Teoria Geek

Retrospectiva 2025 | O ano em que os animes meteram o pé na porta… e no nosso emocional

Foi só um episódio”, disseram. “Vai ser de boa”, disseram

Se 2025 fosse um personagem de anime, ele seria aquele vilão elegante que sorri enquanto você percebe tarde demais que perdeu tudo: foi o ano em que os animes pararam de pedir licença. Teve arco final com clima de apocalipse, filme que veio só para te lembrar que “amor” em shonen às vezes é sinônimo de armadilha mortal, e protagonista que amadureceu… na marra… na pancada… no trauma… com juros.

Foi um ano de guerras que não cabem no coração, mortes que não pedem desculpa, sacrifícios calculados, e decisões tão irreversíveis que nem um “flashback triste” resolve.

Então, pegue seu lencinho, seu copo d’água e sua coragem, porque agora é retrospectiva spoiler-free? Jamais. Spoiler-all-you-can-eat? Sempre.

O ano em que o “final boss” chegou e ninguém saiu ileso

Demon Slayer – Arco do Castelo Infinito


O Castelo Infinito abriu as portas e avisou: aqui a taxa de sobrevivência é lenda urbana. A guerra final contra Muzan começou de verdade e o anime virou um tabuleiro cruel onde cada sala é uma sentença.

A morte que definiu 2025 em Kimetsu tem nome e veneno: Shinobu Kocho. Ela não “perdeu” para o Doma; ela se transforma em arma. Shinobu se deixou ser consumida para que o corpo dela virasse um coquetel de venenos capaz de corroer o monstro por dentro. É sacrifício cirúrgico, frio e desesperador. Quem estava lá no cinema não assistiu, engoliu seco.

E como se isso não bastasse, o ano também marcou a queda definitiva de Akaza, não só no braço, mas na alma. O cara recuperou a memória da própria humanidade e… simplesmente desistiu de existir como demônio. É uma derrota que doeu porque não foi só “derrotado”, foi “quebrado” e “liberto” ao mesmo tempo. Sorte para o Tanjiro e o Tomioka.

Impacto narrativo
O tom mudou de “caça a demônios” para “guerra de extermínio”. Tanjiro deixou de ser só o garoto obstinado e virou um sobrevivente sendo testado até o limite. É o arco onde o anime disse: “Você achou que era jornada? Era despedida.”

Status da obra: reta final. Pois é… Castelo Infinito foi a porta de entrada do encerramento definitivo: vem mais pancada, mais perdas e mais fim.

Bleach: Thousand-Year Blood War


Em 2025, Bleach continuou provando que “guerra” não é só estética: é consequência. O conflito com os Quincy virou uma máquina de moer orgulho, hierarquia e corpos, com mortes e derrotas brutais que deixaram a Soul Society irreconhecível.

O destaque foi o clima constante de “ninguém está protegido”. Capitães e aliados caíram, estratégias falharam, e o mundo espiritual descobriu que tradição não para genocídio. A história se afunilou para a ideia central: o inimigo não quer vencer… quer reescrever o mundo.

Além disso, no topo do inferno está Yhwach, uma presença que parece inevitável, como se a realidade estivesse do lado dele. A sensação este ano foi a de que cada vitória custa caro demais, e cada sobrevivência vem com cicatriz.

Impacto narrativo
Bleach saiu do “shonen estiloso” e virou “tragédia armada”. Ichigo deixou de ser só o cara forte com dilema interno e passou a ser a soma de tudo o que ele é e tudo o que ele perdeu.

Por isso, o anime cresceu em peso e em escala: não é sobre um golpe final, é sobre sobreviver ao fim do mundo.

Status da obra: encerramento canônico em rota final.  Sim, a guerra é o fechamento da saga principal, ou seja, é o “fim da linha” da história que importava.

My Hero Academia – Guerra final

Se My Hero Academia já tinha flertado com o colapso, 2025 foi o ano em que ele apertou a mão do caos e disse “prazer”. A guerra final avançou com mortes de heróis, destruição e o tipo de desespero que não cabe num discurso bonito de “símbolo da paz”.

A grande mudança é que o mundo parou de acreditar no mito do herói perfeito. A sociedade que precisava de ídolos agora viu gente sangrando de verdade. E no centro disso, Deku deixou de ser “o garoto que quer salvar todo mundo” e virou “o cara que entende que salvar todo mundo… talvez seja impossível”.

Além disso, o conflito escalonou para um nível em que vilões já não são só vilões, são catástrofes humanas, criadas por um sistema que fingiu que dor era exceção.

Impacto narrativo
O anime perdeu a “aura escola” e virou “zona de guerra”. Deku perdeu a inocência, e o mundo perdeu o conforto. Foi o arco onde heroísmo virou escolha trágica, não slogan.

Status da obra: reta final. Pois é… Não acabou, mas dá para sentir o cheiro de encerramento no ar (e o gosto de cinzas também).

Filmes que chegaram sorrindo… e saíram levando seu coração no bolso

Chainsaw Man – Arco da Reze


O arco da Reze chegou como quem diz “relaxa, hoje tem romance”… e terminou como quem grita “SURPRESA, É TRAUMA!” Denji viveu a ilusão mais rara do universo dele: ser amado de verdade, ou pelo menos acreditar nisso.

Reze entrou como luz no caos: carisma, conexão, um “talvez eu possa ser feliz”. Só que em Chainsaw Man felicidade é produto proibido. A violência explodiu, a confiança virou estilhaço e a verdade foi clara: naquele mundo, pessoas são armas com sorriso bonito.

E o golpe final do ano: o destino trágico de Reze. Ela não foi só derrotada, ela foi apagada no tabuleiro por quem realmente manda. Além disso, o arco escancarou a manipulação: Makima não só controla acontecimentos, ela controla sentimentos. Denji entendeu (tarde demais) que o carinho que recebeu muitas vezes era só a corda mais curta da coleira.

Impacto narrativo
O anime deixou de ser “loucura divertida” e virou “horror emocional”. Denji perdeu a esperança de normalidade. E você, espectador, perdeu a fé em qualquer cena fofa.

Status da obra: continua. Enfim, se 2025 foi cruel, é porque a história ainda nem terminou de mostrar o que é crueldade.

Jujutsu Kaisen – Execução


Em 2025, o mundo jujutsu viveu o pós-apocalipse de Shibuya em câmera lenta: Gojo fora de cena, equilíbrio quebrado, e a sociedade de feiticeiros se desmanchando como castelo de areia. Tudo virou caça, suspeita e sentença.

Yuji Itadori atravessou o ano com um peso que não cabe no corpo: ele carrega mortes que não cometeu com as próprias mãos, mas que aconteceram por existir como recipiente. Ele não “cresceu”, ele afundou e o enredo fez questão de deixar claro que amadurecimento ali foi sinônimo de perder pedaços de si.

E no pano de fundo: Kenjaku, a confirmação da manipulação máxima e a sensação de que a tragédia era planejada há muito tempo. O mundo não estava em crise: ele estava em colheita.

Impacto narrativo
A obra mudou de “batalhas incríveis” para “guerra psicológica”. Yuji perdeu a possibilidade de ser só um garoto. O anime virou um tribunal sem juiz e o veredito é sofrimento.

Status da obra: continua. Sim, a história ainda tem muito chão… e muita dor para distribuir. Haja coração!

Finais que encerraram eras e deixaram cicatriz na cultura pop

Attack on Titan


O final definitivo é aquele tipo de encerramento que não termina: ele fica ecoando. O Rumbling aconteceu em escala monstruosa, a humanidade pagou o preço e a série completou seu grande crime narrativo: transformar seu protagonista em algo que você não consegue chamar de herói sem sentir culpa.

E o ponto que define tudo: Mikasa matou Eren. Não foi “batalha épica”, foi execução dolorosa. Foi amor, destino, tragédia e necessidade no mesmo golpe. Eren morreu, mas a dúvida ficou viva: foi inevitável? Escolha? Prisão? Ou liberdade?

O mundo sobreviveu, mas não “venceu”. Ele só… continou. E isso foi o que mais doeu.

Impacto narrativo
O anime fechou com a coragem de dizer: “não existe solução limpa”. Eren perdeu a humanidade, Mikasa perdeu o futuro que sonhou, e o público perdeu a sensação de conforto moral. É o tipo de final que faz você ficar olhando para o teto e pensando na vida. Do nada.

Status da obra: acabou. Fim. Definitivo. E emocionalmente caro.

Mudança de status quo: quando o mundo percebe que o protagonista virou “evento global”

One Piece – Arco de Egghead


Egghead foi onde One Piece virou “ficção científica + guerra política + desespero existencial”. E 2025 cravou o marco: Vegapunk morreu e com ele, o mundo perdeu não só um gênio, mas o controle da própria narrativa.

A morte de Vegapunk não foi “tristeza”, foi detonador. Ela derramou informações, acelerou conflitos e escancarou que o Governo Mundial não tinha só segredos: tinha pecados estruturais.

E Luffy? Luffy deixou de ser apenas pirata e virou símbolo perigoso. O Gear 5 não é só poder: é a personificação de uma ameaça histórica. O mundo passou a olhar para o Chapéu de Palha como quem olha para uma faísca perto de um barril de pólvora.

Impacto narrativo
O anime mudou de “aventura infinita” para “fim da era se aproximando”. Luffy perdeu a condição de “cara livre na estrada” e virou peça central de um tabuleiro global, mesmo que ele odeie tabuleiros.

Status da obra: continua, mas com cara de que a contagem regressiva começou faz tempo.

Kaiju No. 8


Se você achava que Kaiju No. 8 era “ação militar com monstro”, 2025 foi o ano em que ele falou: “tá bom, agora é tragédia”.

O choque do ano veio com nome e peso: Isao Shinomiya morreu ao ser absorvido pelo Kaiju No. 9. Não foi “morte heróica bonita”. Foi a pior: a morte que virou combustível para o inimigo. O No. 9 evoluiu, cresceu e ganhou uma aura de “isso aqui vai dar muito ruim”.

E Kafka? Kafka deixou de ser humano tentando provar seu valor e virou algo que o sistema quer usar. O cara não é “herói”: é arma, suspeita, risco. Ele perdeu o direito de ser só ele e a história martela isso.

Impacto narrativo
O tom endureceu. O inimigo virou apocalipse estratégico. Kafka perdeu identidade social, liberdade e passou a lutar também contra o olhar do próprio lado.

Status da obra: continua. Pois é… Está caminhando para o fechamento, mas ainda tem muito monstro (por fora e por dentro) pela frente.

Quando a franquia decide brincar com nostalgia… e ainda assim te entrega porrada

Dragon Ball DAIMA


DAIMA fez o “mundo pequeno” virar “guerra grande” e fechou a temporada com o tipo de fanservice que faz adulto virar criança e criança virar foguete: Goku retornou ao corpo adulto e alcançou o Super Saiyajin 4.

O Rei Gomah caiu, o Reino dos Demônios mudou de rumo e a história entregou um encerramento com cara de “missão concluída”. Não é a obra mais mortal da lista, mas é a que crava uma virada simbólica: Goku não está ali só para vencer, está ali para encerrar a bagunça.

Impacto narrativo
DAIMA brincou com identidade e nostalgia sem virar “museu”. Goku reencontrou potência e propósito, e a série fechou um arco completo sem ficar pedindo migalha de continuação.

Status da obra: encerrada como história principal (pelo menos essa aventura específica).

O caos como gênero: quando o anime vira uma montanha-russa sem cinto

Dandadan


Dandadan segue sendo aquele anime que olha para a lógica, dá risada e chuta ela escada abaixo. Teve batalha absurda, escala gigante, energia de “isso aqui é um delírio coletivo”… e no meio do caos, o golpe mais humano: Vamola beija Okarun.

E isso, em Dandadan, não é “beijo fofo”. É bomba emocional. A dinâmica do grupo rachou, Momo sentiu o impacto e o anime deixou claro que a guerra ali não é só contra aliens e maldições: é contra insegurança, ciúme, medo e a sensação de perder espaço.

Morte importante? Não é o foco do ano. Mas ruptura emocional? Ah, essa veio com gosto.

Impacto narrativo
O anime provou que sabe equilibrar absurdo com coração. Okarun deixou de ser só “o cara confuso” e virou o centro de um conflito emocional real. Já Momo deixou de ser “forte e dona de si” o tempo todo e mostrou vulnerabilidade. Pois é… O grupo mudou.

Status da obra: continua.  Com o emocional bagunçado, do jeito que a gente “ama sofrer”.

2025 foi o ano em que os animes deixaram de ser gentis

Enfim, se 2024 já testava nossos limites, 2025 foi direto na jugular: foi o ano em que os animes pararam de ser gentis.

Shinobu se transformou em veneno para vencer um monstro. Akaza caiu lembrando o que perdeu. Eren morreu pelas mãos de quem mais amava. Reze virou prova viva de que carinho pode ser armadilha. Vegapunk caiu e o mundo entrou em rota de colisão. Isao foi engolido, literalmente, para o inimigo evoluir.

E até quando não teve morte, teve algo igualmente cruel: o fim de uma versão do personagem que a gente conhecia.

Porque no fim do dia, 2025 foi isso: despedidas, dor, escolhas sem volta… e aquela certeza incômoda de que, no anime, o verdadeiro golpe crítico não é no corpo é na alma.

E se 2026 vier “pior”… bem: a gente assiste. Chorando, mas assiste.

 

 

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