Fading Echo | Confira nossa review

Fading Echo
Ficha Técnica
Desenvolvido por: Emeteria
Publicado por: New Tales, Com2uS Holdings
Gênero::Ação e aventura
Série: Fading Echo
Lançamento: 21 de Julho de 2026
Classificação indicativa: 10 anos
Modos: Um jogador
Disponível para: PC e PS5

 

Fading Echo é daqueles jogos que conseguem chamar atenção por uma ideia simples, mas muito bem aproveitada. Em vez de apostar em dezenas de sistemas diferentes, o jogo constrói sua experiência ao redor de uma mecânica central bastante criativa: a protagonista pode se transformar em uma esfera de água e utilizar diferentes líquidos encontrados pelo cenário para alterar suas habilidades.

Essa ideia poderia facilmente funcionar apenas como uma gimmick interessante, mas Fading Echo consegue transformá-la no coração de sua exploração, dos puzzles e até de alguns momentos de combate. O resultado é uma aventura que lembra bastante os jogos de ação e plataforma do início dos anos 2000, mas com uma identidade própria.

História

A história acontece em um mundo que está sendo destruído por uma anomalia conhecida como Paradox Corruption. A corrupção está alterando a própria realidade, fazendo com que regiões inteiras do mundo sejam fragmentadas e assumam formas cada vez mais estranhas.

Nesse cenário, controlamos One, uma personagem que precisa atravessar esse mundo em deterioração e ativar diferentes portais para tentar impedir que a corrupção avance ainda mais.

A narrativa não é exatamente o maior destaque de Fading Echo. Boa parte das informações sobre esse universo é apresentada através das conversas com os personagens que encontramos durante a aventura, e algumas dessas explicações podem parecer confusas ou pouco desenvolvidas.

Ainda assim, existe uma curiosidade constante em descobrir o que aconteceu com aquele mundo e entender melhor a relação entre One e os acontecimentos que estão destruindo tudo ao seu redor. O problema é que a história muitas vezes parece estar mais interessada em criar situações estranhas do que realmente desenvolver suas próprias ideias.

Por isso, acabei enxergando a narrativa muito mais como uma ferramenta para conduzir a aventura do que como o principal motivo para continuar jogando.

Jogabilidade

Se existe um motivo para jogar Fading Echo, é a sua jogabilidade. A protagonista possui habilidades de combate e movimentação bastante tradicionais, mas sua principal característica é poder se transformar em uma esfera de água. E é justamente aqui que o jogo começa a ficar realmente interessante.

Enquanto está nessa forma, One consegue atravessar túneis especiais, passar por determinadas superfícies e explorar lugares que seriam inacessíveis em sua forma normal. Mais importante ainda, ela pode entrar em contato com diferentes líquidos para alterar suas propriedades.

Ao tocar lava, por exemplo, a personagem se transforma em vapor e consegue atravessar grandes distâncias pelo ar. Já determinados líquidos permitem realizar saltos muito mais altos ou modificar a maneira como One interage com o ambiente.

Essa mecânica é utilizada constantemente durante a exploração e cria alguns puzzles bastante criativos. Em vez de simplesmente procurar uma chave para abrir uma porta, você precisa observar o cenário e entender qual transformação pode ser utilizada para alcançar determinada área.

É uma ideia simples de compreender, mas que funciona muito bem porque o jogo vai aumentando gradualmente a complexidade dos desafios.

A movimentação também é bastante agradável. One consegue correr, saltar e atacar com bastante fluidez, enquanto a transformação em água permite que o jogador atravesse o cenário de maneiras diferentes.

O combate, por outro lado, é bem mais simples. Existe um conjunto limitado de golpes e, na maioria das situações, você consegue lidar com os inimigos utilizando ataques básicos e um chute. É divertido, principalmente graças à boa sensação de impacto, mas não apresenta a mesma criatividade encontrada na exploração.

Conforme a aventura avança, essa simplicidade começa a ficar mais evidente. Os inimigos mudam, mas a estrutura dos confrontos permanece praticamente a mesma durante boa parte da campanha.

Progressão

A progressão de Fading Echo está muito mais ligada às novas possibilidades de exploração do que a um sistema tradicional de RPG. Conforme avançamos, descobrimos novas formas de utilizar os poderes elementais da protagonista e começamos a enxergar os cenários de maneira diferente. Uma área que parecia inacessível anteriormente pode se tornar completamente explorável depois que aprendemos uma nova transformação ou entendemos melhor como utilizar determinado líquido.

Esse tipo de progressão funciona muito bem porque recompensa a curiosidade. O jogador não está apenas ficando mais forte, mas também aprendendo a utilizar melhor as ferramentas disponíveis.

A exploração também esconde segredos, elementos de lore e diferentes caminhos que podem ser descobertos durante a aventura. O problema é que o jogo não oferece um mapa particularmente eficiente, e isso pode tornar algumas situações confusas, principalmente quando precisamos voltar para uma região visitada anteriormente.

Por outro lado, resolver um puzzle mais complicado e finalmente entender como alcançar uma área antes inacessível proporciona uma sensação bastante satisfatória.

Parte técnica e direção de arte

Visualmente, Fading Echo possui uma direção de arte muito bonita, principalmente quando observamos os efeitos utilizados para representar os diferentes elementos. A transformação de One em água é especialmente bem executada. O movimento da personagem durante essa forma transmite uma sensação bastante fluida e combina muito bem com a proposta do jogo.

Os cenários também conseguem criar uma atmosfera interessante, misturando regiões naturais com estruturas fantásticas e áreas afetadas pela Paradox Corruption. Existe uma sensação constante de que o mundo está quebrado e tentando se reorganizar.

O problema é que essa identidade visual nem sempre se mantém tão forte quanto poderia. Algumas regiões acabam sendo bastante parecidas entre si, e a falta de variedade visual faz com que a exploração perca um pouco do impacto conforme avançamos.

Ainda assim, o conjunto é bastante charmoso e consegue transmitir aquela sensação de aventura clássica que parece ter saído diretamente da era dos jogos de ação e plataforma dos anos 2000.

A trilha sonora acompanha bem a aventura, ajudando principalmente nos momentos de exploração e nas situações mais intensas. Ela não chega a ser o elemento mais memorável da experiência, mas cumpre bem sua função e complementa a atmosfera do mundo.

Fading Echo vale a pena?

Fading Echo está longe de ser perfeito, mas possui uma qualidade que considero muito importante em um jogo: ele tem uma ideia própria e sabe utilizá-la. A possibilidade de controlar uma personagem que literalmente se transforma em diferentes formas de líquido cria algumas das melhores situações da aventura, principalmente durante os puzzles e a exploração. É nesse momento que o jogo realmente mostra sua criatividade e consegue se diferenciar de outras experiências de ação e plataforma.

O combate é mais simples e acaba ficando repetitivo depois de algumas horas, enquanto a falta de variedade visual entre determinadas regiões também reduz um pouco o impacto da exploração. A história, apesar de interessante em alguns momentos, não possui força suficiente para carregar a experiência sozinha.

Mesmo assim, esses problemas não conseguem apagar o que Fading Echo faz de melhor. Existe uma satisfação genuína em descobrir uma nova maneira de utilizar seus poderes, resolver um puzzle complicado ou encontrar um caminho escondido.

No fim, Fading Echo é uma aventura pequena, criativa e bastante simpática, especialmente para quem sente falta daqueles jogos de ação e plataforma que priorizavam exploração, experimentação e diversão acima de sistemas extremamente complexos. Se essa proposta chama sua atenção, vale dar uma chance ao jogo.