Teoria Geek

Virou pedra antes de acordar | Disney+ abandona live-action de Gárgulas

Goliath costumava passar o dia transformado em pedra e despertar ao anoitecer. Sua série live-action não teve a mesma sorte: foi petrificada permanentemente antes de conhecer uma câmera.

O Disney+ não seguirá desenvolvendo a nova versão de Gárgulas, anunciada em 2023 com Gary Dauberman e James Wan entre os responsáveis.

Entretanto, convém guardar a marreta dramática: o projeto permanecia em estágio inicial e nunca recebeu sinal verde para produção.

O feitiço acabou no desenvolvimento

A notícia surgiu durante uma entrevista de Greg Weisman à ComicsOnline. Questionado sobre o futuro da franquia, o cocriador da animação explicou que a Atomic Monster possuía a licença para desenvolver o live-action, mas afirmou que o projeto estava morto.

Embora Weisman não estivesse envolvido na adaptação, uma fonte ligada à produção confirmou à Variety que a série não seguirá adiante.

Gary Dauberman, responsável pelos roteiros de It: A Coisa e pela direção de Salem’s Lot, escreveria e comandaria o projeto. James Wan atuaria como produtor por meio da Atomic Monster, empresa também ligada às franquias Invocação do Mal e Aquaman.

Ainda em 2025, Dauberman dizia que a adaptação preservaria o tom sombrio da animação. Contudo, nunca foram anunciados elenco, diretor, cronograma de filmagens ou previsão de estreia.

O desenvolvimento acabou virando aquele tipo de maldição que Hollywood conhece bem: ninguém sabe exatamente quando começou, mas todos percebem quando o projeto já está coberto de musgo.

A Disney já foi sombria depois da escola

Exibida originalmente entre 1994 e 1997, Gárgulas acompanhava um clã de guerreiros mágicos condenado a permanecer em forma de pedra. Depois de mil anos, as criaturas despertavam na Nova York moderna e passavam a proteger a cidade durante a noite.

Liderado por Goliath, o grupo contava com a ajuda da policial Elisa Maza enquanto enfrentava o bilionário David Xanatos, ameaças sobrenaturais e alguns traumas que certamente não apareciam em Tico e Teco.

Ao longo de 78 episódios, a animação combinou fantasia urbana, ficção científica, mitologia e referências a Shakespeare. Além disso, apostou numa narrativa serializada e em personagens moralmente complexos numa época em que muitas produções infantis voltavam ao ponto inicial assim que subiam os créditos.

Essa mistura transformou Gárgulas em uma das séries mais cultuadas da Disney dos anos 1990. Também explica por que os fãs continuam pedindo seu retorno quase três décadas depois, mesmo que o estúdio insista em responder com o silêncio arquitetônico de uma catedral abandonada.

Nem toda estátua precisa virar gente

As primeiras informações indicavam que o live-action acompanharia Goliath depois de sua libertação de uma maldição secular. Ao lado de Elisa Maza, ele protegeria Nova York enquanto investigava mistérios ligados ao próprio passado.

A proposta poderia devolver a franquia às telas, mas também enfrentaria um problema bastante terrestre: recriar criaturas aladas em uma série live-action exigiria efeitos visuais caros. Reduzir o clã ou economizar no CGI, por outro lado, correria o risco de produzir Gárgula, no singular.

Por enquanto, também não existe uma nova animação confirmada. Weisman afirmou desconhecer planos nessa área, enquanto Disney e Disney+ não anunciaram qualquer substituto para o projeto abandonado. Rumores sobre uma continuação animada continuam sendo apenas rumores usando capa de pedra.

As três temporadas da produção original permanecem disponíveis no Disney+, o que ao menos permite visitar Manhattan sem gastar milhões em asas digitais.

Na animação, Goliath precisou esperar o castelo subir acima das nuvens para despertar. No Disney+, bastava um sinal verde. Infelizmente, no inferno do desenvolvimento, o sol nunca se põe e algumas estátuas não acordam.

 

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