CONFIRA O CAÓTICO HUNTER GATHERER, NOVO ÁLBUM DO AVATAR

Na última sexta-feira, dia 04 e agosto de 2020, a banda sueca Avatar lançou o novo álbum Hunter Gatherer. O oitavo disco de estúdio da banda foi gravado no Estúdio Spin Road, em Lindome, Suécia. Primeiramente, a banda disponibilizou os singles “Colossus”, “God Of Sick Dreams” Silence in the Age Of Apes”.

Hunter Gatherer

Ficha técnica:
Grupo: Avatar
ÁlbumHunter Gatherer
Faixas: 10
Formação: Johannes Eckerström (vocal), Jonas Jarlsby (guitarra), Tim Ohrstrom (guitarra), Henrik Sandelin (baixo) e John Alfredsson (bateria)
Gravadora: Century Media

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CONTEXTO E SONORIDADE

Formada em 2001, em Gotenburgo, a banda sueca Avatar é conhecida por seu apelo visual e suas enérgicas e teatrais apresentações. Inicialmente, a banda apresentava um Melodic Death Metal extremamente direto. Entretanto, “The Black Waltz” (2012) marcou a mudança de sonoridade do Avatar. Dessa forma, a banda passou a incorporar elementos lúdicos e circenses em suas canções. Além disso, é possível notar influências do Metal Industrial de artistas como Marilyn Manson e Rammstein e elementos de Groove Metal e Gothic Metal.

Avatar

Em Hunter Gatherer, o grupo sueco explora o conceito de um futuro distópico e caótico oriundo das ações humanas. Recentemente, o vocalista Johannes Eckerström, em entrevista ao Loudwire, comentou acerca da temática do novo álbum:

Estou tentando transmitir certas emoções que talvez eu, como letrista, não estivesse à vontade no passado. Dizer que há algo errado por lá é diferente de virar um dedo e apontar para si mesmo.

É preciso alguma maturidade para começar a fazer isso e, talvez, revisitar lugares em que eu estava no passado e lançar uma luz mais honesta sobre isso. Está cheio daquelas coisas que nunca fiz antes, nunca fizemos antes e, portanto, é completamente diferente novamente.

SILENCE IN THE AGE OF APES

Inicialmente, o caos toma conta do disco. Dessa forma, o single “Silence In The Age Of Apes” remete a raiz Death Metal do Avatar, não dispensando os riffs marcados da dupla de guitarristas e os vocais gritados de Eckerström. Em termos líricos, a canção faz referência ao mito da criação da mitologia nórdica. Entretanto, dessa vez, as referências a cultura escandinava são aplicadas ao conceito tecnológico do disco.

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COLOSSUS

Seguindo a mesma linha, vem “Colossus” que foca no desenvolvimento de uma inteligência arificial. Dessa vez, a banda aposta nos Grooves e nos vocais sombrios e sussurrados na introdução. No entanto, logo é possível notar a versatilidade do frontman ao mesclar guturais, vocais soturnos e passagens limpas e altas em uma mesma canção. Também é preciso comentar sobre o belo trabalho da cozinha da banda e as guitarras que funcionam sem apelar para excessos. Destaca-se o belíssimo videoclipe da canção.

//www.youtube.com/watch?v=mLMCsFjawNU

A SECRET DOOR

A seguir, os assobios de Corey Taylor anunciam “A Secret Door”. A terceira canção do disco alterna entre momentos calmos e melódicos e momentos explosivos e difere das duas primeiras canções. De forma grandiosa, a canção explora a versatilidade do Avatar e aproveita a sútil participação do vocalista do Slipknot e do Stone Sour para construir uma atmosfera melódica que engrandece os momentos de correria. Por isso, logo se tornou uma das minhas canções favoritas da carreira dos suecos.

GOD OF SICK DREAMS

Mais uma vez, somos contemplados pela selvageria. De forma simples, “God Of Sick Dreams” entrega peso e um refrão marcante, seguindo a característica do Avatar.

SCREAM UNTIL YOU WAKE

A quinta faixa do disco inicia com estrondosas linhas de bateria. Nesse ponto, Johannes utiliza os vocais limpos com maestria, arriscando até mesmo algumas passagens mais agudas. As guitarras melódicas da música expressam uma clara influência de Avenged Sevenfold que pode ser notada em outros momentos ao longo do disco.

CHILD

Como já era esperado, surge a primeira música lúdica do disco. Dessa maneira, “Child” é uma típica faixa do Avatar, utilizando melodias inpiradas por fábulas, bem como, momentos pesados em que a gritaria toma conta.  Como de costume, os vocais de Eckerström roubam a cena e trazem a teatralidade pela qual a banda é conhecida. Além disso, o baixo aparece, sutilmente, fazendo um importante papel na canção.

JUSTICE

Após o ar fresco, “Justice” traz novamente os Grooves que a banda utiliza muito bem. O instrumental da canção é impecável, contando com belos solos de guitarra da dupla Jonas Jarlsby e Tim Ohrstrom. Entretanto, em alguns momentos a canção possui algumas “quebras” em sua melodia vocal que não se encaixam com precisão no restante da canção, principalmente, no refrão.

GUN

Surpreendentemente, “Gun” começa com uma melodia em piano que pouco lembra o restante da carreira da banda. Dessa forma, o Avatar constrói uma balada extremamente emotiva, algo impensável em outras fases da banda. Essa canção se relaciona com as promessas de Johannes ao Loudwire. No contexto do disco, a faixa funciona como um importante respiro. Já no contexto da carreira do Avatar, “Gun” é mais uma barreira que a banda, cujas raízes cresceram no Death Metal, quebra, permitindo-se explorar novos horizontes criativos.

WHEN ALL BUT FORCE HAS FAILED

Nunca é tarde para mais pancadaria. A penúltima faixa do álbum é frenética e caótica, retornando às influências de Industrial Metal dos suecos. O instrumental da canção é impressionante, contando com viradas de bateria e solos de guitarra rápidos e vibrantes.

WORMHOLE

Enfim, segue a pesada e arrastada “Wormhole”.  Equilibrando uma pegada soturna com o peso, a última faixa do disco sintetiza a mensagem caótica do disco, trazendo uma sensação de “capítulo final”. Dessa forma, esse é um belo  e, talvez, maléfico, encerramento para o disco.

Portanto, “Hunter Gatherer”, o oitavo disco de estúdio do Avatar, atende às expectativas e entrega um dos grandes trabalhos da carreira da banda. Com maturidade, a banda vem transitando entre diversas vertentes da música pesada sem apego aos rótulos.

A cara da banda e sua sonoridade característica estão lá. No entanto, a cada disco é possível notar que o grupo perde o medo de incorporar novas influências, mesmo de forma sútil, como ocorreu em Avatar Country (2018), no qual é possível notar pitadas da música country americana. Ainda, é importante destacar a evolução técnica dos instrumentistas da banda, assim como, do frontman Johannes Eckerström, que, naturalmente, se destaca como um vocaista extremamente versátil. Então, de forma geral, o grande mérito de Hunter Gatherer  é incorporar todas as maluquices do Avatar sem soar exagerado, prova de que a banda conhece plenamente as suas características e parece capaz de permanecer por anos no auge.

NOTA 9