NAVIGHATOR - FOTO - CARLOS-GANDOLFE

REVIEW | Álbum: Navighator – Navighator

POWER METAL BRASILEIRO E O PODER DO OCEANO

Inspirado no universo náutico, a banda Navighator lançou o seu álbum homônimo no início do ano de 2020. Dessa forma, influenciada por clássicos do Metal Melódico, o grupo demonstra grande potencial.

NAVIGHATOR

Ficha Técnica: 

Grupo: Navighator

Álbum: Navighator

Faixas: 10

Formação: Matheus Miniguini(Vocais), Marcos Medina(Teclados), Kenji Yamazaki (Baixo) e Tiago Schian(Guitarra)

Ano: 2020

INÍCIO DO PROJETO E SONORIDADE

Inicialmente, o projeto idealizado por Marcos Medina surgiu com o intuito de expressar nuances da natureza humana através de metáforas a respeito do oceano, conforme explica o tecladista:

Tratamos de temas incômodos mascarados por uma cortina de metáforas. Boa parte das letras foi escrita com base em histórias reais e/ou vivências pessoais.

Visivelmente, a banda possui influências em clássicos do Power Metal, do Symphonic Metal e do Heavy Metal Clássico. Assim, é fácil associar alguns aspectos da sonoridade e da temática com clássicos dessas vertentes, como o Iron Maiden, com Rime Of The Ancient Mariner e Ghost Of The Navighator;Angra, com o disco Holy Land. Além disso, é possível notar algumas pitadinhas de Nightwish com o enorme destaque dos teclados. Sobretudo, a ambientação marítima e a variedade de instrumentos e camadas sonoras chamam atenção.

Navighator formação

WAVES

De início, sons de ondas já ditam a ambientação do disco. Um suave vocal feminino emula cantos de sereias. A introdução culmina em um poderoso riff. Enquanto isso, Matheus Miniguini demonstra sua capacidade vocal utilizando belos drives e explorando notas altas. Inclusive, a passagem final da canção é emocionante. Sem dúvidas, trata-se de uma grande canção de abertura.

I lost my innocence
And I lost my faith
Growing up! Growing up before time
Reflecting broken smiles.

BLACK FLAG

A segunda canção tem uma introdução que lembra “Moonchild” do Iron Maiden. Como esperado, a canção explode em um Power Metal poderoso. Evidentemente, essa é uma daquelas canções para erguer o punho e cantar “WE RAISE THE BLACK FLAG” em coro. Dessa vez, o destaque fica para o teclado que dita toda a empolgação da faixa e para o refrão cativante.

LIVING IN A DREAM

Então, uma introdução em teclado anuncia a chegada de “Living In a Dream”. Agora, Kath Macedo assume os vocais principais em uma canção que remete ao Symphonic Metal.

GHOST TOWN

Logo, somos apresentados ao primeiro single do disco. Talvez, a melhor canção do trabalho. Grandiosamente, “Ghost Town” é edificante em suas orquestrações. A participação de Paulo Ricarde, formando um dueto com Matheus, torna a canção épica. Não apenas, é necessário destacar o belo solo de guitarra, que faz jus ao poder da canção. Acima de tudo, preciso elogiar a produção impecável do videoclipe, que alcançou o nível de bandas internacionais.

 

PRIDE

A quinta canção do disco é rápida e direta. Assim como, bandas clássicas como o Rhapsody e o Avantasia costumam fazer, “Pride” não economiza no tom épico do refrão: é Power Metal em sua essência.

FREEDOM

Em seguida, “Freedom” diminui o ritmo e aborda um lado mais emotivo do disco. A balada cativa com seu belo refrão e toda a ambientação que deixa o ouvinte imerso em uma noite estrelada. Ainda, os detalhes das orquestrações demonstram a delicadeza e capricho da banda na composição desse disco. E, claro, o solo de guitarra é belíssimo.

TIME TO BREAK FREE

A introdução épica já anuncia “Time To Break Free”. Menção  para o baixo e a bateria, que trazem o peso necessário para a canção. Sem dúvidas, o que torna a canção tão empolgante é a melodia vocal, que, de alguma forma, tem sutis influências de Shaman.

WINTER MORNING

Primeiramente, o segundo single do disco chega em tom lúdico com o destacado teclado de Medina. Por certo, essa é uma balada grandiosa e empolgante, com aquela cara de “Disney” que todo fã de Power Metal aprecia. Vale a pena conferir o lyric video feito para a canção.

WHEN SHE’S GONE

Por outro lado, “When She’s Gone” tem um tom mais introspectivo. Inicialmente, confesso que não estava empolgado com a ideia de outra balada em sequência. Entretanto, quando Nathalie Magiési chegou com o seu canto lírico e as orquestras ganharam vida, a faixa me ganhou por completo. Aliás, a musicista formada em canto popular é responsável pela composição da faixa, escrita em sua infância como uma homenagem a sua falecida mãe.

THE NAVIGHATOR’S CALL

Por fim, a misteriosa “The Navighator’s Call” soa como uma trilha sonora de um filme de aventura. Quando o peso chega à canção, Matheus explora os drives com impressionante domínio. Como uma constante no álbum, é necessário elogiar o ótimo refrão da canção. Épica e grandiosa, a extensa faixa é uma grande homenagem aos clássicos supracitados do Iron Maiden. Dessa forma, é um ótimo encerramento para o disco.

 

Enfim, o Navighator apresenta um preciso e maduro disco de estreia. Sem exagero, a banda de Sorocaba/SP se coloca, não apenas como uma grande promessa, mas como um dos grandes nomes do nosso Metal. Os principais destaques do álbum acabam sendo os teclados do líder Marcos Medina, os vocais de Matheus Miniguini e a refinada produção, capaz de explorar o uso dos recursos sinfônicos para construir excelentes ambientações e garantir a coesão do álbum. Portanto, tendo em vista o alto nível técnico dos músicos envolvidos, a expectativa é de que a banda arrisque ainda mais nos próximos discos e navegue pelo mundo inteiro representando o Metal brasileiro.

NOTA 8

Peralta João Pedro
Estudante e estagiário de Direito, 20 anos, gremista e fã de Heavy Metal.