Depois de alguns dias jogando o novo God of War, finalmente terminei a história e fiz tudo de possível no game. Segue nossa análise sobre os principais pontos do jogo e uma conclusão com o veredito e nota que a mais nova obra da Santa Mônica merece. Vale ressaltar que neste review inevitavelmente teremos spoilers, logo, caso ainda esteja jogando (ou tenha planos para jogá-lo), volte para ler este artigo depois.

⌈⌈   JOGABILIDADE   ⌋⌋

Esse é com certeza o aspecto que mais teve mudanças em todo o jogo, talvez até mais do que a história, que saiu da mitologia grega para a mitologia nórdica. A jogabilidade mais simplificada, com câmera fixa, utilizando os botões quadrado para golpes rápidos/fracos e triângulo para golpes lentos/fortes, deu lugar para uma jogabilidade mais bem trabalhada, utilizando os botões R1 para ataques rápidos/fracos e R2 para ataques lentos/fortes, bem ao estilo da série Souls. Também temos uma melhor utilização dos parrys, que já existiam nos jogos anteriores mas não eram tão aproveitados, e para completar temos a possibilidade de customizar os combos através das runas. Além de tudo isso, o jogador finalmente pode ter o controle da câmera (controlado pelo analógico direito). Diante todas essas mudanças era natural uma aflição por parte de alguns fãs, onde o principalmente medo era que o jogo de alguma forma “perdesse” sua identidade, mas posso afirmar com tranquilidade que isso não ocorre. Na verdade, em menos de 5 minutos de gameplay você já está completamente acostumado com a nova jogabilidade, e em algumas horas já nem vai mais lembrar como era a jogabilidade nos jogos anteriores, deixando a impressão que este novo estilo sempre esteve presente na série, mesmo sabendo que é novidade deste jogo. Uma mudança interessante se comparado com os jogos anteriores, é que neste novo jogo temos apenas duas armas disponíveis no arsenal de Kratos: O machado de Leviatã e a Lâmina do Caos. Porém, diferente do que tínhamos nos jogos anteriores, onde mesmo existindo várias armas, muitas eram bem similares, neste novo jogo temos duas armas completamente diferentes, com jogabilidade diferente e , principalmente, para usos diferentes. De fato não tenho qualquer tipo de reclamação ou sugestão no que diz respeito a jogabilidade, assim como Assassin’s Creed Origins, o novo God of War acertou muito nas mudanças propostas e conseguiu dá uma cara nova a série, agrando tantos os fãs mais antigos, que conheceram a série ainda no PS2, quanto os fãs mais novos.

⌈⌈   VISUAL / GRÁFICOS   ⌋⌋

Lindo, sem mais. Podia parar aqui, porque realmente seria uma definição objetiva e bem correta sobre o visual do jogo, mas vou explicar os motivos pelo qual o jogo é tão agradável ao olhos. Primeiro, as cores e a iluminação do jogo e todos os ambientes existente são deslumbrantes. Cada reino que visitamos tem seu visual bem definido, suas cores, seus ambientes, enfim, realmente nos passa a sensação de que estamos visitando um local completamente novo. Mas não é apenas no ambiente que temos toda essa preocupação com os detalhes, tanto em Kratos, quanto em Atreus podemos notar as diferenças em cada nova peça de armadura, ou mesmo nos upgrades que fazemos nas armas, ou mesmo no tipo de runa que equipamos no machado de Leviatã ou na Lâmina do Caos. Fora isso, pequenos recursos disponíveis no jogo deixam o visual ainda mais bonito, como por exemplo: a HUD do jogo só fica visível quando você está em combate ou quando você interage com suas armas, ou seja, enquanto você está explorando o cenário a tela praticamente não mostra qualquer tipo de informação desnecessária (ou “poluição” visual). Para finalizar, o jogo ainda disponibiliza um modo imersivo onde o jogador pode configurar quais elementos devem aparecer em tela, sendo possível retirar praticamente qualquer informação que você julgue desnecessária.

⌈⌈   HISTÓRIA / ENREDO   ⌋⌋

Então, nem tudo é perfeito né. Infelizmente uma palavra define bem meu sentimento no que diz respeito ao enrendo deste novo jogo, decepção. Ah, então significa que a história do jogo é um lixo? Calma jovem, também não é pra tanto. Acredito que o principal problema foi que criei muita expectativa, como o jogo estava mostrando diversos elementos de um RPG de ação, meio que acreditei que a história, ponto que nunca foi muito bem trabalhado nos jogos anteriores, receberia um destaque maior, mas não foi bem isso que aconteceu. Primeiro que ficaram muitas dúvidas “no ar”, achei bem arriscado a decisão de não explicar como ocorreu a transição entre o final de God of War 3 (com o Kratos praticamente morto) e o início deste novo jogo (com o Kratos aparentemente bem, com um filho e em uma localidade/mitologia completamente diferente). Então se você, assim como eu, estava esperando respostas para perguntas como: Quem/O que levou Kratos para Midgard? Como Kratos sobreviveu? Quanto tempo se passou entre o final de God of War 3 e o início do novo God of War? prepare-se pois nenhuma dessas perguntas é respondida, broxante não? Além disso, um ponto que acho de extrema importância é entender a motivação dos personagens, ou seja, saber o motivo de suas decisões, qual seu objetivo, o que ele espera alcançar fazendo o que está fazendo. Neste aspecto os jogos anteriores, mesmo com uma história bem simples, não deixam a desejar, uma vez que vemos a traição que Kratos sofre por parte de Ares e que sua motivação é vingar-se do, até então, Deus da guerra. Quando você pensa que o cara foi enganado e, por isso, acabou matando a esposa e filha, sua irá e sede de vingança já estão mais do que justificados. Pois então, neste novo jogo achei a motivação bem superficial, a comparação com a motivação do protagonista de Far Cry 4 acaba sendo inevitável. É isso mesmo, lembra que em Far Cry 4 tudo começa com o protagonista indo cumprir o último desejo da falecida mãe? Pois é praticamente essa toda a motivação por trás das ações de Kratos e Atreus, eles fazem tudo aquilo somente para cumprir o desejo final da mãe de Atreus (que diga-se de passagem quase não foi abordada neste jogo), que é jogar a suas cinzas (mãe de Atreus) do pico mais alto dos Noves Reinos, resumidamente é isso. Não que essa motivação seja supérflua ou algo do tipo, mas para que você se “conecte” melhor com essa justificativa, acredito que seria necessário entender o quão forte era a relação dela com Kratos e Atreus, mas como já adiantei, ela quase não é abordada no enredo deste jogo. Ou seja, o jogador acaba tendo que supor que esta relação era muito forte.  A sensação que tive foi que a Santa Mônica quis economizar muito nas explicações, talvez para aproveitar mais nos próximos jogos da série ou mesmo para lançar alguma DLC para este novo jogo. De todo modo, se você esperar apenas uma introdução à mitologia nórdica, com um enredo focado em como ficou a relação entre Kratos e Atreus após a morte da figura que seria o “pilar” daquela família, então posso dizer que neste ponto o objetivo foi atendido.

⌈⌈   CONCLUSÃO & NOTA   ⌋⌋

No geral podemos definir este novo God of War como um jogo ousado, que conseguiu implementar tantas mudanças em uma série de sucesso que seguia sempre a mesma “receita”, a Santa Mônica foi contra o ditado “Não se mexe em time que está ganhando” e provou que é capaz de melhorar ainda mais sua obra, colocando seu novo jogo entre os principais exclusivos de PS4 desta geração, junto com nomes de peso como: Bloodborne, Uncharted 4, Horizon Zero Dawn. Sem dúvidas uma obra-prima que merece ser jogado por todos os donos do console da Sony. Vale ressaltar que além de todas as melhorias/mudanças já citadas, o novo God of War é, de longe, o maior jogo da série, sendo o único com mundo aberto (isso mesmo, com mapa e tudo mais, algo bem diferente quanto falamos de God of War) e diversas side-quests. Então, o jogo merece uma nota 10? Infelizmente não, como já mostrado, o enrendo do jogo ficou aquém de outros aspectos, que foram visivelmente tratado com mais primor.

Nota: 9,0