REVIEW | Álbum: Map Of The Soul: 7 (BTS)

BTS está de volta com o álbum “Map Of The Soul: 7”

Ninguém pode negar que o comeback do BTS, atualmente um dos maiores nomes da música coreana, foi o mais aguardado de 2020. A espera foi grande, pois, o retorno marcado para acontecer no ano passado acabou sendo adiado. Mas valeu a pena!

No dia 21/02, última sexta-feira, eles retornaram com “Map Of The Soul: 7”, e, segundo as críticas, entregaram aos fãs o melhor álbum desde a estreia em 2013.

 

“MOTS:7” – o equilíbrio entre a união e a individualidade

Apesar de parecer a sequência do álbum anterior, “Map Of The Soul: Persona”, trata-se na verdade de um repackage. Além das 14 músicas novas, foram relançadas as músicas do Persona. O conceito também se mostra diferente, sendo mais tenso e primitivo que o antecessor, e uma clara exteriorização do auto referencial de cada um dos sete membros.

“Ano passado depois das férias o nosso comeback foi adiado então decidimos combinar Shadow e Ego em um álbum. Shadow são os nossos machucados e Ego é sobre aceitar o nosso destino, então “7” é um título apropriado”, comentou RM (líder do grupo) na conferência de imprensa online realizada em Seul para a divulgação do novo trabalho.

É possível, então, perceber como esse álbum é muito mais maduro e introspectivo.

Todavia não se engane, “Map Of The Soul:7” traz igualmente o sentimento de união que permeia entre os sete integrantes desde o debut e que os ajudou a alcançar o sucesso do qual desfrutam hoje em dia. O trabalho em equipe foi essencial para que o grupo se destacasse na indústria, sem contar o talento e a determinação para seguir num ramo tão competitivo e doloroso quanto o musical. Especialmente porque ainda existe muito preconceito com artistas que não se encaixam no padrão “americanizado” consumido.

Logo, “MOTS:7” é o perfeito equilíbrio entre a união e a individualidade do BTS.

Apesar do coletivo ser enfatizado, o álbum abre espaço para que cada um dos integrantes – rappers RM, Suga e J-Hope; e os vocalistas Jin, Jimin, V (Taehyung) e Jungkook – possam brilhar individualmente.

Ou seja, mais do que um grupo, eles são paralelamente artistas únicos.

 

Recordes atrás de recordes

Desde o lançamento da pré-venda, em janeiro, “Map Of The Soul:7” chegou a impressionante marca de 3 milhões de cópias, batendo a quantidade do álbum anterior, o Persona. Sendo o primeiro álbum de um artista de língua não-inglesa a conseguir tal feito.

Mas não parou por aí.

Com as divulgações das músicas que iriam compor o álbum, os recordes do BTS só continuaram crescendo. O comeback trailer, ‘Interlude: Shadow’, atingiu a marca de 20 milhões de visualizações em menos de 24hs; o primeiro single, ‘Black Swan’, ficou #1 lugar no iTunes de 90 países e quebrou o recorde do cantor PSY; e ‘Outro: EGO’ tornou-se o segundo comeback trailer com mais views em menos de 24hs, algo entre 13,8 milhões de visualizações no YouTube. Número que aumentaram ainda mais as expectativas.

Com o lançamento oficial, MOTS:7 chegou a #1 no iTunes em 93 países. O maior número de #1 de um álbum do BTS e também um marco histórico para artistas coreanos.

A música escolhida como comeback single, intitulada ‘ON’, teve seu MV (‘ON’ Kinetic Manifesto Film: Come Prima) lançado no mesmo dia do álbum e alcançou o vídeo #1 “em alta” no YouTube e conquistou mais de 50 milhões de visualizações em 24hs.

‘Map Of The Soul: 7’ também conquistou o topo de streaming no Spotify em diversos países, incluindo o Brasil, e chegou ao total de 3,008,941 de vendas no Hanteo.

O primeiro álbum da HISTÓRIA do Hanteo a ultrapassar as 3M de cópias!

Predições já dizem que o álbum pode debutar no #1 nos EUA. Este seria o quarto número #1 do grupo, contrariando a estreia máxima entre todos os artistas em 2020.

 

BTS além do K-POP

Embora sejam reconhecidos como um grupo de k-pop e (re)percussores do estilo pelo mundo, a verdade é que o BTS já deixou de se encaixar no gênero há tempos.

Isso porque a sonoridade do grupo evoluiu a ponto de que não dá mais para defini-los assim, pois, eles transitam entre diversos gêneros em suas composições.

Em “MOTS:7”, por exemplo você ouve Boy With Love cheia de pop; depois Black Swan no synthpop; e Respect e UGH são hip-hop puro. Existe uma combinação de “personalidades” musicais. O que dá a entender que, na verdade, eles são próprio gênero!

“Como as tendências musicais mudam, nós também tentamos segui-las. A maior coisa é que nós crescemos como artistas nos últimos sete anos, e eu acho que mostramos isso”, declarou Suga em entrevista a MTV Fresh Out, quando perguntado sobre como a música do BTS mudou ao longo dos últimos sete anos, e complementou: “…a estatura do k-pop realmente cresceu em todo o mundo. Mas, em vez de ser reconhecido como a ascensão do k-pop como um gênero, eu gostaria que artistas coreanos mais talentosos fossem conhecidos em todo o mundo”.

Ou seja, os próprios integrantes percebem que já transcenderam esse rótulo. Tanto que Jungkook, J-Hope e V disseram, também em entrevista, o tipo de música que querem fazer no futuro: “O gênero é BTS. Esse é o gênero que queremos fazer e a música que queremos. Um novo gênero”.

Apesar de terem estreado como um grupo de k-pop, o BTS vai muito além agora.

 

O amadurecimento do BTS por trás de “MOTS:7”

O BTS comemora em 2020, sete anos de carreira e “MOTS:7” é a prova do quanto os sete membros, juntos, evoluíram tanto musicalmente quanto como pessoas. As músicas do novo álbum são reflexivas e vívidas, expondo os rapazes por trás dos artistas e todas as provações que foram obrigados a atravessar para conquistar o lugar onde estão agora.

Mais do que isso. Apresenta as dificuldades que eles continuam enfrentando dentro e fora dos palcos, como idols ou como indivíduos. Assim como a força que encontram na união que construíram ao longo dos anos e na amizade que antecede os desejos como artistas.

As letras, a sonoridade, o conceito e a produção das músicas. Tudo isso faz de “Map Of The Soul:7 um álbum IMPECÁVEL. Agressivo em alguns momentos, sensível em outros. Um reflexo do trabalho notável e da constante superação deles mesmos.

 Um reflexo do grupo que o BTS se tornou.

 

Tracklist de “MOTS:7”

Ao todo, contando as músicas do Persona, são 20 faixas que compõem a tracklist.

O álbum se inicia com a introspectiva “Interlude: Shadow”, uma música profundamente introspectiva na potente voz do rapper Suga, onde ele fala sobre paranoia e medos.

Em seguida, temos “Black Swan”, que começa com riffs notoriamente asiáticos e possui uma melodia rhapsodic (extravagantemente entusiasmada), com batidas e vozes distorcidas em alguns trechos e outros mais suaves.

‘Filter’ é o primeiro solo do álbum e é interpretada pelo Jimin. Sua melodia ressoa como uma certa sedução latina e a letra reforça isso (“Essa sua cara desinteressada … Por favor, olhe para mim agora”). Lembra vagamente o estilo do cantor canadense Shawn Mendes.

Posteriormente, temos o solo do Jungkook, “My Time (시차)”. Essa canção é um desabafo do membro mais novo (maknae), sobre as dificuldades que enfrentou por ter entrado tão cedo neste mundo e, literalmente, ter crescido dentro do BTS. Ele tinha 15 anos quando entrou no grupo.

“Louder than Bombs é uma colaboração criativa com o cantor pop australiano Troye Sivan, que ajudou a escrever a letra junto de Suga, RM e J-Hope. Todos do grupo cantam essa música. A precisão da batida eletrônica compensa os falsettes do Jungkook.

A música escolhida como title do álbum, “ON”, é potente e divertida. A letra é claramente um encorajamento aos fãs e também uma homenagem à própria carreira do grupo. Em entrevista, Jungkook fez um comentário muito curioso: “O nome da música não era ON no começo, mas fizemos uma reunião e decidimos trocar o título. Como é um reboot, quisemos pegar nossa música antiga N.O e transformar em ON. Então eu joguei isso na roda e nós gostamos bastante”.

“ON” tem duas versões no álbum. A primeira apenas com o grupo e um remix digital em colaboração com a cantora australiana SIA, abordando o refrão de maneira inconfundível.

“UGH!” é a faixa da rap line (Suga, RM e J-Hope) e herdou o espírito de “Ddaeng” de 2018. A batida em um hip-hop puro é o plano de fundo para uma letra ácida: “As verdades podem se tornar falsas / As mentiras podem se tornar verdadeiras / Neste local / Todo mundo se torna alguém com ética perfeita / E julgamento perfeito, isso é engraçado”.

A intensa balada “00:00 (Zero O’Clock)” resume perfeitamente o conceito proposto em “MOTS:7”, prometendo aos fãs que, não importa o que eles estejam passando, todos têm a chance de ser felizes no início de um novo dia.

“Inner Child” é o solo do V, em que aborda os tempos difíceis que enfrentou. Em entrevista, questionado sobre o que essa canção significa, ele respondeu: “É a primeira música das minhas músicas pessoais que é vivida. É sobre o ‘eu’ de hoje, se tornando eu mesmo. Falando do garoto que tinha muitas dificuldades naquela época”.

“Friends (친구)” é um dueto entre Jimin e V, onde eles relatam a amizade de anos em uma letra alegre e nostálgica. A melodia agradável une perfeitamente as vozes deles.

O pop de Jin, “Moon”, fala diretamente com os fãs. Ele nunca escondeu o quanto se apoia no fandom Army e o quanto é agradecido por todo o carinho que recebe todos os dias.

RM e Suga trocam versos em “Respect”, debochando dos esnobes e ‘haters’. E com a balada profunda e reflexiva “We are Bulletproof: The Eternal”, o BTS reflete sobre como eles realizaram seus sonhos: “Tínhamos apenas sete anos / mas temos todos vocês”.

E finalizando o álbum, “Outro: Ego”, do J-Hope, oferece um aceno mais explícito ao passado do BTS. Tendo referência do álbum de 2013, “2 Cool 4 Skool”. É uma celebração alegre e também de determinação do rapper, que o tirou de momentos difíceis.

Como dito, “Map Of The Soul:7” representa a essência do BTS: nua e crua. Como artistas ou os sete rapazes da Coreia do Sul que alcançaram seus sonhos e tiveram que lidar – e ainda lidam – com a realidade por trás de todo o sucesso que conquistaram.

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