Teoria Geek

S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl | Confira nossa review

STALKER
Ficha Técnica
Desenvolvido por: GSC Game World
Publicado por: GSC Game World
Gênero::FPS
Série:STALKER
Lançamento: 20 de novembro de 2025
Classificação indicativa: 16 anos
Modos: um jogador
Disponível para: PC, PS5 e Xbox Series S|X

S.T.A.L.K.E.R. 2 não é um jogo que tenta te agradar o tempo todo. Ele não te dá a mão, não pede desculpa quando te pune e, muitas vezes, parece até gostar de te ver sofrer. E é justamente aí que mora o charme. A Zona continua sendo um lugar hostil, imprevisível e fascinante, e essa continuação entende muito bem isso.

Depois de tantos anos de espera, o retorno à Zona de Chornobyl é ambicioso, intenso e, sim, cheio de problemas. Mas também é uma experiência que poucos jogos conseguem entregar hoje em dia.

História

A narrativa de S.T.A.L.K.E.R. 2 é densa, fragmentada e cheia de mistério. Você assume o papel de Skif, um stalker que se envolve em eventos que vão muito além de simples exploração e sobrevivência. A Zona está mudando, forças desconhecidas estão em movimento e cada escolha feita ao longo da jornada pode alterar o rumo da história.

O jogo não explica tudo de forma direta, e isso é proposital. Grande parte da narrativa está espalhada pelo mundo, em diálogos, documentos, situações ambientais e consequências das suas decisões. Não é uma história cinematográfica no estilo blockbuster, mas sim algo mais cru, que exige atenção e interpretação do jogador.

O ponto fraco está na apresentação. Alguns diálogos soam artificiais e certas transições narrativas poderiam ser mais bem trabalhadas. Ainda assim, a sensação constante de mistério e perigo sustenta a experiência e combina perfeitamente com o tom da Zona.

Jogabilidade

Aqui está o coração do jogo. S.T.A.L.K.E.R. 2 mistura FPS, survival e elementos de simulação de forma bastante única. O combate é tenso, letal e punitivo. Poucas balas, inimigos perigosos e erros que custam caro fazem cada confronto parecer uma decisão importante.

Não espere tiroteios frenéticos e fluidos como em shooters mais arcade. Aqui tudo é mais pesado, mais lento e mais calculado. Cada bala importa, cada recarga é um risco e cada avanço precisa ser pensado. Para alguns, isso é frustrante. Para outros, é exatamente o que torna o jogo especial.

O uso de anomalias, detectores e equipamentos adiciona uma camada extra de estratégia à exploração. Ao mesmo tempo, o jogo sofre com inconsistências de IA, inimigos que às vezes agem de forma estranha e bugs que podem quebrar a imersão em momentos críticos. Não chega a tornar a experiência injogável, mas incomoda.

Progressão

A progressão em S.T.A.L.K.E.R. 2 é orgânica e pouco guiada. Você melhora seu personagem principalmente por meio de equipamentos melhores, armas mais eficientes e artefatos encontrados na Zona. Não existe aquela sensação constante de subir de nível tradicional, e sim de sobreviver melhor.

As escolhas feitas ao longo da campanha impactam o mundo, as relações com facções e até o desfecho da história. Existem caminhos diferentes, missões que podem se encerrar de formas distintas e múltiplos finais, o que aumenta bastante o valor de replay.

Por outro lado, a progressão pode parecer lenta e até injusta em certos momentos. Há situações em que você se sente fraco por tempo demais, especialmente no início, o que pode afastar jogadores menos pacientes.

Gráficos

Visualmente, S.T.A.L.K.E.R. 2 impressiona. A Zona é linda de um jeito triste. Ruínas abandonadas, vegetação tomando conta do que sobrou da civilização, tempestades, neblina e iluminação dinâmica criam uma atmosfera pesada e extremamente imersiva.

O nível de detalhe dos cenários é alto e ajuda muito na sensação de estar explorando um lugar real e perigoso. Porém, esse visual tem um preço. Problemas de desempenho, quedas de frame e bugs gráficos aparecem com certa frequência, principalmente em áreas mais abertas ou durante eventos climáticos.

Mesmo assim, quando tudo funciona como deveria, o jogo entrega alguns dos cenários mais marcantes da geração.

Trilha sonora

O trabalho sonoro é um dos grandes acertos do jogo. Muitas vezes não há música alguma, apenas o som do vento, passos distantes, rangidos metálicos e ruídos estranhos que te deixam em alerta constante. A trilha aparece nos momentos certos, sempre reforçando a sensação de solidão e tensão.

Os efeitos sonoros são precisos e contribuem muito para a imersão. Ouvir algo se movendo no escuro ou o estalo de uma anomalia próxima é suficiente para fazer você parar tudo e repensar seu caminho. A dublagem cumpre seu papel, mesmo sem grandes atuações memoráveis.

S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl: Vale ou não a pena?

S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl é um jogo corajoso. Ele não tenta se adaptar às tendências modernas nem simplificar sua identidade para agradar todo mundo. Isso faz com que a experiência seja intensa, imersiva e única, mas também problemática.

Vale a pena se você gosta de jogos desafiadores, atmosféricos e que exigem paciência. Se você aprecia exploração, narrativa ambiental e um mundo que não gira ao seu redor, a Zona vai te conquistar.

Agora, se você busca um FPS polido, fluido e sem grandes frustrações técnicas, talvez seja melhor esperar mais atualizações ou uma promoção.

No fim, S.T.A.L.K.E.R. 2 é exatamente aquilo que prometeu ser. Imperfeito, hostil, fascinante e memorável. Um jogo que não quer ser amado por todos, mas que, quando clica com você, é difícil de largar.


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