Lançado originalmente em outubro de 1998 para o Playstation, MediEvil foi um jogo que teve uma recepção mista da crítica e do público, mas apesar disso sempre teve um lugar especial no coração dos jogadores mais assíduos, que se encorajaram em ir até os confins de Gallowmere a fim de finalizar a aventura. Em 2017, durante uma PS Experience, seu remake foi anunciado e, agora em 2019, finalmente pudemos conferir como ficou o produto final. Será que vale a pena presenciar a volta de Dan?

 

Ficha Técnica

  • Desenvolvido por: Other Ocean
  • Publicado por: Sony Interactive Entertainment
  • Série: MediEvil
  • Lançamento: 25/10/19
  • Gênero: Aventura
  • Classificação: 12 anos
  • Modos: Single-Player
  • Disponível para: Playstation 4

 

Jogo na versão 1.01, analisado no PS4 padrão.

 

O retorno de Sir Fortesque 

O plot do jogo nos é apresentado em formato de narração bem ao estilo conto de fadas, seguido de uma cutscene idêntica à do jogo original. Sir Daniel Fortesque era um cavaleiro estrategista do reino de Gallowmere, porém, durante uma guerra contra as forças do maquiavélico feiticeiro Zarok, Dan é atingido por uma flecha em um de seus olhos, levando-o a uma morte instantânea logo no primeiro momento do combate. Mesmo com essa baixa, a batalha foi vencida e o povo o considerou um herói, exaltando-o com lendas e canções. Apesar de a guerra ter chegado ao fim, Zarok não foi morto de fato, e 100 anos depois, o seu próximo plano já estava sendo colocado em prática. O feiticeiro conseguiu retirar as almas do pobre povo do reino e levantou todos os mortos de suas tumbas, a fim de formar um exército de mortos-vivos, mas o que ele não esperava era trazer do além o seu maior inimigo do passado.

 

Remake ou remaster!?

O jogo é praticamente o mesmo lançado no PS1, levando apenas uma “pintura nova” por parte do seu visual. Ele se inicia na cripta de Dan, que funciona como uma espécie de tutorial. Nela, aprendemos que podemos se movimentar livremente, movimentar a câmera, pular, atacar com armas brancas, alternar a arma entre as armas primárias e secundárias, defender com escudos e atacar com armas de projéteis, sendo que a mira é travada automaticamente nos inimigos, tudo praticamente idêntico ao original. A jogabilidade responde bem, mesmo com Daniel Fortesque se movendo de maneira desengonçada (propositalmente, talvez) ele está um tanto quanto mais “pesado” que o original (o que ajuda bastante nas partes de plataforma) e possui ataques bem responsivos, apresentando um certo “delay” apenas para transição entre a arma primária e secundária. Os gráficos são bons e têm suporte a 4K (no PS4 Pro), porém em algumas situações ele apresenta certas inconstâncias, com texturas pouco definidas e pequenos serrilhados e quedas de frames em partes específicas.

Já a ambientação, em conjunto à trilha sonora e dublagem, é um show à parte. Passamos por cemitérios, mausoléus, fazendas assombradas, manicômios, cavernas, florestas etc.  A música tem uma mistura de tons de horror e tons cômicos, e foi lindamente remixada, possuindo momentos mais dramáticos em situações em que isso é necessário, como lutas contra sub-chefes. A localização totalmente em português dá ainda mais charme à aventura, sendo que as vozes se encaixam perfeitamente com os personagens, e são de uma fidelidade assustadora.

As fases (22 no total) possuem diversos segredos, tornando a exploração essencial e recompensadora, pois é através dela que você vai conseguir melhores armas e itens para que Daniel aprimore sua saúde e seu arsenal, além de que esses novos atributos ajudam amplamente nos desafios apresentados do jogo. A única novidade nessa parte fica por conta das almas perdidas, uma quest adicionada para aumentar o replay do título. Nela, você deve encontrar almas em uma determinada fase e levá-las para uma outra fase para que, cumprindo certos objetivos, possa libertá-las.

 

No fim, vale a pena?

As maiores críticas em torno de MediEvil, lá em 1998, eram em relação à câmera problemática e controles imprecisos, e essas coisas não mudaram ou mudaram bem pouco no remake. Ao trabalhar com o código-fonte original, a equipe da Other Ocean parece ter dado pouca atenção aos problemas que o jogo possuía em sua época e arrastou grande parte deles de volta para o remake, deixando visível a falta de polimento de título. Apesar disso, o jogo é um prato cheio de nostalgia para quem terminou o título original, assim como pode ser uma aventura muito interessante aos marinheiros de primeira viagem. Sendo vendido a um preço menor do que outros títulos AAA, o jogo vale a pena ser conferido por quem não o conhece, mas não oferece nada de novo a quem jogou ou nunca gostou da aventura original do reino de Gallowmere.


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