Até pouco tempo atrás jogos de cunho artístico eram para um público diferenciado, não se importava muito para gráficos ultrarrealistas, e esses jogos, muitas vezes eram taxados de “cult” e vendiam relativamente pouco, fazendo assim que os estúdios que o criaram fossem fechados ou falissem de vez.

Um caso um tanto quanto interessante é a proposta da Eletronic Arts e o seu selo de “EA Originals” na qual presa pelo estilo artístico e inovação de um game, apostando em renovação e principalmente, na originalidade da desenvolvedora.

Lost in Random - Capa
Ficha Técnica
Desenvolvido por: Zoink Games | EA Originals
Publicado por: Eletronic Arts
Gênero: Ação
Série: Lost in Random
Lançamento: 10 de setembro de 2021
Classificação indicativa: 12 anos
Modos: 1 jogador
Disponível para: PS5, Xbox Series, Switch, PS4, Xbox One e PC

 

UM MUNDO CATIVANTE

Onecroft é um dos seis povoados de Random, um mundo que é regido à punhos de ferro por uma Rainha. Essa mesma Rainha tem um hábito estranho: Toda criança que completa 12 anos e consiga um número 6 em um dado, é sequestrada e levada para o seu castelo. Veja bem, não é qualquer criança que complete 12 anos que será levada pela louca da Rainha, somente a criança com essa idade e que consiga um 6 num dado, que é levada para o seu castelo e sabe-se lá o que a Rainha faz com a criança.

Lost in Random

Em um dia como qualquer outro, Eve e sua irmã Odd, estão de boa, brincando e curtindo outras crianças, quando der repente, a irmã de Eve, Odd, é levada para o castelo da Rainha e a pobre Eve, não pode fazer nada a não ser, ver sua querida irmã sumir diante de seus olhos.

MELANCÓLICO E FASCINANTE

A direção de arte de Lost in Random é simplesmente fascinante! Tudo no jogo me fez lembrar das obras de Tim Burton como o Estranho Mundo de Jack, e também de um jogo, que não tem nada haver com Tim Burton, mas que possui um estilo artístico parecido com as obras do cineasta chamado de Evil Twin, game lançado no início dos anos 2000 para Playstation 1 e Dreamcast.

Lost in Random exala melancolia e personalidade, isso porque cada habitante tem uma história para contar, ou alguma missão para Eve completar e assim, descobrir mais sobre não só o personagem, mas também sobre a tirana Rainha. Cada distrito de Random é único e possui suas particularidades, sendo que em certos locais podemos encontrar crianças jogadas nas ruas, bandidos se esgueirando pelas sombras ou até um distrito que vive uma guerra permanente, aonde podemos ver casas destruídas e trincheiras espalhadas por todos os lados.

Lost in Random

Por mais que o reino de Random possa parecer triste e desolado, existem pessoas que tentam levar uma vida normal e alguns são até engraçados. Claro, todos que vivem no reino possuem medo da Rainha, pelo menos as pessoas de boa fé, já as pessoas que são ruins e maldosas, além de medo, admiram a tal Rainha. Dito isso, é muito importante com que você tome cuidado com quem conversa no meio do jogo. Ah claro! já ia me esquecendo de dizer, em Lost in Random é muito importante trocar ideias com o povo que habita cada local. São eles que passam novas informações sobre o paradeiro de sua irmã, são eles que passam novas missões que rendem moedas que servem para comprar novas cartas (que irei explicar melhor mais pra frente), e são eles que podem ou não estar falando a verdade pra você!

Como deu pra ver, é essencial que Eve converse com as pessoas para que assim possa prosseguir em sua busca pela Odd. E quanto mais vamos jogando, mais vamos nos apaixonando pela personagem pois Eve é cheia de vida e muito determinada, por vezes achamos que a busca pela irmã é uma causa perdida, mas logo em seguida, acontece algo no enredo que nos impulsiona a continuar o resgate de nossa irmã.

Lost in Random

O jogo foi muito bem escrito e cada linha de diálogo é bem amarrado, tampando assim qualquer buraco ou dúvidas sobre o enredo. É sem sombra de dúvidas uma linda obra interativa. Algo que preciso citar aqui é o narrador, que não apenas conta a história de Eve, ou os acontecimentos ocorridos, ele é parte essencial na narrativa de Lost in Random, e porque não, um personagem que torna-se querido para o jogador, ao lado de Eve e Dicey.

COMBATE SIMPLES E VICIANTE

Olha só que cabeça a minha, devo estar com algum problema de memória, pois me esqueci de comentar sobre uma das partes mais interessantes de Lost in Random: O combate.

Perdoe-me a minha falta de classe, mas eu fiquei empolgado ao comentar sobre o enredo ou até mesmo sobre a arte envolta do game. Mas a parte mais legal de todo o game é com toda a certeza o combate. Muito parecido com o estilo de combate de Kingdom Hearts: Chain of Memories (GBA, PS2), na qual tínhamos que selecionar algumas cartas para que Sora e seus amigos pudessem executar as mais variadas formas de ataque.

Em Lost in Random o esquema é parecido, só que mais fácil de aprender e muito mais viciante. Em um ponto da história, Eve conhece um ser mágico e poderoso chamado Dicey, esse simpático ser, ajuda a garota em toda a sua jornada, e não só isso, é ele quem disponibiliza as cartas de combate.

Eve é munida de um estilingue e essa “arma” é muito importante pois com ele, temos que acertar certos pontos nos inimigos que fazem com que eles dropem pequenos pedaços de minérios. Ao coletar a quantidade necessária de minério, Dicey diminui o tempo ao redor e dá para Eve a possibilidade dela escolher alguma carta que seja equivalente à quantidade de minério coletado por ela. Veja bem, se você coletou 4 pedaços de minério e a carta que você quer usar utiliza 3 pedaços, ainda lhe sobra 1 pedaço do minério para que você possa usar uma outra carta que consuma 1 de minério. Falando assim parece estranho e complicado, mas na realidade é bem fácil e em poucos minutos você já se pegará formulando estratégias para derrotar os inimigos. Vale lembrar que ao todo temos a nossa disposição 45 cartas que variam de ataque físico, mágico, armadilhas e invocações. Essas cartas podem ser adquiridas das mais variadas formas possíveis, mas também podemos comprá-las com as moedas que ganhamos ao fazer as missões secundárias.

Veja bem, não é porque temos 45 cartas ao nosso dispor, que poderemos sair por ai descendo a pancada nos inimigos como se não houvesse amanhã! Muito pelo contrário. Nosso deck só pode comportar até no máximo 15 cartas, não importando se é de ataque, defesa ou invocação, o limite é de 15 cartas. Isso nos obriga à escolher as melhores cartas ou as que estrategicamente são mais úteis para que possamos avançar na trama.

LOST IN RANDOM: VALE A PENA?

Eu fico extremamente feliz em ver que a EA está investindo em games mais “indies” do que somente em blockbusters. Dessa maravilhosa iniciativa, estão nascendo games maravilhosos e Lost in Random é um ótimo exemplo. O game possui personalidade, carisma e seu enredo é cativante, triste em certos pontos, mas que prende o jogador para saber mais o que vem pela frente. Atrele à isso um sistema de combate fácil e viciante e teremos em mãos um dos melhores games da safra EA Originals.

O único ponto fraco do que, pelo menos para nós brasileiros, é que o game não tem localização para o nosso idioma, dificultando assim o entendimento de algumas frases, piadas ou até mesmo, nuances sobre o enredo e o passado da Rainha. Tirando isso, o game é quase perfeito.

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