los.
São oito Shells disponíveis e cada um funciona praticamente como um personagem diferente, apresentando atributos e habilidades próprias. Alguns favorecem uma abordagem mais agressiva, enquanto outros funcionam melhor para quem prefere jogar defensivamente ou explorar determinadas mecânicas.

Essa variedade faz com que encontrar um novo Shell seja realmente empolgante, porque não estamos simplesmente desbloqueando uma aparência diferente. Trocar de corpo pode mudar consideravelmente nossa maneira de enfrentar os inimigos.
As armas também podem ser aprimoradas e combinadas com diferentes Shells, criando espaço suficiente para experimentar builds diferentes sem transformar a progressão em algo excessivamente complicado.
A exploração está diretamente conectada a esse sistema. Muitas melhorias importantes estão escondidas em masmorras ou regiões opcionais, criando um bom motivo para investigar cada canto do mundo.
Parte técnica e direção de arte
Visualmente, Mortal Shell II consegue ser bonito e nojento ao mesmo tempo, e isso definitivamente é um elogio. A direção de arte aposta em um mundo completamente decadente, cheio de estruturas abandonadas, templos, florestas sombrias e construções grotescas. As diferentes regiões possuem boas identidades e ajudam bastante a tornar a exploração interessante.
Os inimigos também possuem designs excelentes. Existem criaturas que parecem ter saído diretamente de algum pesadelo, enquanto os chefes conseguem elevar ainda mais essa sensação através de proporções absurdas e animações perturbadoras.
O combate também está visualmente melhor. Os golpes possuem bastante impacto, as animações estão mais fluidas e as execuções conseguem transmitir toda a brutalidade daquele universo.
A trilha sonora é mais discreta durante a exploração, deixando os sons do ambiente construírem boa parte da atmosfera. Nos confrontos mais importantes, entretanto, as músicas ganham intensidade e ajudam bastante a tornar as batalhas mais memoráveis.
Mortal Shell II: vale a pena?
Mortal Shell II é exatamente o tipo de sequência que o primeiro jogo precisava. Em vez de simplesmente aumentar o mapa e adicionar mais inimigos, a Cold Symmetry revisitou elementos importantes da experiência. A remoção da stamina deixa o combate muito mais agressivo, os oito Shells aumentam significativamente a variedade e o mundo aberto oferece muito mais liberdade para explorar.
Ainda existem alguns problemas. Certas animações podem parecer estranhas, a câmera ocasionalmente atrapalha durante confrontos maiores e a narrativa continua vaga demais em alguns momentos. Felizmente, nenhum desses pontos compromete significativamente a experiência.
O mais importante é que Mortal Shell II não parece interessado em simplesmente copiar Elden Ring ou Dark Souls. Suas inspirações são evidentes, mas a franquia continua apostando no sistema de Shells, no Harden e em outras mecânicas próprias para construir sua identidade.
No fim, Mortal Shell II é maior, mais rápido e principalmente mais divertido que seu antecessor. Para quem gosta de soulslikes e procura uma experiência desafiadora que apresenta algumas ideias próprias dentro do gênero, a nova aventura da Cold Symmetry definitivamente vale a pena.








