Heart Healer é um projeto que apareceu com a intenção de criar a primeira ópera do metal apenas com cantoras femininas. Com Magnus Karlsson na composição e produção, o álbum autointitulado “Heart Healer” foi lançado em 12 de março de 2021 pela Frontiers Records.

Álbum: The Metal Opera by Magnus Karlsson por Heart Healer
Ficha Técnica
Artista: Magnus Karlsson
Álbum: Heart Healer
Faixas: 10
Formação: Adrienne Cowan, Ailyn Gimenez, Youmna Jreissati, Netta Laurenne, Noora Louhimo, Margarita Monet, Anette Olzon (Vocalistas); Magnus Karlsson (guitarras, baixo, teclados), Anders Köllerfors (bateria), Daniel Tengberg (violoncelo) e Erika Sävström Engman (violino).
Gravadora: Frontiers Records
Ano: 2021

 


Introdução


“Meu interesse pela música orquestral tem crescido cada vez mais ao longo dos anos. Eu queria misturar o som orquestral épico e dramático com metal e produzir algo sem limites e regras. No final de 2019, comecei a trabalhar em ideias e tentei novos sons e arranjos com o objetivo de criar algo dramático, épico e bonito. Este é facilmente o meu maior e mais exigente trabalho de todos os tempos. Primeiro a música com grandes arranjos e orquestra. Depois, todos os cantores e a necessidade de encontrar as peças certas para todos a fim de torná-lo o melhor possível. Por fim, misturando tudo em uma história interessante sobre o ‘curador do coração’. Devo dizer que, se eu não trabalhasse com pessoas tão boas e profissionais, seria impossível fazer isso acontecer! ”

O compositor, multi-instrumentista e produtor sueco de heavy metal Magnus Karlsson, de 47 anos, ousa em um novo projeto inédito: a criação de um estilo de “ópera” somente com cantoras femininas com o metal e o épico – Heart Healer.

Magnus Karlsson Heart Healer

Como num musical sinfônico, o enredo do álbum segue a personagem-título (interpretada por Cowan). Inicia com ela despertando sem memória e com a capacidade de curar pessoas com o toque de suas próprias mãos; embora isso aconteça ao custo gradual de suas próprias forças. Conforme a história avança, ela encontra pessoas que desejam ajudá-la, bem como, usar seus poderes e até caçá-la.


Produção


Na composição e produção, inclusive dando nome ao álbum, está Magnus Karlsson. As cantoras convidadas são: Adrienne Cowan (Seven Spires, Sascha Paeth’s Masters of Ceremony, Avantasia), Netta Laurenne (Smackbound, Laurenne/Louhimo), Youmna Jreissati (Ostura), Ailyn (Her Chariot Awaits, ex-Sirenia), Noora Louhimo (Battle Beast), Margarita Monet (Edge of Paradise) e Anette Olzon (The Dark Element, ex-Nightwish).

Heart Healer – The Metal Opera by Magnus Karlsson

Na banda, estão o próprio Magnus Karlsson tocando guitarra, baixo e teclados; Erika Sävström Engman no violino; Daniel Tengberg no violoncelo e Anders Köllerfors na bateria.

Por fim, Heart Healer: The Metal Opera by Magnus Karlsson foi lançado em 12 de março de 2021 pela Frontiers Records.

Ademais, houve lançamento em CD, vinil colorido e formatos digitais. Além disso, para promoção, em 25 de janeiro de 2021, o vídeo de “Into the Unknown” foi lançado.


Heart Healer: Faixa por Faixa


Awake

Com Adrienne Cowan, o álbum é introduzido com uma “fantasia sombria”: perda de memória e um novo despertar sobrenatural. Instrumentalização e coro acompanham a “fantasia” da obra, como uma trilha sonora, nos momentos iniciais. Violinos e outros do estilo clássico, são abafados pelas guitarras após 1 minuto. A voz suave e potente de Adrienne complementa o enredo, num contexto semelhante ao glam metal e classical crossover. Ademais, além da prolongada introdução, há trechos ao longo da música que possuem muito tempo de instrumentalização, sem voz, com forte presença de sintetizadores e guitarras.

Come out of the Shadows

O trio Youmna Jreissati, Netta Laurenne e Margaritta Monet comandam a segunda faixa. Como continuação da anterior, a introdução da música segue o modo clássico, alternando com riffs de guitarras. Os momentos dos solos femininos são mais suaves, com as teclas e percussão dando acompanhamentos. Em suma, seguindo o enredo de “fantasia”, as solistas “testemunham” a criatura sobrenatural e enigmática, incentivando-a a “sair das sombras”, bem como, “se mostrar”.

Who Can Stand All Alone

Mais suave, num estilo “folk”, a canção introduz com teclas e instrumentos de sopro. Logo, os riffs de guitarra abafam qualquer outro e dão um ritmo mais eletrizante a canção. Anette Olzon e Adrienne Cowan são as “principais” desta e arrasam no dueto com suas power vozes. Destaque para o coro, em que há mais exigência dos alcances vocais, alternando em notas muito agudas de peito e graves bem dramáticos. Adrienne, a principal, tenta desestimular as “testemunhas”, representada por Olzon aqui, que a chama para a confiança e a saída da solidão.

Back to Life

A percussão marca compassadamente a introdução da canção, quase que ao ritmo cardíaco. De um modo mais sombrio, há samplers de frases marcantes para a “história”, desta vez com Cowan (principal), Monet e Ailyn Gimenez. Nesta, há clamor por ajuda, tanto da personagem principal, quanto das “testemunhas” que pedem por um milagre a fim de salvar a vida da amiga “não-humana”. Destaque para o coro, num glam metal, com elementos bem cadenciados.

Into the Unknown

Minha faixa favorita! A primeira canção que ouvi, bem como, uma das primeiras a serem divulgadas; “Into the Unknown” segue o “drama” num estilo “soturno-fantástico”; com coro de fundo, teclas, percussão e riffs potentes de guitarra. Desta vez, Noora Louhimo comanda com sua voz super potente, com melismas e beltings para dar e vender. Em suma, acompanhando o enredo, Louhimo adere ao “sobrenatural” chamando à compreensão, ao afeto e ao “voo para o desconhecido”.

When the Fire Burns Out

Esta segue também num estilo “folk”, teclas, sintetizadores e flautas, logo tomada pelas guitarras. Como numa extensa “trilha sonora”, a impressão que temos é que estamos ouvindo a mesma faixa. A canção é comandada por Laurenne, Jreissati e Gimenez que dão mais ritmo, suavidade, bem como, um toque de pop no metal sinfônico. Nesta, as “testemunhas” mostram compreensão para o afastamento da “criatura mágica”, incentivando-a ao uso dos poderes e a fazer a sua própria história.

Evil’s Around the Corner

Neste, o uso de violinos se torna mais perceptível, assim como sintetizadores “clássicos” e as teclas. As guitarras entram junto com a solista que, desta vez, é a Louhimo junto com a Cowan. Só podemos esperar coisa boa, né? O estribilho muda bem o contexto de todo o restante da canção, dando mais ritmo, em meio a estrofes dramáticas, soturnas, ao estilo grunge. É uma música um pouco mais “nervosa”, envolta num glam metal, com muitos tons agudos. “Louhime” parece interpretar uma espécie de guia para a “Cowan”; alguém que tenta super protegê-la.

Mesmerized

Coro de fundo, cordas sinfônicas e guitarras dramáticas tomam conta nesta obra-prima de faixa. Olzon comanda a canção, com sua voz muito bem impostada, numa música nada suave, mas sem grandes agudos (ainda que haja várias presença de beltings e frases prolongadas). Ao final, a canção se torna mais suave, com coro de fundo e um leve acompanhamento instrumental. Ademais, diferentemente das outras letras, nesta “Olzon” pede para que não confiem na “bruxa” que tenta hipnotizar os que estão em volta.

Weaker

Seguindo um “folk-clássico”, com instrumentos de sopro e sintetizadores de fundo, a canção logo acelera com as guitarras; mas desta vez sem sobrepor o restante da instrumentalização. Cowan inicia a canção de forma lenta e suave, permanecendo assim nas estrofes. Entretanto, o coro se torna mais agressivo com a voz, bem como, com a instrumentalização; algo bem “despertador”. Num grande drama, “Cowan” se vê “mais fraca”, presa e sem saída, clamando por alguém para salvá-la.

This is Not the End

A bela canção parece iniciar num estilo pop clássico “a la Disney”, com direito a coro de fundo e todos os instrumentos que se possa ter de direito. No entanto, as guitarras logo tomam o destaque, assim como as potentes e “nervosas” vozes das convidadas para “encerrar” esta história: Cowan, Gimenez, Jreissati, Laurenne, Louhimo, Monet e Olzon. O pré-estribilho é bem diferente do restante da canção, dando um toque mais pop e compassado, enquanto estrofes e coros se revezam em um “power e groove metal”. Além disso, há solos dramáticos de guitarra também. No mais, a letra estimula a “revelação”, sem temer mais nada, com ênfase no “isto não é o fim” – faixa irônica com o final do álbum.


Heart Healer: Considerações Finais


As letras de todas as músicas formam uma única história. No geral, há pouca letra, muitas repetições de coro e muitos solos intrumentais, bem como, riffs.

Álbum Heart Healer em vinil

Eu confesso que esperava mais faixas e mais letras, pois a impressão que tive foi de acompanhar uma “história incompleta”. Claro que esse foi apenas o primeiro projeto. A ideia, ao que tudo indica, é fazer outros no mesmo sentido… Se com o mesmo enredo, não sei, mas eu gostaria de saber o que aconteceu após o “isto não é o fim”.

Contudo, “Heart Healer” se trata de um projeto muito bem feito, bem orquestrado, entrosado, com convidados fantásticos. Karlsson é realmente um grande músico, com criatividade e profundidade o suficiente para ser o George R. R. Martin da produção musical. Concorda comigo?

Enfim, ouça o álbum:



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