Kyubey sempre ofereceu desejos em contratos com mais letras miúdas do que um financiamento imobiliário. Desta vez, porém, quem precisou negociar com uma entidade cruel foi a própria Shaft: o calendário.
Após 13 anos, três adiamentos e uma quantidade preocupante de esperanças transformadas em desespero, Puella Magi Madoka Magica: Walpurgisnacht Rising finalmente chegou aos cinemas japoneses. A espera não afastou o público, que colocou o filme diretamente no topo das bilheterias.
Um desejo de quase 940 milhões de ienes
Entre 28 e 30 de agosto, Walpurgisnacht Rising vendeu exatamente 534.722 ingressos e arrecadou 939.647.100 ienes, cerca de 930 milhões na contagem arredondada. O resultado garantiu ao longa a liderança nacional tanto em público quanto em receita durante o fim de semana de estreia, segundo a Oricon.
A magia continuou funcionando na segunda-feira. Com quatro dias em cartaz, a arrecadação já havia ultrapassado 1 bilhão de ienes, conforme os números divulgados pela produção e repercutidos pelo Anime Corner.
Em apenas três dias, o novo filme alcançou o equivalente a aproximadamente 45% dos 2,08 bilhões de ienes acumulados por Puella Magi Madoka Magica: Rebellion durante toda a sua exibição original no Japão. Homura passou incontáveis linhas temporais tentando obter um resultado desses e provavelmente nunca pensou em vender pipoca.
Treze anos presos no labirinto do calendário
Walpurgisnacht Rising é a continuação direta de Rebellion, lançado em 2013 e responsável por deixar a franquia diante de um daqueles finais que fazem o espectador encarar os créditos como quem acabou de testemunhar um crime mágico.
O projeto foi anunciado oficialmente em abril de 2021, durante as comemorações dos dez anos do anime. Inicialmente previsto para o inverno japonês de 2024, o longa foi transferido para 2025, depois para fevereiro de 2026 e, finalmente, para 28 de agosto.
Foram três adiamentos até o filme escapar do labirinto da produção. Nesse ritmo, derrotar a Bruxa de Walpurgis parecia consideravelmente mais simples do que marcar uma data no Google Agenda.
A velha equipe renovou o contrato
O retorno também preserva boa parte da equipe responsável pela identidade da franquia. Akiyuki Shinbo atua novamente como diretor-chefe, enquanto Yukihiro Miyamoto assume a direção. Gen Urobuchi escreveu o roteiro, Ume Aoki criou os desenhos originais dos personagens e Yuki Kajiura voltou para cuidar da trilha sonora.
A animação permanece nas mãos do estúdio Shaft, responsável por transformar corredores escolares, pescoços inclinados e crises existenciais em linguagem audiovisual própria. A formação completa pode ser consultada no site oficial japonês.
Essa continuidade ajuda a explicar por que o público permaneceu interessado depois de uma espera tão longa. Madoka Magica nunca foi apenas uma série sobre garotas com roupas coloridas enfrentando criaturas estranhas.
A franquia desmontou as convenções do gênero magical girl e transformou desejos adolescentes em combustível para uma tragédia sobre culpa, sacrifício e contratos que fariam qualquer advogado pedir férias.
O Brasil continua fora do círculo mágico

Apesar da estreia japonesa, ainda não existe uma data confirmada para o lançamento de Walpurgisnacht Rising no Brasil. Também permanecem desconhecidas a distribuidora nacional e a futura plataforma de streaming.
O site internacional apresenta o filme como “em breve”, mas ainda não informa um calendário detalhado para outros territórios. Portanto, qualquer data brasileira encontrada vagando pelas redes deve ser tratada como uma Familiar: pode até parecer convincente, mas não merece confiança.
Em Madoka Magica, todo desejo cobra um preço. Para assistir a esta continuação, os fãs pagaram com 13 anos de paciência, três adiamentos e incontáveis teorias. Pelo menos, desta vez, o contrato entregou o prometido antes que todo mundo virasse bruxa.
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