Um pouco da história, cultura de trabalho e desenvolvimento na Tango Gameworks

Em 1 de março de 2010, em um dia qualquer no Japão, um indivíduo conhecido por ser o criador lendário da série Resident Evil — da gigantesca Capcom —, cujo nome é Shinji Mikami, fundou o estúdio japonês anteriormente chamado de Tango K K  Tango Gameworks.

Com apenas 12 desenvolvedores, a produtora tinha como objetivo ser um lugar para jovens diretores que estavam iniciando a sua carreira na indústria de games procurando por um lugar nesse ramo. No entanto, como em qualquer desafio da vida e que nem tudo são flores, a produtora começou a passar por dificuldades financeiras até que, em 28 de outubro de 2010, acabaram sendo comprados pela Zeni Max Media — uma subsidiária norte-americana de diversas empresas de jogos eletrônicos.

O marco zero do estúdio japonês (Foto: Reprodução/Tango Gameworks)

O criador de Resident Evil sempre teve o desejo de voltar como um diretor de um jogo de terror de sobrevivência semelhante, e isso aconteceu somente quatro anos depois da fundação do estúdio japonês. Em outubro de 2014, uma obra divina publicada pela Bethesda Softworks e desenvolvido para PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One e PC, nasceu. The Evil Within — conhecido no Japão como Psycho Break — teve tanto sucesso com a crítica e os fãs de survival horror com pontuação de 75 na média no Metacritic, que rapidamente Mikami deixou o cargo de diretor e virou produtor de todos os títulos da Tango.

A história do título se passa na cidade fictícia de Krimson City, que após um chamado de emergência de polícia no hospício Beacon Mental Hospital, o protagonista conhecido como Sebastian Castellanos e sua equipe Joseph Oda e Juli Kidman vão até o local para averiguar o que aconteceu. Chegando lá, todos os “pacientes” estavam mortos começando assim a jornada “mental”. Com isso, após o tamanho sucesso do primeiro capítulo, mesmo com alguns deslizes por não possuir sequer uma localização para o nosso país, durante a E3 2017 a Tango Gameworks anunciou oficialmente o segundo capítulo da saga, ou seja, The Evil Within 2.

No som de The Ordinary World, composto por Duran Duran, em 13 de outubro de 2017 a nova jornada de Castellanos se iniciou. Seguindo a cronologia do enredo, o novo capítulo acontece três anos após o anterior depois de um acontecimento terrível levando a morte de sua filha Lily. No entanto, com uma nova chance de voltar ao mundo tenebroso de STEM, Sebastian tenta a todo custo sobreviver para salvá-la. Por sua vez, aprendendo com os erros do primeiro título com apenas um ponto de diferença no Metacritic, agora tivemos localização completa em PT-BR em nosso país, o que por lógica, “aumentaria” o número de vendas do título para nossa região.

Aprecie a Arte! (Foto: Reprodução/Tango Gameworks)

Só que na realidade, o título vendeu um quarto do primeiro projeto da produtora japonesa. Segundo o VGChartz, aproximadamente 211,000 cópias foram vendidas onde cerca de 74% vieram do PlayStation 4, 22% do Xbox One, e por fim, apenas 2% da Steam (PC). Mas, qual o real motivo da última caminhada de Sebastian não alcançar o sucesso assim como o primeiro? Talvez seja a janela de lançamento? Porque por sinal, chegou poucas semanas antes da estreia de Wolfenstein II: The New Colossus — produzido pela MachineGames —, também da própria Bethesda.

Mesmo assim, o estúdio seguiu em frente e revelou seu próximo projeto durante a E3 de 2019, por Ikumi Nakamura — atualmente ex-Tango Gameworks — e Shinji Mikami, denominado de Ghostwire: Tokyo. O título mostra que acontecimentos bizarros estão acontecendo na capital do Japão. Pessoas desaparecem sem nenhuma explicação deixando uma única coisa para trás, suas roupas. Teremos que enfrentar o desconhecido para descobrir a verdade e salvar a cidade. Um curto gameplay também foi revelado, invertendo por completo tudo o que os fãs do estúdio ao redor do mundo acharam que sabiam sobre a Tango. Ghostwire por sua vez, não será em terceira pessoa assim como os outros dois projetos já lançados, mas sim em primeira. Logo após a revelação, Nakamura deixou o estúdio como diretora criativa após oito anos de casa.

Após esses acontecimentos, querendo ou não, a realidade é que o título morreu e acabou sendo esquecido pela comunidade. Tivemos é claro, uma entrevista para o portal da IGN, onde mencionou que não se tratava apenas de um survival horror tecnicamente e que teria os recursos de áudio 3D e do DualSense para o PlayStation 5.

No entanto, Phil Spencer — chefe da Xbox — resolveu adquirir não apenas a Tango, mas a Zeni Max Media por completo, incluindo todos os seus estúdios, por meros US$ 7,5 bilhões em 21 de setembro de 2020Agora, como parte da família da Xbox Studios, no entanto, ainda, Ghostwire: Tokyo segue como exclusivo temporário de PlayStation 5, mas que recentemente foi adiado para o início de 2022 devido o agravamento da COVID-19 no Japão.

O cruzamento de Shibuya (Foto: Reprodução/Tango Gameworks)

Em uma recente matéria/entrevista para dois portais japoneses, agradecendo é claro Kana Komatsu — Business Partner da produtora pela revelação dos mesmo via Twitter, conhecidos como RecGame e Cgworld, essa cultura de desenvolvimento dos jogos atualmente dentro do estúdio está com uma faixa etária entre 35-45 anos. Com isso, Akira Kosaka, planejador de jogos com 5 anos de casa, comenta que teve vários problemas em encontrar uma desenvolvedora devido a falta de experiência e a dev japonesa foi a única que abriu as portas para seu crescimento profissional e que o estúdio não deve ser encarado como “focado apenas em Survival-horror”.

Shigenori Nishikawa, atual planejador sênior de jogos na Tango e mais de 24 anos de experiência na indústria, menciona que a produtora está com sete novas vagas disponíveis. Nishikawa, que também é o responsável pelo recrutamento dos novatos, foi o que recrutou Kosaka, e assim como ele, o estúdio procura construir um lugar onde “jovens criadores possam enfrentar desafios” e, com a nova sensibilidade da nova geração, criar novos jogos em uma nova era.

Qual o futuro da Tango? Será que mesmo com a aquisição da Microsoft veremos uma possível sequência da série de The Evil Within, visto que pra quem terminou a história sabe que realmente não tivemos um fim, no PlayStation 5 ou será exclusivamente de Xbox Series X? O estúdio procura jovens talentosos para completar essas vagas disponíveis, e, levando em consideração desde quando Ghostwire: Tokyo foi revelado, possivelmente daqui alguns anos teremos algo novo. O que nos resta agora, é aguardar.