RESENHA | Filme: Os Suspeitos

Na primeira colaboração entre as brilhantes mentes de Villeneuve e Deakins se faz notável ao espectador a “perfeita harmonia” com a qual o trabalho do diretor canadense e do diretor de fotografia se complementam, a ponto de justificar certos pleonasmos. Com um dos melhores filmes de suspense da década, a parceria de Blade Runner 2049, Sicario e da ficção científica programada para 2020, Duna, não poderia ter começado de melhor forma.

 

Ficha técnica:

Título original: Prisioners

Gênero: Suspense

Duração: 153 min

Data de lançamento: 18/10/2013

Direção: Denis Villeneuve

Roteiro: Aaron Guzikowski

Cinematografia: Roger A. Deakins

Elenco: Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal

Disponível: Amazon Prime Video

 

  • Sinopse: Depois que sua filha de seis anos e uma amiga dela são sequestradas, Keller Dover, um carpinteiro de Boston, enfrenta o departamento de polícia e o jovem detetive encarregado do caso para fazer justiça com as próprias mãos.

 

Enredo

Logo nos dez primeiros minutos do filme o suspense se estabelece de forma arrebatadoramente realista. E ele permanecerá até, literalmente, o último segundo do filme.

A narrativa é movida pelo embate moral entre Dover (Jackman) e o detetive Loki (Gyllenhaal), e pelas descobertas inquietantes que, pouco a pouco, surgem no caso. Os dois atores principais nos brindam com um “duelo” interpretativo impressionante. Jackman merecia, inclusive, ao menos uma indicação nas premiações da academia.

O elenco de apoio também entrega um bom trabalho, Maria Bello, Viola Davis, Terrence Howard, Melissa Leo e Paul Dano, todos ótimos em seus respectivos papéis. O roteiro de Aaron Guzikowski consegue dar espaço para cada ator entregar as diferentes reações de seus personagens em frente a tal situação. Assim, raiva, desamparo, negação, ou até mesmo a difícil aceitação, todas aqui têm seus representantes. Guzikowski move o suspense diabolicamente complexo da trama através da jornada de Loki na investigação do caso, que a cada nova descoberta parece ainda mais distante de uma resolução.

Cinematografia

Quanto aos aspectos técnicos, não há o que criticar. Denis Villeneuve nunca teve problemas em ambientar e ditar o tom de suas produções. Sempre usando com precisão a fotografia a favor de suas narrativas, como pode ser visto no muito bem recebido pela crítica Incendies, de 2010. Por outro lado, ao trabalhar em conjunto com, possivelmente, o melhor diretor de fotografia do século, Villeneuve atinge outro nível. Deakins dá à estética cinematográfica de seu novo parceiro uma qualidade fenomenal.

Os dias sempre cinzentos, as noites sempre mal iluminadas, as locações precárias, a chuva incessante e as luzes policiais, juntamente com o uso da ótima trilha composta por Jóhann Jóhannsson, ditam o tom desesperante de tensão e melancolia que perpetua durante o longa. Todos esses aspectos ganham ainda mais peso nas hábeis manipulações da mise-en-scène de Villeneuve. Sempre com bom uso de planos abertos, e suas tradicionais mesclas com planos fechado. O visual do filme é absolutamente perfeito.

Suspense demais?

Um dos pouquíssimos problemas do filme é a complexidade do enredo, que pode o tornar maçante a olhos menos “treinados”, apesar do eficiente trabalho de edição. Bem como é relativamente fácil perder uma informação que outra durante o filme, que, a fim de não cair em exposições baratas, talvez as tenha deixado sutis demais. Ainda mais que, adicionado o peso dramático do desaparecimento de crianças, o filme pode se tornar um tanto indigesto para algumas pessoas. Essa não é uma obra para as massas, e os responsáveis pela produção não cometem o erro de tentar adequá-la como tal, mantendo a classificação etária de 16 anos. Aqui, o desconforto do espectador é necessário para que o filme atinja seu objetivo.

Suspense nunca é demais!!!

Assistir Os Suspeitos, enfim é uma experiência tão perturbadora e única, que experimentá-la unicamente uma vez é o bastante para que ela jamais seja esquecida. Que nos imerge em seu universo e nos desafia a fazer escolhas, das quais provavelmente não vamos nos orgulhar. Como dizem alguns: Pray for the best, prepare for the worst!

NOTA 10

Angelo Ianzer
Estudante de história, 21 anos. Dependente de café e cinema.