YOTH IRIA ACENDE, EM SEU ÁLBUM DE ESTREIA “AS THE FLAME WITHERS”, UMA NOVA CHAMA DO BLACK METAL GREGO

As The Flame Withers
Ficha Técnica
Artista: Yoth Iria
Álbum: As The Flame Withers
Faixas: 08
Formação: Jim Mutilator (baixo) e Magus Wampyr Daoloth (vocal)
Gravadora: Pagan Records
Ano: 2021

INTRODUÇÃO

A banda de Black Metal grega Yoth Iria lançou em 25 de janeiro de 2021 o álbum “As The Flame Withers”. O disco é o primeiro trabalho full-lenght da banda e sucede o EP “Under His Sway” do ano passado.

As The Flame Withers

SOBRE A BANDA E O ÁLBUM

O Yoth Iria foi formado em Atenas, na Grécia, no ano de 2019. Assim, a banda é composta por ex-integrantes do Rotting Christ, sendo eles, Jim Mutilator (baixista) e Magus Wampyr Daoloth (vocalista). Dessa forma, fica escancarada a influência da lendária banda grega, uma das grandes responsáveis pela modernização do Black Metal nas útlimas décadas. O Yoth Iria é herança desse Black Metal mais trabalhado, misturando velocidade, cadência, elementos atmosféricos, coros e vocais feminos.

Segundo a banda:

“é um bom exemplo de Black Metal oculto old-school com riffs poderosos, atmosfera infernal e melodias assustadoras. Um pesadelo sombrio luciferiano à maneira grega. “

As The Flame Withers

THE GREAT HUNTER

O disco já começa com um riff dissonante, melódico e moderno, acompanhado por blast beats frenéticos e viradas de bateria. Logo, fica claro a proposta da banda de trazer elementos do Black Metal tradicional aliados à sonoridade da música extrema contemporânea. Na metade da música, coros tomam conta da canção, que passa a ser mais cadenciada e quase ritualística, momento no qual a influência do Rotting Christ é evidenciada. Além disso, o solo ao final da música é espetacular.

https://www.youtube.com/watch?v=mGytxyw5CQE

 

YOTH IRIA

Em seguida, chega a faixa “Yoth Iria” que utiliza melodias folk para compor uma atmosfera sombria. Aqui, os guturais são mais falados ao longo das estrofes, enquanto a guitarra pontua cada frase com melodia e cadência. Também é possível notar pequenas inserções de música gótica. Tudo isso, deságua no belo refrão melódico.

HERMETIC CODE

“Hermetic Code” continua com a pegada cadenciada. Entretanto, aqui a canção soa mais reta e linear. O riff do refrão se destaca. Aliás, o ponto alto da canção são os seus belos riffs. Na metade, a faixa ganha contornos quase acústicos antes de entrar em um ambiente etéreo que, infelizmente, dura pouco tempo. Em contraponto, a faixa carece da emoção e da intensidade das duas primeiras faixas.

THE MANTIS

Com uma introdução sombria, “The Mantis”, a quarta faixa do disco utiliza as percussões para criar um ambiente ritualístico e macabro. Em seguida, os riffs pesadíssimos e cadenciados surgem em meio a corais apocalípticos. Tudo isso culmina em uma canção que soa, em alguns momentos, como algumas bandas da primeira onda do Black Metal. Tal influência oitentista causa um belo contraste com a refinada abertura da canção.

THE RED CROWN TURNS BLACK

Agora, o caos toma conta com uma introdução intensa e veloz. Entretanto, logo “The Red Crown Tuns Black” fica mais climática em alternância com essa velocidade. Nessa canção, o Yoth Iria não pega leve e adentra o Melodic Black Metal com propriedade. Em equilíbrio com a sombria faixa anterior, a quinta música tem uma pegada empolgante e dinâmica.

UNBORN UNDEAD ETERNAL

A seguir, “Unborn Undead Eternal” começa mais contida que a faixa anterior. Novamente, é possível notar inserções folk que surpreendem a todo momento. Além disso, dá pra se dizer que essa canção é praticamente um Post-Black Metal, até os solos de guitarra melódicos que passam a vigorar a partir da metade da música.

TYRANTS

“Tyrants” tem um início melancólico e embala gradualmente. Os elogios ao trabalhos das guitarras nesse álbum podem soar exagerados, mas essa é MAIS UMA CANÇÃO em que as guitarras embalam o satanismo da música do Yoth Iria de forma quase romântica.

THE LUCIFERIAN

Por fim, “The Luciferian” traz percussões cadenciadas em vocal sussurrante logo no início. Entretanto, de cara é possível sentir a sensação de que ALGO ESTÁ POR VIR. A tensão permanece até uma belíssima virada de bateria elevar a intensidade da música e ganha contornos grandiosos. A partir da metade, a faixa torna-se etérea, sombria e grandiosa como uma missa satânica.

Have faith in Lucifer
And delight in his love
Have faith in Satan
He is true to the end

CONCLUSÃO

Portanto, Yoth Iria, em As The Flames Withers, comprova que é possível fazer um álbum genuinamente Black Metal em 2021 sem soar genérico ou copiar os clássicos da cena norueguesa. Com produção e mixagem impecáveis, os gregos imergem do underground com uma carga de influências muito rica. Obviamente, tratam-se de músicos de ampla experiência na cena extrema grega e isso fica nítido na sensibilidade com a qual as faixas transitam entre Melodic Black Metal, Post-Black Metal, Atmospheric Black Metal, Gothic Metal e, até mesmo, Folk Metal. Então, o grande mérito de As The Flames Withers é misturar o tradicional e o moderno chegando a um resultado palatável ao público que não está acostumado com o gênero. Então, dá para afirmar que As The Flames Withers é um dos álbuns de Metal Extremo mais completos de 2021.