Green Hell é aquela experiência incrível que permite ao jogador brasileiro conhecer a floresta amazônica de uma forma única e reveladora.

Green Hell
Ficha Técnica
Desenvolvido por: Creepy Jar
Publicado por: Creepy Jar
Gênero: Sobrevivência
Série: Green Hell
Lançamento: 09 de junho de 2021
Classificação indicativa: 16 anos
Modos: 1-4 Jogadores
Disponível para: Xbox One, PlayStation 4 e PC

 

Após quase 3 anos Green Hell finalmente chega aos consoles. Nós do Teoria Geek pudemos conferir como o jogo ficou através da versão PlayStation 4 via retrocompatibilidade com o PlayStation 5. A propósito, fica um agradecimento a Evolve PR que vem confiando no nosso trabalho e disponibilizando muito conteúdo para nós.

Querido Diário

Minha primeira experiência com Green Hell foi a seguinte, escolhi a dificuldade mais fácil “Um passeio no parque”. Não me julguem! Eu adoro uma boa história, exploração e construção e a dificuldade era ideal para mim. Nela o nível de sanidade, tribos hostis e predadores ficam desligados, porém existe esse detalhe “Você pode acabar entrando em perigo por conta própria”. E eis o que aconteceu!

Lá estava eu, apreciando a fauna e flora brasileira. A princípio achei 2 sapos muito coloridos e fofos e pensei comigo, vamos pegá-los! Que brilhante ideia meus caros, adquiri febre, os bichinhos eram venenosos. Mas jura que você vê um sapo azul e não quer colocar na mochila? Podia servir de pigmento, sei lá. Meu caderno dizia que a febre passava com o tempo, mas que algumas plantas podiam agilizar o processo. Comecei então, a busca por plantas!

Green Hell
É preciso ficar de olho em seu corpo o tempo inteiro. (Foto/Reprodução: Ígara Ferreira)

Peguei vários cogumelos com qualidades indefinitas e taquei tudo para dentro, mas serviram apenas pra me deixar nutrida (proteína e carboidrato). Seguindo em frente, sem olhar para o chão piso em cima de uma cobra. UMA COBRA! Gente, vocês acham que eu não iria olhar pro chão se tivesse lá de verdade? Nossa, fiquei envenenada e a bicha ainda ficou sibilando pra mim. Simplesmente me esquivei dela, estava desarmada… Mas agora com febre e envenenada.

O dia começou a acabar, estava escuro e comecei a ficar desidratada. Estava doente demais já, comecei a passar mal junto com o protagonista! Tinha essa cachoeira com água suja, mas com caranguejos e pequenos mamíferos presentes, pensei se eles podem, por que eu não? E claro, bebi e consumi parasitas. PARASITAS. Morri alguns segundos depois, com três doenças distintas. O passeio no parque acabou virando um inferno verde, e eis a essência de Green Hell.

Bem vindos a Green Hell!

Nunca um nome serviu tanto para definir um jogo, tem bastante verde e claro, é um inferno! Na experiência relatada anteriormente você pode ter percebido que mesmo numa dificuldade baixa, qualquer bobeira pode causar sua morte. Tudo é realmente bem realista! Esqueça qualquer ajuda por parte de instruções do jogo, é como se você realmente estivesse na selva, sozinho e sem qualquer ajuda.

Caso você seja mais experiente e queira explorar o máximo do que a dificuldade da campanha tem a oferecer, existem modos mais atrativos que incluem tribos hostis, predadores e mais um problema para você cuidar em relação ao personagem – sanidade. Além das dificuldades padrões, ainda existe um modo personalizável para você jogar como bem entender.

Green Hell
A vegetação familiar é bem atrativa. (Foto/Reprodução: Ígara Ferreira)

Uma infinidade de recursos

A experiência do jogo em si já me conquistou na hora, me fez lembrar da infância sabe? Eu morava num sítio ao pé de um morro, e lá tínhamos cachoeiras e muitos recursos naturais, além de cobras, aranhas, formigueiros e diversos animais do gênero. E lembro muito bem, com meus 8 anos, achava incrível o quanto todo aquele material poderia ser utilizado para construir algo útil se utilizássemos nossa imaginação.

E o aspecto de Green House é o mesmo. Você tem diversos recursos, mas dependendo da sua experiência com plantas, pedras e animais, vai se sentir uma garotinha de 8 anos. Achando tudo incrível, mas não fazendo ideia de como utilizar aquilo a seu favor. Entretanto esse é o grande clímax desse jogo, você vai aprender!

O objetivo principal do título, além dos objetivos da história é sobreviver. Manter a cabeça no lugar, e explorar em busca de respostas enquanto precisa se alimentar equilibradamente, beber água potável e não morrer das mais diversas doenças e infecções causadas pela sua curiosidade ou descuido.

Green Hell
Nada como um caderno e um lápis. (Foto/Reprodução: Ígara Ferreira)

Mochila, relógio e caderno

Em Green Hell a sua mochila, relógio e caderno vão ser seus melhores amigos! A princípio você pode se intimidar com tanta informação e menus, mas com o tempo você consegue dominar suas ferramentas e tirar o melhor do jogo graças a elas.

  • Mochila: A mochila faz a maleta do Resident Evil Village ficar envergonhada. É uma mochila bem “punk” cheia dos mais diversos bolsos e repartições. Existe uma parte só para armazenar as armas e um espaço superior para levar galhos e gravetos. Temos também um espaço único para comida, e outro para cordas, plantas e demais itens. É uma mochila imensa que pode ser organizada para incluir mais objetos, respeitando o limite de peso.
  • Relógio: É através dele que podemos acompanhar as horas do dia, e nos organizarmos para não acabar ficando perdidos em meio a escuridão total. Por ele também checamos as necessidades alimentares de nosso personagem, incluindo hidratação. Além de oferecer um GPS com uma bússola, tornando o mapa encontrado posteriormente utilizável.
  • Caderno: Nada como registrar tudo o que você aprendeu, não é mesmo? Por ele fazemos anotações que possibilitam a criação de objetos. Basicamente, você encontra algo, anota no caderno a receita e então consegue fabricá-lo se inserir todo o conteúdo que é pedido. É por ele também que conseguimos ter uma noção do desenrolar da história.

O que acontece em Green Hell?

Se prepare para uma história fantástica, protagonizando Jake Higgins, a tribo Yabahuaca e claro, o Brasil. Jake Higgins é um escritor, que se aventurou pela floresta Amazônica e lançou um livro no passado sobre essa aventura, incluindo informações sobre os Yabahuaca e plantas medicinais. Agora ele retorna a selva, para resolver um problema pessoal em relação a sua esposa – isso pode ser visto através do tutorial.

Entretanto, se você optar por iniciar o jogo sem o tutorial, vai parar direto no ponto em que Jake se encontra sozinho e só consegue conversar com a esposa “Mia” esporadicamente através de um walkie-talkie. Então sim, temos alguns diálogos preciosos no jogo para nos empurrar em direção a um objetivo principal. E é importante mencionar que tudo está traduzido para Português do Brasil, com exceção da dublagem.

Green Hell
O walkie-talkie precisa de luz solar para recarregar. (Foto/Reprodução: Ígara Ferreira)

Quanto a parte técnica…

Temos um jogo realmente bonito, levando em conta que o título foi lançado em 2017 e agora relançado para os consoles da geração passada. Então os gráficos estão bem satisfatórios, e a iluminação e designer de arte impecáveisapenas os mergulhos deixam um pouco a desejar. Até mesmo o enredo está excepcional, existem algumas reviravoltas interessantes e um conteúdo bem rico se você acompanhar os documentos encontrados pelo local.

Porém a trilha sonora merece um destaque. Existem algumas passagens bonitas quando encontramos a tribo, no entanto são os efeitos sonoros que se destacam. O barulho de uma fruta sendo comida, da chuva caindo sobre as folhas das árvores ou ainda o som do riacho, é muito bem feito. Mas os sons que realmente vão marcar o jogador, são o dos animais. Eu por exemplo, já sei diferenciar o barulho de uma aranha, de uma cobra e de um escorpião. 

Green Hell: Vale a pena?

Não é um jogo gigante, a história é curta, mas quanto mais problemas você assumir para sobreviver, mais tempo vai levar para realizar os objetivos – isso se não se distrair e resolver construir uma fortaleza na selva. E mesmo que você finalize o jogo, existem outras dificuldades e modos para experimentar, como o Survival e o Co-op. Infelizmente não tive a chance de jogar com outra pessoa, mas alguns amigos mencionaram que se torna muito mais divertido.

Talvez Green Hell não seja a sua praia, mas certamente é um jogo repleto de qualidades que devem agradar os amantes do gênero sobrevivência. A versão para consoles não ofereceu nenhum crash ou bug, apenas alguns atrasos em carregar os cenários mais a fundo, e alguns elementos piscando dependendo do ponto de vista – muito raros de acontecer. Contudo, nada que estrague a aventura.