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Trilogia: Tons de Magia | Vale a pena ler?

A trilogia Tons de Magia é uma fantasia voltada para o público adulto, escrita pela brilhante autora V. E. Schwab que nos traz um mundo completamente novo, cheio de magia negra acompanhada de dramas e traumas bem realistas para nossa atualidade.

A trama gira em torno de quatro universos conectados por uma cidade mágica, Londres. Desta forma, as conhecemos como as quatro Londres. A magia a princípio existia em tudo, porém, ela acabou consumindo muito e por isso um dos mundos se perdeu, levando ao fechamento dos portões que davam de uma cidade a outra, evitando que houvesse qualquer contato entre eles.

É aí que entram os magos chamados de Antari, os quais são raros viajantes mágicos capazes de transitar entre as Londres enviando mensagens entre seus líderes, únicos que têm conhecimento de que existe um mundo além do seu.

O protagonista da trama, Kell, é um dos últimos Antari que sobrou, conhecido como o Viajante Vermelho. Apesar de fiel ao Império Maresh, ele pratica a atividade extracurricular de ser um contrabandista, assim carregando pequenos objetos de uma Londres a outra para pessoas comuns que querem uma chance de vislumbrar algo que acreditavam existir apenas em sonho.

Quase desnecessário dizer que é com um desses “pacotes” que a trama de fato se inicia, correto? Sem querer causar o mal, porém trazendo ao seu mundo um pingo da escuridão que praticamente exterminou um dos mundos vizinhos, Kell deve encontrar um modo de permanecer vivo enquanto tenta expurgar a magia do mal que ainda aguarda uma nova chance de destruir tudo que existe.

A trama conta com três livros: Um Tom Mais Escuro de Magia, Um Encontro de Sombras e Uma Conjuração de Luz. Trazidos pela Editora Record, possuindo os gêneros de fantasia, ação e aventura, com classificação indicativa de +16 anos.

As Quatro Londres

As Londres estão conectadas uma a outra e embora seus portões tenham sido selados para pessoas comuns, os Antari ainda são capazes de transitar por elas. Contudo, não podem simplesmente pular de uma para outra conforme sua escolha e sim caminhar entre elas conforme a ordem que se seguem.

A Londres Cinza não possui mais nenhuma magia. Ela é governada por um rei louco e é descrita até como suja e enfadonha. Infelizmente, resumindo, seria o nosso mundo, sem magia.

A Londres Vermelha é o lugar em que a magia transcende, aonde vida e magia são reverenciados. O mundo com o aroma de lírios e grama, ao qual o protagonista pertence e ama.

A Londres Branca é um lugar perigoso. Neste mundo as pessoas são insanas e sanguinárias e lutam para possuir magia, matando sem piedade. Vizinha da Londres Preta, esta sofre pela magia que ao tentar ser controlada pelas pessoas, ela reage, drenando toda a vida da cidade.

A Londres Preta foi o mundo que a magia consumiu por completo. Não se fala mais dela, mas alguns temem que o que houve lá, possa um dia alcançar outra Londres e lentamente consumir a todas, pois ninguém sabe de fato o que aconteceu com todo o mal que causou a devastação daquele mundo…

Personagens

Kell, protagonista da trama, Antari da Londres Vermelha. Embaixador do Império Maresh e considerado filho adotivo do rei e da rainha. Poderoso, centrado em seus objetivos e chato em alguns momentos por sempre querer pensar em tudo e estar no controle de tudo, ainda assim, ele consegue possuir um baita carisma dentro da trama.

Eu sou suspeita para falar, porque me apaixonei pelo personagem. Metade do tempo ranzinza e carrancudo, ele dominou meu coração, pois é extremamente fiel ao irmão e aos amigos. Kell me fazia sofrer quando se passavam algumas páginas e ele não estava nelas.

“De perto, Kell exalava um aroma de lírios e grama.”

Lila, também conhecida como Delilah Bard, uma ladra astuta e mega ambiciosa. Naturalmente da Londres Cinza, ela faz um acordo com Kell para tirá-la daquele mundo e levá-la a Londres Vermelha, pois em seu mundo já era procurada pelos seus delitos e no novo ela queria… Continuar com eles. Mas em uma nova Londres que possuía magia, pois sendo a ambiciosa que era, dinheiro e poder estavam no topo de sua lista de objetivos.

Particularmente, achei a personagem bem construída e diferente do que usualmente encontramos por aí nos livros, mas eu não consegui me apegar muito a ela. Adoro a relação dela com os demais personagens, mas eu não consegui criar um carinho muito grande pela personagem.

“Lila. Um nome doce, porém pronunciado como uma faca, cortando na primeira sílaba, a segunda um mero sussurro de metal pelo ar.”

Rhy Maresh, herdeiro do Império Maresh e irmão adotivo de Kell. Enquanto Rhy vive para esbanjar e se divertir sem limites, Kell vive de atrás dele tentando protegê-lo até de si mesmo, já que o príncipe praticamente não possui magia. Contudo, Rhy é o personagem com o maior amadurecimento na trilogia, afinal, devido ao que lhe reserva em toda a trama, o personagem vai muito além do que o apresentado nas primeiras páginas.

E aqui também é possível encontrar uma das relações mais bonitas apresentadas, a irmandade entre o Rhy e o Kell é lindíssima! Os irmãos fazem completamente tudo um pelo outro, indiferente da situação e das consequências. É um dos laços mais bonitos que já encontrei em um livro.

“- Vinte anos! Vinte! Alguns dias de celebração não me soam excessivos. E, além disso, metade deles é para o povo. Quem sou eu para lhes negar uma festa?”

Alucard Emery, ex-capitão do Night Spire e também um nobre da Casa Emery. O personagem tem sua primeira aparição no segundo livro e do início ao fim ele é aquele personagem que todos gostam porque tem palavras para tudo. Extremamente esperto e poderoso, o Capitão carrega consigo um passado repleto de traumas, arrastando junto relações secretas com o Império Maresh.

Como falei, um personagem que é difícil não gostar, mas ele implica com o Kell e às vezes sou forçada a escolher um lado (a vida é assim)! Fora isso, esse personagem definitivamente rouba a cena e toda vez que ele aparece, podemos esperar um ótimo diálogo.

“Havia uma medida de teatralidade em tudo que Alucard fazia. Ela se perguntou quantos outros papeis ele poderia interpretar. Perguntava-se qual, se é que havia algum, não era um personagem, mas o ator.”

Holland, Antari da Londres Branca. Vindo daquele lugar, já podemos deduzir desde a primeira página que este é um personagem extremamente duro e sim, sanguinário. Contudo, o velho clichê de “passado triste” vem com o personagem de maneira intensa e avassaladora, embrulhada em forma de voadora mesmo. Holland faz coisas terríveis, mas não é de forma alguma um vilão vago, jamais! Ele tem toda uma base apresentada e princípios que mesmo em alguns momentos sendo colocados em prática de forma cruel, você compreende o que o levou àquilo.

Jamais vou defender as mortes, mas se um dia já encontrei um vilão extremamente bem trabalhado, foi nas páginas deste livro. É impressionante como ele possui parte do meu coração. Sofri com todos os personagens, mas com este aqui, bateu lá no fundo.

“Holland cheirava a cinzas, sangue e metal.”

 

Possui romance?

Sim. Porém, é uma dose digamos que discreta.

Eu como a apaixonada que sou, sofri um pouco com isso, mas nada que tenha afetado minha experiência com esse mundo genial. Os personagens me cativaram e a cada interação eu me desmanchava em sorrisos. Posso dizer que teve a dose perfeita de romance em cada parte descrita, casando muito bem com o que a V. E. Schwab nos apresentou. Por isso digo que quem não curte romance em fantasia, dificilmente vai se incomodar com o que a autora descreve.

Vale a pena a leitura?

E como vale! Os mundos apresentados são incríveis! Os personagens são maravilhosos e a trama num todo me prendeu do início ao fim. O primeiro livro é meu queridinho, eu o engoli em pouquíssimo tempo. O segundo, posso dizer que demorei um pouco mais, o achei meio travado e extenso demais para o que apresentou, mas não deixou de ser bom. E o terceiro, com a conclusão, me fez ficar com o coração nas mãos inúmeras vezes e, é claro, me debulhei em lágrimas no final, porque eu definitivamente sou “dessas” (chorona até o fim).

Para quem é amante de fantasia como eu, não deixe escapar a oportunidade de mergulhar neste mundo! A autora também aborda a representatividade e ela soube brilhantemente apresentar um contexto com início, meio e fim a toda a trajetória dos personagens. Apesar da magia, existe muita similaridade com nosso mundo referente a traumas dos personagens e decisões que mesmo no nosso mundo “cinza”, precisamos tomar.

“O mundo não é nem justo nem correto, mas tem sua própria maneira de achar um equilíbrio.”

 

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