Saiba a verdade sobre um dos jogos mais polêmicos do ano, Biomutant. Será que ele realmente desaponta ou foi o “hype” que colocou expectativas demais sobre o título da Experiment 101? Nas próximas linhas deixo a você minha opinião como jogadora que sou. Mas a essa altura do campeonato, meus leitores já devem saber que tenho bastante entusiasmo e minhas opiniões podem ser mais positivas do que a grande maioria.

Biomutant
Ficha Técnica
Desenvolvido por: Experiment 101
Publicado por: THQ Nordic
Gênero: RPG de ação
Série: Biomutant
Lançamento: 25 de maio de 2021
Classificação indicativa: 12 anos
Modos: 1 Jogador
Disponível para: PlayStation 4, Xbox One e PC

 

Não tem como negar que Biomutant criou uma expectativa elevada demais para nos entregar algo que infelizmente, deixa sim a desejar em muitos aspectos. No entanto por algum motivo, existe uma essência ali presente que agrada e nos faz querer continuar jogando. Essa essência não é nada menos que “diversão”!

Em meados dos anos 90 não nos importávamos com músicas ou gráficos, e sim com o prazer de estar jogando. A diversão portanto era o elemento chave e até hoje, toda minha opinião é voltada para o quanto determinados aspectos ajudam ou interferem na minha vontade de jogar.

Biomutant

O maldito narrador

Só consigo começar por aqui, esse elemento desconcertante que me provoca diversas emoções negativas. Sendo um RPG, e dessa forma tendo vários diálogos, tutoriais e narrativas da história, é imprescindível que o roteiro seja apresentado de uma forma cativante, caso contrário o que acontece? Ele cansa. Esse é exatamente o problema com Biomutant, a história dele cansa.

Não que a voz do David Shaw Parker seja ruim, não é isso. O problema é que ela é a única voz do jogo, e de certa forma provoca um desequilíbrio na fluidez e no carisma dos personagens. O ritmo das falas é arrastado e nós brasileiros ainda precisamos acompanhar com as legendas em PT-BRou você fica bravo ou quer dormir. Entenda dessa forma, toda vez que seu personagem fala com alguém, escutamos um murmúrio e então vem o David servindo de intérprete com as legendas abaixo – é até uma lição pra vida, se for viajar, aprenda o idioma do local ou as coisas podem ficar tensas.

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Mas a história em si, é bacana!

Estamos num mundo aberto pós-apocalíptico, onde as tribos existentes nele estão em guerra e um mal assola a árvore da vida. Usando do Kung Fu, armas de curta e longa distância, além de habilidades mutantes, devemos unificar as tribos e enfrentar os “Devoradores” que estão destruindo as raízes da árvore e pondo a vida de todos em perigo.

A árvore fica localizada em meio ao mapa de Biomutant, e suas raízes se alongam em quatro direções diferentes. É realmente bem bonito de se ver! Contudo como já disse anteriormente, a forma que a história é contada acaba desagradando e podemos dizer que o enredo não parece ter sido desenvolvido para adultos.

Porém a possibilidade de influenciar na história dá uma balanceada na situação. Existem algumas escolhas que podem ser feitas, entre atitudes de Luz e Escuridão. Essas escolhas além de interferir em nossa aura e permitir o uso de determinadas habilidades, também modificam parcialmente o rumo da história.

Biomutant

Prepare-se para muitas fotos em Biomutant

É claro que nem só de críticas negativas Biomutant vive. Ele também tem seus pontos positivos, e o maior deles vem da ambientação – os cenários exuberantes e objetos que compõe o ambiente foram muito bem pensados. As horas dos dias vão passando, e podemos contar também com uma vasta gama de iluminação para ajudar nesse quesito. Quem curte o modo foto, vai adorar gastar um bom tempo escolhendo os melhores ângulos para tirar belos retratos.

Entretanto os gráficos desapontam, o trailer cinemático do jogo parecia nos prometer algo muito acima do esperado e então recebemos aquele baque da realidade, é… Podia ser melhor. Ainda mais quando você está testando o jogo no PlayStation 5 e não possui o 4K nativo presente no Xbox Series X. Sabemos que o jogo não foi desenvolvido para os consoles atuais, mas mesmo assim a gente queria essa atenção.

Não me entenda mal, o jogo é muito bonito, uma polida a mais e ficaria deslumbrante. O problema aqui, é que o título tem bastante potencial e poderia ter alcançado resultados melhores.

E cadê a música?

Um dos meus pontos mais fracos é a trilha sonora, eu geralmente acabo fazendo um comentário geral ou apontando um detalhe específico. Mas nunca me aconteceu de perceber a ausência dela! Pois é, senti falta de uma trilha que me contagiasse e causasse empolgação em momentos cruciais da trama.

Estava lá eu diante do chefe, aquela tensão do bicho ser alguns andares mais alto que eu e cadê a música? Onde está a batida pra tornar aquela luta animada ou aquele ritmo de suspense para respeitar o boss? Não tem. Tirando os efeitos sonoros, o restante de tudo que envolve som – a começar pelo narrador – parece não ter recebido muita atenção.

Biomutant

A jogabilidade de Biomutant

Em contrapartida, a jogabilidade é simples e contagiante, você não precisa de muita prática para pegar o jeito da coisa e entender todas as mecânicas. Os combates são fluídos, pois você pode jogar conforme seu estilo, escolhendo as armas e habilidades de sua preferência. Além de desenvolver os atributos do personagem que mais tenham a ver com você toda vez que passar de nível.

O arsenal de armas é gigantesco, e a possibilidade de encontrar várias peças para as estar modificando é muito divertido. Você pode encontrar uma arma ou criá-la e modificá-la com diversos itens que encontra pilhando por aí. Essas peças alteram não só o visual, como atributos e até mesmo os tiros – o mesmo ocorre de forma parecida com as armas de curto alcance.

Na campanha também podemos obter as armas das tribos, que possuem golpes especiais e servem tanto nas batalhas, quanto para realizar objetivos específicos. Além dos poderes psiônicos e as mutações que oferecem habilidades pro lado mais “sobrenatural”. Logo você pode ver o quanto as batalhas são ricas e a pilhagem se torna divertida por recompensar com diversos itens personalizáveis.

Biomutant

Alguém falou em personalizar?

Biomutant já começa te exigindo uma boa meia hora para decidir a raça, o estilo e a aparência de seu personagem e isso perdura durante toda a campanha. O motivo? Todo o vestuário pode ser alterado e até incrementado. Nosso pequeno “bichinho” pode alterar todo o seu vestuário e esse obviamente modifica sua capacidade de levar dano, se regenerar e tudo o mais.

Percebi que muitas pessoas não curtiram a escolha do design dos personagens, mas não vi nada de negativo nele. Lógico que queríamos uma textura a mais, com os pelinhos voando com o vento de forma realista, mas a verdade é que quando estamos jogando acabamos por imergir naquele universo e nem nos darmos conta desses detalhes.

O jogo também oferece certos veículos que vão sendo conquistados conforme o andar da campanha, para passar sobre determinados terrenos que não poderíamos anteriormente. É o caso do robô e uma espécie de jet-ski, ambos podendo ser personalizados. Biomutant também conta com diversas montarias e uma espécie de autômato que pode oferecer algum suporte mais a frente.

Biomutant: Vale a pena?

Ao ler essa análise, você pode perceber que Biomutant possui seus altos e baixos. Somando tudo ele vale sim a pena, mas talvez não agora. Os valores dos jogos estão muito altos. Pagar em torno de 300 reais por uma história curta e sem grandes destaques técnicos pode não ser um bom investimento.

Porém a Experiment 101 diz estar ouvindo as críticas de seus jogadores e em breve deve ajustar alguns detalhes para a alegria dos envolvidos. Contudo, acredito que devido ao nosso estado financeiro atual por conta da pandemia e tudo o mais, talvez esperar por uma promoção ou ao menos, mudanças tangíveis seja o melhor para você.

Biomutant ainda conta com diversas missões secundárias que aumentam sua vida útil. Ademais não encontrei nenhum bug in-game até agora. Estou indo em busca da platina e meu único medo são os relatos referentes a problemas em obtenção de troféus.

 


*Cópia de imprensa disponibilizada gratuitamente para PlayStation 4 pela THQ Nordic para a elaboração desta análise*

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