Enquanto boa parte dos animes entrega espadas mágicas, poderes hereditários e adolescentes capazes de explodir montanhas, Nippon Sangoku apostou num funcionário público armado com conhecimento histórico e boa argumentação. Contra todas as probabilidades, a burocracia venceu.
A ficção política e pós-apocalíptica terá uma continuação após se destacar no Prime Video e provocar uma corrida às livrarias. O Japão da história continua destruído, mas os números da franquia estão em plena reconstrução.
A diplomacia desbloqueou a próxima fase
O vídeo que confirma a continuação começa relembrando os principais acontecimentos da primeira parte e termina com cenas inéditas. Nelas, Aoteru Misumi aparece mais velho, subindo uma escadaria e renovando sua determinação de reunificar o país.
A escolha indica que a produção pretende acompanhar o avanço da trajetória do protagonista, em vez de estacionar no começo da revolução. Entretanto, a Prime Video e a Twin Engine utilizam somente o termo “continuação”, sem classificá-la oficialmente como segunda temporada, filme ou especial.
Em outras palavras, o novo governo foi aprovado, mas a Constituição ainda não ficou pronta.
O poder especial chama-se argumentação
Ambientada num futuro em que guerras nucleares, catástrofes naturais e governos desastrosos levaram a civilização japonesa ao colapso, a trama apresenta um país dividido entre três nações rivais.
Nesse cenário, o antigo funcionário agrícola Aoteru decide buscar a reunificação do Japão. Para isso, ele utiliza estratégia, conhecimento do mundo anterior e uma capacidade impressionante de convencer pessoas, habilidade considerada ficção científica em qualquer reunião de condomínio.
O resultado mistura drama político, estratégia militar e referências históricas sem transformar o protagonista em mais um escolhido capaz de resolver conflitos soltando luz pelas mãos. Em Nippon Sangoku, um discurso bem construído pode causar mais estragos do que uma espada lendária.
Um milhão de leitores atravessaram a fronteira

A primeira parte, produzida pelo Studio Kafka com coprodução da Amazon MGM Studios, começou a ser exibida em abril. Durante seu primeiro mês, tornou-se a nova série de anime lançada naquele período com maior número de espectadores no Prime Video japonês.
Além disso, entrou no Top 10 global da plataforma. O desempenho também atingiu o mangá de Ikka Matsuki, cuja circulação saltou de 1 milhão para 2 milhões de exemplares apenas um mês após a estreia da animação.
Os dados foram divulgados no comunicado da Twin Engine e repercutidos pelo AV Watch. Portanto, a continuação não nasceu apenas de discursos inflamados: ela foi eleita pela audiência e confirmada nas urnas das livrarias.
O mapa da continuação permanece incompleto
A nova etapa ainda não possui data, quantidade de episódios ou formato definido. Também não foi confirmado se o diretor Kazuaki Terasawa, o Studio Kafka, o compositor Kevin Penkin e todo o elenco retornarão.
A distribuição mundial igualmente não foi detalhada, embora a participação da Amazon MGM Studios e o desempenho internacional tornem bastante provável o retorno ao Prime Video. Por enquanto, essa possibilidade continua no campo das expectativas, não dos tratados assinados.
A primeira parte possui 12 episódios e está disponível no Prime Video.
Aoteru ganhou outro mandato
Nippon Sangoku encontrou público justamente por oferecer algo diferente no pelotão dos animes de ação. Seu herói não precisa reencarnar, receber uma habilidade roubada ou descobrir que seu avô era secretamente um semideus. Ele precisa estudar, planejar e falar melhor do que os adversários.
A continuação ainda não revelou sua forma, porém já possui uma missão clara: provar que o sucesso inicial não foi apenas uma revolução passageira. Afinal, dividir o Japão foi fácil. Difícil será reunificá-lo antes que o departamento responsável pelos novos episódios termine de preencher a papelada.
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