Hollywood encontrou um assunto mais assustador do que invasões alienígenas, assassinos mascarados e executivos cancelando séries: executivos de tecnologia decidindo o futuro da humanidade numa sala de reunião.

Em Artificial, Luca Guadagnino transforma a ascensão da inteligência artificial e a crise que quase derrubou Sam Altman em um thriller corporativo com clima de apocalipse. Para completar o experimento, o diretor entregou o comando da OpenAI a Andrew Garfield.

Pois é… Depois de salvar Nova York como Homem-Aranha, o ator agora precisa impedir que o conselho administrativo destrua o mundo antes do algoritmo.

Cinco dias, três presidentes e nenhum botão para desfazer

 

O filme acompanha os acontecimentos de novembro de 2023, quando Sam Altman foi demitido do cargo de CEO da OpenAI. A decisão provocou uma revolta interna, ameaças de saída em massa e uma disputa entre investidores, funcionários e integrantes do conselho.

Altman retornou ao comando apenas cinco dias depois. Nesse intervalo, Mira Murati e Emmett Shear chegaram a assumir temporariamente a liderança da empresa. Nem Game of Thrones trocou tanta gente no trono em tão pouco tempo.

Apesar de a crise corporativa ocupar o centro da narrativa, Artificial também percorre aproximadamente duas décadas de pesquisas em aprendizado de máquina. A programação oficial do Festival de Nova York indica que a história começa em 2003, quando Ilya Sutskever estudava redes neurais sob orientação de Geoffrey Hinton, e avança até a criação da OpenAI e o atual debate sobre os riscos da tecnologia.

Ficha Técnica
Título: Artificial
Ano de Produção: 2026
Dirigido Por: Luca Guadagnino
Estreia: 25 de dezembro de 2026
Duração: 140 minutos
Classificação: Não avaliado (Pendente)
Gênero: Biografia / Drama / Comédia
País de Origem: Estados Unidos
Sinopse: Cinebiografia inspirada nos bastidores da OpenAI e no turbulento período que envolveu a demissão e o rápido retorno do CEO Sam Altman à empresa de inteligência artificial.

 

O Aranhaverso agora é corporativo

Andrew Garfield interpreta Sam Altman, enquanto Yura Borisov, indicado ao Oscar por Anora, vive Ilya Sutskever, cofundador e então cientista-chefe da OpenAI que participou da articulação para afastar o executivo.

Monica Barbaro assume o papel de Mira Murati. Mark Rylance interpreta Geoffrey Hinton, um dos principais pesquisadores da inteligência artificial moderna, e Ike Barinholtz aparece como Elon Musk, cofundador da OpenAI que posteriormente rompeu com a organização.

O elenco também inclui Cooper Hoffman, Jason Schwartzman, Cooper Koch, Billie Lourd, Zosia Mamet e Chris O’Dowd. O roteiro é de Simon Rich, conhecido por Miracle Workers.

Uma trilha humana para o fim das máquinas

O primeiro trailer evita transformar o nascimento do ChatGPT numa apresentação de PowerPoint cinematográfica. Em vez disso, aposta em corredores escuros, discussões nervosas, previsões apocalípticas e personagens tentando decidir quanto controle entregar a uma tecnologia que talvez ninguém compreenda completamente.

Além disso, as músicas originais e a trilha sonora são assinadas por Damon Albarn, líder do Blur e cocriador do Gorillaz. Pelo menos, quando as máquinas dominarem o planeta, a seleção musical estará em boas mãos humanas.

O resultado parece combinar A Rede Social com um suspense sobre o fim do mundo. A diferença é que, desta vez, a rede social pode escrever o próprio roteiro, gerar o cartaz e perguntar educadamente se alguém deseja uma versão mais concisa.

A Amazon saiu do chat

Artificial seria originalmente distribuído pela Amazon MGM Studios, responsável também pela produção. Entretanto, a empresa desistiu do lançamento, e a Neon adquiriu os direitos do longa.

A mudança aconteceu depois da aproximação comercial entre Amazon e OpenAI, o que alimentou questionamentos sobre um possível conflito de interesses. Contudo, nenhuma das companhias confirmou essa relação como motivo da saída. Em declaração repercutida pela Associated Press, a Amazon afirmou apenas que o filme seria mais bem atendido por outro estúdio.

Portanto, qualquer interpretação além disso continua sendo uma teoria humana, ainda não uma resposta gerada e revisada pelo departamento jurídico.

O lançamento ainda não aprendeu português

Artificial terá sua estreia mundial em 5 de outubro, durante o 64º Festival de Cinema de Nova York. Depois, chegará a cinemas selecionados dos Estados Unidos em 25 de dezembro de 2026, com expansão prevista para janeiro.

Ainda não existe uma data confirmada para o Brasil. Até lá, resta esperar para descobrir se Guadagnino transformou cinco dias de reuniões corporativas num grande filme ou apenas produziu a versão mais cara da história de alguém sendo removido e adicionado novamente a um grupo.

De qualquer maneira, o ChatGPT finalmente chegou ao cinema. Agora falta saber se receberá crédito no roteiro, participação nos lucros ou somente mais uma solicitação para escrever um e-mail “profissional, porém amigável” informando a demissão do próprio criador.

 

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