Anette Olzon lançou seu segundo álbum solo, menos intimista e mais potente. Confira nossa review de “Strong”.

Capa Strong Anette Olzon
Ficha Técnica
Artista: Anette Olzon
Álbum: Strong
Faixas: 11
Formação: Anette Olzon – Vocais, Magnus Karlsson – Guitarras e Baixo, Anders Köllerfors – Bateria, Johan Husgafvel – Vocal gutural
Gravadora: Frontiers Records
Ano: 2021

 

Álbum Strong


Introdução


A atual vocalista do The Dark Element (e ex-Nightwish) Anette Olzon está com seu novo álbum solo: “Strong” via Frontiers Music Srl; lançado em 10 de setembro de 2021.
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Este será o segundo álbum solo de Anette, após Shine” de 2014. Além disso, o novo projeto oferece uma oferta musical mais pesada e rápida em comparação com o debut; com inspiração em bandas como por exemplo: Dimmu Borgir e In Flames. Aliás, mais importante, “Strong” reivindica a merecida posição de Anette como uma das melhores vocalistas de metal do mundo.
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Em suma, “Strong” é um álbum que domina as fronteiras entre o peso e o anzol, ao mesmo tempo que mostra uma artista que não descansa sobre os louros; entretanto, segue corajosamente para o futuro.

Anette Olzon 2


Produção


As músicas foram escritas, compostas e produzidas em conjunto com o aclamado guitarrista, bem como, produtor sueco Magnus Karlsson. Juntos, Anette e Magnus conseguiram criar uma coleção notável de canções que mostram o enorme alcance vocal de Anette; ao lado dos riffs incendiários de Karlsson. Ademais, as canções são pesadas, mas ainda bastante melódicas e contemporâneas em sua abordagem ao estilo do gênero. Além disso, “Strong” foi mixado por Jacob Hansen (Pretty Maids, Volbeat, The Dark Element, etc.).

Em síntese, encorajada por seu marido Johan Husgafvel (que toca baixo e canta guturais no álbum), ela escreveu letras expressando suas opiniões sobre questões como líderes perversos e chefes abusivos, diferindo do álbum anterior, que era mais introspectivo.

O primeiro single do álbum, “Parasite”, foi lançado em 21 de junho de 2021 (aliás, data do aniversário de 50 anos de Anette), juntamente com o anúncio do álbum. O segundo single, “Sick of You”, foi lançado em 19 de julho. E o terceiro, “Fantastic Faatic”, em 20 de agosto. A faixa-título foi transmitida no dia do lançamento do álbum.

Por fim, nenhuma turnê está planejada para o álbum devido às restrições do Covid-19 e conflitos de agenda com os músicos envolvidos. Todavia, Anette enaltece a vontade de começar a criar seu próximo álbum o mais rápido possível.


Strong: Faixa por Faixa


“Bye Bye Bye” (Tchau Tchau Tchau)

Escrita como uma despedida final para sua ex-banda “Nightwish”, a canção tem um prólogo prolongado (soou cacofônico?), com sintetizadores e guitarras. Anette introduz com sua potente voz grave e agressiva. Não há muito destaque para vozes de fundo, que não suas próprias e poucas marcações pontuais. Há elementos do glam metal e groove, com alguns sons guturais.

“Sick of You” (Cansada de Você)

Abordando relacionamentos abusivos, a canção começa com os sons abafados de Olzon no vocal. As guitarras são mais presentes na introdução, embora muito mais presentes nos estribilhos, com leves momentos de quase total ausência instrumental em determinados momentos das estrofes. Os riffs são bem potentes nesta canção também, com vários solos de guitarras. Anette imposta um pouco mais a voz, mas sem deixar sua voz grave e marcante. O power metal se destaca, com momentos guturais mais pontuais.

“I Need to Say” (Eu Preciso Dizer)

Falando sobre pais que tiveram relacionamentos problemáticos com seus filhos e que desejam poder se reconciliar com eles conforme se deparam com a morte iminente; a canção começa num tom suave, embora soturno, dando a ideia de coros espirituais/angelicais. Logo, as guitarras voltam de forma bem cadenciada, com Olzon jamais sendo sobrepujada por elas. O estribilho, com frases e palavras prolongadas, é marcante. A segunda metade da canção ganha mais potência, com a introdução da voz gutural de Johan Husgafvel. Lembra um pouco o estilo grunge e o glam metal.

“Strong” (Forte)

A faixa-título destaca a maturidade da própria “anfitriã”. A percussão dita bastante toda a canção, começando com batidas “aprofundadas” como ao compasso cardíaco, bem como, sintetizadores e shreds. Nesta ainda se destaca bem outras vozes acompanhando Olzon, principalmente nos estribilhos com palavras e frases bem pontuadas e prolongadas. Nas estrofes principais, Anette parece estar conversando de frente com um interlocutor. A música segue no hard rock, com thrash metal. É a primeira faixa que não apresenta voz gutural; mas a palavra “strong” é bem pontuada, como se estivesse sendo martelada. “Strong” foi inspirada pela pandemia de Covid-19 e seus efeitos.

“Parasite” (Parasita)

Diferentemente do anterior, a faixa já marca bem a voz gutural de Johan, com Olzon, logo em seguida, com sua voz “dramática” e grave acompanhada de outras vozes. A canção parece estar sendo interpretada, boa parte, no jogo de introdução no thrash metal. O jogo de vozes na parte final da canção mostra um pouco mais da extensão vocal de Olzon. A canção chama para o combate dos males, muito provavelmente, ainda destacando a pandemia da Covid-19.

“Sad Lullaby” (Canção de Ninar Triste)

Acompanhando o estilo “vozes do além” (como no “I Need to Say”), a canção soa até romântica e “fantástica”, com instrumentos de cordas e vozes de fundo dando uma ideia de música “sombria clássica”, com tons do rock psicodélico e progressivo. É minha favorita! A canção foi escrita como uma homenagem ao pai de Olzon, que morreu de complicações do Covid-19 em abril de 2020.

“Fantastic Fanatic” (Fanático Fantástico)

A canção que critica influenciadores digitais que defendem iniciativas sustentáveis enquanto fazem uso de serviços poluentes, como viagens de avião; trata-se de uma obra mais agressiva que a anterior, embora os sintetizadores ainda estejam presentes. Entretanto, as guitarras voltam a ter destaque, com o glam metal preponderando novamente. A cadência instrumental e de vozes nos estribilhos são marcantes. Aliás, como muito presente nas faixas anteriores, os coros da canção possuem palavras e frases mais prolongadas, enquanto o instrumental é mais acelerado.

“Who Can Save Them” (Quem Pode Salvá-los)

No mesmo estilo da anterior em agressividade, as guitarras tomam conta, entrosando bem com a voz potente de Anette. Aliás, os riffs de guitarra são bem destacados, alterando com alguns momentos de quase total ausência de instrumental nos estribilhos; acelerando na emoção. O thrash e glam metal estão presentes; com a voz gutural de Johan marcando presença novamente. A letra, ainda em crítica social, é bem abrangente quanto aos problemas no mundo.

“Catcher of My Dreams” (Apanhador dos Meus Sonhos)

Acredito ser a faixa em que Anette destaca mais sua potência vocal, com um belting incrível feito logo na introdução (e, depois, no encerramento) dessa power metal; com riffs potentes de guitarra. Mais uma vez, os estribilhos parecem “menos nervosos”, com menos palavras, mais pontuações e, sendo assim, mais eloquentes. Ainda que o ritmo vocal seja menor, o instrumental aumenta e acelera. A canção também apresenta um solo de guitarra no terço final bem marcante. Ademais, a faixa discute as experiências de Olzon com terrores noturnos.

Anette Olzon 3

“Hear Them Roar” (Ouvi-los Rugir)

Diferente das anteriores, essa canção se introduz com teclas e sintetizadores. Logo, as guitarras voltam ao protagonismo, com Olzon acompanhando bem a canção e o ritmo proposto. O shred, nesse thrash e glam metal, é muito marcante, principalmente nos estribilhos. A voz gutural de Johan marca presença novamente, como na maioria das faixas, em uma ponte específica no terço final da canção. Ademais, a letra destaca um término de relacionamento regado a amor-próprio e autovalorização.

“Roll the Dice” (Rolar o Dado)

A percussão é predominante novamente, junto com sintetizadores. O ritmo é eletrizante nesse power metal, com momentos do rock progressivo. Embora as guitarras sejam marcantes, Anette canta como se estivesse “desabafando” para alguém, contando algo triste ou similar. Isto é, mantendo seu nível médio de voz, ainda que bem impostada, com leves ondulações ao longo da canção.

Anette Olzon 1


Considerações Finais


Apesar das canções “Bye Bye Bye” e “Sad Lullaby”, o álbum não é tão pessoal quanto Shine. Anette Olzon carregou nas letras e pesou mais no instrumental para cultivar, gerar, fazer nascer e crescer esta obra de arte.

No geral, gostei bastante de todo o contexto, ainda que originalidade não seja o forte de “Strong” (desculpem pelo trocadilho infame). Acredito que o forte de “Strong” seja o impecável trabalho de produção de Magnus Karlsson; ainda que pudesse ter destacado mais a potência vocal de Olzon a qual, tenho certeza, é bem maior do que a apresentada aqui (já ouviram o cover dela de “Bring me to Life” do Evanescence?).

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Enfim, ouça o álbum e perceba tudo por si: