SATANISMO, IRREVERÊNCIA E QUEBRA DE EXPECTATIVA

O lançamento do álbum Opus Eponymous (2010) marcou a estreia do Ghost. Logo, a irreverência e a estranheza do trabalho transformaram-no em um dos clássicos da década.

OPUS EPONYMOUS

Ficha Técnica: 

Grupo: Ghost

Álbum: Opus Eponymous

Faixas: 09

Formação: Papa Emeritus (Tobias Forge) – vocal, Nameless Ghoul – guitarra solo, Nameless Ghoul – guitarra rítmica, Nameless Ghoul – teclado, Nameless Ghoul – baixo, Nameless Ghoul – bateria

Gravadora: Rise Above Records

Ano: 2010

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CONTEXTO E SONORIDADE

Primeiramente, quebra de expectativa. Não nego que, quando conheci a banda, através da apresentação no Rock In Rio 2013, fiquei decepcionado. Embora, a banda já possuísse grande hype no exterior, eu tive uma quebra de expectativa gigante ao ver uma banda sueca, com vestes sinistras e macabras que remetiam ao Black Metal, mas com uma sonoridade que em nada se assemelhava ao extremo.

Rock In Rio 2013

Entretanto, ao analisar de forma atenta, é possível perceber que a banda brinca constantemente com a quebra de expectativa. Desde, o conceito de uma igreja satanica (muito parecida com a católica), até a mistura cirúrgica de Heavy Metal com Pop, o Ghost não se envergonha de ser uma grande sátira e demonstra isso em Opus Eponymous.

Papa Emeritus - Nameless Ghouls

Assim, é importante destacar que a inovação do Ghost não se restringe à estética. A banda é fortemente influenciada pelos riffs sombrios e arrastados do Black Sabbath e do Hard Rock dos anos 70. Surpreendentemente, também é possível notar a inspiração no ABBA com seu Pop Rock/Disco. Outro ponto característico da banda é o vocal limpo e suave do Papa Emeritus que, aliado aos teclados, dão às canções um aspecto de oração. O impressionante é que tudo isso funciona de maneira muito fluida. Não obstante, as canções da banda remetem à atmosfera do cinema de terror e isso fica evidente na capa de Opus Eponymous, que faz referência ao clássico “Salem’s Lot” de 1979.

Salem's Lot

DEUS CULPA

Primeiramente, a introdução instrumental tocada em órgão traz toda a atmosfera de “missa” e já gera expectativa para o restante do álbum.

CON CLAVI CON DIO

O riff inicial e a linha de baixo ao estilo Black Sabbath são o destaque da música. Logo, a canção cresce com a entrada do teclado e da bateria. Ao longo da canção, vocais em coro, fazendo alusão aos cantos gregorianos, se misturam à sombria interpretação do Papa Emeritus.

Lucifer
We are here
For your praise
Evil one

RITUAL

Após, Ritual inicia com um tom menos sombrio e arrastado e mais direto. Entretanto, nos refrões e solos, mais uma vez, é possível notar as influência setentistas da banda sueca, alternando entre melodias dançantes e pesadas. Aliás, o refrão é bastante cativante.

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ELIZABETH

A terceira canção inicia com peso em seus riffs. Porém, o ritmo diminui com o refrão suave e melódico. Por sinal, a canção trata sobre Elizabeth Bathory, a condessa húngara, conhecida por seus crimes e por sua obsessão pela juventude eterna. Inclusive, a história da “Condessa Sangrenta” foi grande inspiração para o livro Dracula de Bram Stoker. Dessa maneira, a canção cresce gradativamente e a tensão acompanha os 4 minutos de duração.

STAND BY HIM

A quinta faixa do disco apresenta andamentos mais progressivos e flerta com a psicodelia. Assim, a canção que fala sobre bruxas e cultos (novamente) é um prato cheio para quem é fã do Rock setentista e fecha a primeira metade disco com propriedade.

SATAN PRAYER

Novamente, as guitarras surgem como ponto alto, ao lado do baixo poderoso. A interpretação sussurrante do Papa Emeritus dá um charme ainda maior à canção. Surpreendentemente, o vocalista demonstra a sua capacidade vocal arriscando notas difíceis.

DEATH KNELL

A bateria marcada anuncia “Death Knell”. Dessa vez, as guitarras aparecem de forma mais contida. Enquanto isso, a maior parte da canção é levada pelo baixo e pela bateria. Possivelmente, a canção menos empolgante do álbum.

PRIME MOVER

Com o início estridente, Prime Mover apresenta uma grande variedade de riffs. Novamente, a banda flerta com o Rock Progressivo. O destaque da canção é justamente a imprevisibilidade e a alternância de ritmos. Dessa forma, a música destoa positivamente do restante do disco e encaminha tudo para um final grandioso.

GENESIS

A faixa instrumental é uma grata surpresa para o encerramento de Opus Eponymous. Dessa vez, a banda esbanja técnica e funciona com a grandiosidade de uma trilha sonora cinematográfica. As guitarras dão um show a parte. Já o teclado, dá um tom de alarmismo que contribui para o crescimento da canção. “Genesis” passa uma sensação de dever cumprido após uma jornada.

 

Portanto, Opus Eponymous é um excelente disco de estreia e já figura como um clássico recente. Com excessão da faixa “Death Knell”, o disco apresenta um nível de produção, perfeccionismo e criatividade impressionantes. Então, o Ghost acerta em cheio com a proposta de homenagear clássicos do cinema e do Rock N’ Roll e, ao mesmo tempo, apresentar um conceito inovador. Não apenas, a ideia de incorporar elementos do Pop tornou a sonoridade da banda acessível para um novo público e quebrou esteriótipos. Mais do que um ótimo disco, Opus Eponymous é ar fresco ao Heavy Metal mainstream. Ou melhor, um sopro gélido, sombrio e demoníaco.

NOTA 9