
| Desenvolvido por: Capcom |
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| Publicado por: Capcom |
| Gênero: Ação, Survivor Horror |
| Série: Resident Evil, Biohazard (Japão) |
| Lançamento: 27 de Fevereiro de 2026 |
| Classificação indicativa: 18 anos |
| Modos: Single-player |
| Disponível para: PlayStation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2 e PC |
Não me considero um fã hardcore da franquia RESIDENT EVIL. Não domino toda cronologia e informações que circulam sobre essa lore tão rica e muitas vezes criticada por alguns excessos ou galhofas. Grande parte dos jogos clássicos da saga eu preferia assistir meus amigos jogando no PSX ao invés de jogar por considerar um jogo tenso demais para ser controlado por mim.
Porém, tenho ótimas memórias de risadas do desespero desses meus amigos ao se deparar com Nemesis ou com Mr. X por exemplo. Considero que, quando essas memórias são tão nítidas, mesmo que eu não possa ser considerado hardcore, ainda assim tive a adolescência marcada por jogos da saga e sou um fã mesmo que tenha passado a jogar e assumir o controle de um personagem do início ao fim relativamente tarde.
E essa minha primeira incursão completa em um RE foi somente em RESIDENT EVIL 4, por volta de 2005 ou 2006, quando o fim da exclusividade do console da Nintendo permitiu o lançamento para a família PLAYSTATION. Além de considerar RE 4 como um dos melhores jogos já produzidos, ali eu fui apresentado ao personagem que se tornou meu favorito de toda a franquia: Leon S. Kennedy.
Dali em diante, procurei jogar todos os principais jogos numerados da franquia que saíssem (e alguns dos spin offs) e um lançamento de um novo RESIDENT EVIL passou a se tornar um evento, um dia muito esperado onde haveria certeza de que por 12 a 15 horas, eu estaria no controle de uma montanha russa de terror e tensão, mesmo que a saga vez ou outra ficasse mais voltada à ação do que terror.
Recentemente, resolvi jogar novamente o Remake do quarto jogo e próximo ao fim tive o pensamento: “eu acho impossível REQUIEM ser melhor que esse”. Será que conseguiu? Vamos conversar sobre!

História
Requiem começa quando a agente do FBI Grace Ashcroft recebe como missão investigar assassinatos misteriosos de sobreviventes do incidente de Raccoon City quase 30 anos depois. O chefe da Grace, muitíssimo preocupado com sua funcionária, simplesmente encaminha sua agente a realizar uma investigação onde, infelizmente Grace passou por um grande trauma em sua vida, perdendo sua mãe Alyssa Ashcroft (jornalista investigativa e personagem jogável de Resident Evil Outbreak).
Grace não é um soldado, e embora saiba portar uma arma para se defender, o foco de seu trabalho é outro. E como todo RESIDENT EVIL, ao chegar no local da investigação, justo no hotel onde perdeu sua mãe de forma tão violenta, ela encontra alguém que a revela ser parte de algo maior.
Em contrapartida, do outro lado temos Leon S. Kennedy, veterano da franquia e também um sobrevivente do incidente, que também está procurando pela mesma figura misteriosa com quem Grace se deparou.
Aqui entra o que pra mim pôde ser considerado uma das montanhas russas desse novo jogo. Entre os jogos da série há alguns jogos que tentam buscar um ar mais sério, enquanto outros costumam abraçar mais um lado nonsense, que encosta na porta da galhofa, como Resident Evil Village mas em Réquiem eu fiquei curioso e investido pela história do jogo por todo meu tempo de gameplay.
Grace está em um local completamente despreparada, sozinha e amedrontada. O nível de imersão de suas sequências faz o jogador sentir o desespero da personagem, que cresce e se fortalece aos olhos do jogador. Enquanto do outro lado há Leon, completamente acostumado a todo o caos que está vivenciando, usando seu bom e velho bom humor ao fim da explosão de cabeça de algum zumbi. Porém, embora não queira entrar em detalhes, a jornada mostrará que nosso herói, sempre invencível, pode se mostrar não tão invencível assim.
Embora a conveniência de alguns trechos tenha me incomodado, completei o jogo totalmente satisfeito (e arrepiado) com sua conclusão graças a forma como o terceiro ato é desenvolvido. Então mesmo que haja falhas, considerei a história como um ponto forte do jogo, embora reconheça que certas coisas irritarão os fãs mais antigos da franquia.

Jogabilidade
Diferente de outros REs com dois protagonistas, a CAPCOM buscou em uma só campanha agradar os fãs das diferentes fases que a saga já teve.
Durante a história, conforme ela se desenrola, o controle do jogador passa de um personagem para outro, não sendo algo selecionável pelo jogador mas sim pelo andamento da narrativa.
GRACE simboliza o jogador de RE que curte o lado mais SURVIVAL HORROR, lenta, com poucas armas e uma necessidade grande de gerenciamento de recursos, podendo usar a boa e velha máquina de escrever para gravar seu save com um ink ribbon a moda antiga (caso o jogador escolher o modo clássico) e guardar os itens no baú para liberar espaço para novos.
Para os jogadores que gostaram da atmosfera e imersão geradas pela visão em primeira pessoa de RE 7 e 8, o jogo te dá a possibilidade de selecionar se deseja jogar em primeira ou terceira pessoa, deixando claro que o indicado por eles é que o lado da campanha da Grace seja jogado em primeira pessoa.
Embora eu ache RE 7 quase perfeito e tenha costume de jogar jogos FPS, preferi ignorar a sugestão da Capcom e joguei em terceira pessoa com os dois personagens (Leon também pode ser controlado em primeira pessoa se preferir).
Durante sua gameplay Grace irá encontrar eventualmente um item chamado Injetor Hemolítico que a permite coletar o sangue infectado dos zumbis e através deles gerar alguns recursos e inclusive explodir os zumbis com eles.
A gestão do quanto de sangue infectado é carregado no INJETOR pra mim foi um dos pontos altos do gameplay com a Grace pois os zumbis de Requiem podem sofrer mutações semelhantes aos Crimson Head do RE1 Remake, então o jogador ao perceber que um certo corredor será visitado várias vezes, pode achar melhor usar o Injetor para explodir os zumbis desse local de forma que sua mutação não torne futuramente a passagem nesse local muito mais dificil, visto a dificuldade desses inimigos.
Como todo bom e velho RESIDENT EVIL, Grace também é brindada com um perseguidor pra manter o jogador ligado no 220v enquanto controla a novata.
Requiem também possui uma adição que achei fenomenal: os zumbis das sequências com Grace são zumbis diferentes, e esses zumbis ainda possuem traço de sua memória antes de se transformar. Então eles repetem constantemente ações ou frases que faziam parte da sua rotina. Por exemplo, uma zumbi que era faxineira do local, tem como tendência visitar locais sujos para limpar. O gigantesco zumbi açougueiro continua batendo com seu cutelo em uma carne. Embora o jogador se acostume com isso, isso passa um ar de que cada zumbi é diferente e deve ser lidado de forma diferente, gerando um ar de surpresa muito grande com cada um deles engrandecendo a imersão do jogo.
Como nos REs anteriores, a jornada com ela envolverá muito backtracking e alguns puzzles bem tranquilos de resolver (com exceção de um, que não é obrigatório para a história). Inclusive, vi que bastante gente sentiu falta de puzzles mais difíceis semelhantes ao Remake de Silent Hill 2 ou até mesmo no nível de alguns bem marcantes em RE 7 e 8. Eu gosto de puzzles mas a simplicidade dos encontrados em REQUIEM não me incomodou.
Vou ser direto: eu mencionei que Leon é meu personagem favorito, mas considerei os trechos com a Grace muito marcantes e pra mim as sequências com ela são o ponto forte do jogo.
Agora entrando na segunda parte da jogabilidade: a Capcom parece entender que após o sentimento de impotência gerado por Grace, o jogador merece “relaxar” de forma catártica e para isso é entregue em suas mãos o controle de Leon, um personagem que é capaz de simplesmente demolir tudo aquilo que afligiram a Grace.
Os trechos de Leon são voltados àqueles fãs de Resident Evil que preferem a jogabilidade dos jogos 4, 5 e 6 que são mais voltados para ação. E vai por mim, o jogo não economiza nisso.
Leon, agora com muitos anos de experiência e completamente acostumado a mais um apocalipse zumbi, é lotado de armas, um inventário gigantesco, dezenas de chutes cinematográficos e pra quem gostou da adição da faca em RE4, agora ele possui uma machadinha que nunca se quebra, mas apenas perde seu fio.
As sequências com Leon não têm muito mistério: vá do ponto A ao ponto B destruindo tudo no caminho, vez ou outra fazendo um backtracking para conseguir superar algum obstáculo e enfrentando alguns chefes (que considerei exageradamente fáceis na dificuldade normal). O gameplay dele busca uma melhora do que foi entregue no remake de RE 4 com o personagem mais ágil e mais mortal do que nunca e ainda portando seu senso de humor afiado soltando frases de efeito na hora certa pra tirar aquele sorrisinho do jogador que dificilmente não se pegará dizendo “Leon é o cara” algumas vezes. Enquanto com Grace você se pega muitas vezes se questionando se vale a pena gastar uma bala para matar um zumbi, com Leon dificilmente você deixará algum zumbi vivo já que o que não falta são munições e armas e seu espaço de inventário é tão grande que ele nem possui um baú para guardar itens.
Em determinado momento Leon terá uma mudança em sua gameplay, onde cada inimigo destruído irá gerar pontos que podem ser trocados por alguma melhoria. Foi uma forma curiosa da Capcom buscar uma gestão de evolução e melhorias para LEON e chega a ser engraçado, matar zumbi e trocar o ponto por arma. Grace também possui melhorias, podendo aumentar sua vida ou seu poder e estabilidade através do uso de esteroides que podem ser criados por ela ou encontrados na fase.
Posso ser polêmico em minha afirmação, mas ouso dizer que nas sequências com Leon há tantos exageros, que em um determinado momento, o jogador ficará com medo de estar prestes a vivenciar um novo RESIDENT EVIL 6. Mas quando o jogo encosta nesse limite ele volta a ter os pés no chão e entrega ao jogador algo que para muitos fãs será alvo de muita emoção.

E essa emoção vêm a partir de um retorno de Leon a Raccoon City, onde tudo começou para nosso herói em Resident Evil 2 há mais de 28 anos.
Com o aniversário de 30 anos da franquia é nítido que a Capcom tenta entregar nesse trecho uma forma de comemoração ao apresentar ao jogador dezenas de easter eggs que vão acalentar o coração do jogador enquanto traz de forma sutil, uma humanização muito bem vinda ao Leon. O jogo sabe mostrar o quanto aquilo marcou e moldou o personagem que estamos acompanhando.
Porém, confesso que essa troca entre personagens e modelo de jogo me gerou um incômodo e por muitas vezes durante a jogatina eu me questionei se não seria melhor que a Capcom separasse as campanhas. A imersão gerada pelos trechos com a Grace, quando substituída pela ação desenfreada do Leon gera uma quebra muito grande e ouso dizer, que no início do segundo ato, quando o jogador passa a assumir o controle de Leon por mais tempo em uma área semelhante a um breve mundo aberto, eu fiquei bastante incomodado. Esse início do segundo ato inclusive foi o causador da mudança na minha nota final.
Me desculpe Leon, mas eu senti falta da Grace.
Por sorte, a peteca não fica caída por muito tempo e o ritmo melhora e como dito, fiquei muito satisfeito com o final e entendi que a forma como eu me senti ao concluir a campanha seria bem diferente se eu controlasse os personagens em campanhas distintas. Terminei a campanha com o jogo marcando pouco mais de 12 horas. Não achei o jogo tão curto e inclusive acho que ele é desenhado de forma que anime os jogadores a pular de ponta novamente na maior dificuldade para buscar a platina.
Mas ao terminar, o que ainda há pra fazer? Até o momento em que escrevo essa crítica, o jogo possui apenas sua campanha onde você pode usar os pontos adquiridos para desbloquear novas armas e modelos de personagem, mas tirando a dificuldade mais alta que é liberada, a falta de novidades pode ser vista como um ponto negativo.
Com toda certeza a Capcom irá entregar DLCs e um modo Mercenários, mas até o momento, fator replay é um ponto negativo.

Gráficos e Som
Não sei se ainda é a adrenalina da batalha final falando mais alto, mas ouso dizer que, tecnicamente, REQUIEM é um dos jogos mais polidos que já vi. Os gráficos são maravilhosos, com um detalhamento absurdo tanto nas fases quanto no comportamento dos personagens e o design de som desse jogo é um dos melhores que já vi com ponto alto para os trechos com a Grace.
A atmosfera gerada pelo som gera uma imersão que junto ao fotorrealismo adquirido pelos gráficos é algo muito marcante sendo possível se orientar quanto a posição dos inimigos perfeitamente através do som que eles emitem.
O modelo facial dos dois protagonistas é perfeito e a RE ENGINE continua a nos surpreender positivamente com um ótimo jogo de luzes e sombra. Confesso que não me recordo se o jogo dá a opção de escolher entre QUALIDADE e PROCESSAMENTO, mas em minha gameplay, não houve queda de frame em momento algum, rodando completamente liso mesmo nos momentos com maior quantidade de detalhes e partículas no ar.
Fui brindado com dois bugs, onde a física da correia de duas armas simplesmente travou ficando na mesma posição mesmo que eu alternasse entre outras armas. Após recarregar meu save, o comportamento normalizou.
O cuidado com os detalhes é tão grande, que caso você recarregar sua arma, portando uma lanterna, o personagem posiciona a lanterna em seu queixo para que ela não caia. Achei um detalhe simples mas mostra cuidado.
Também é visível que a movimentação do Leon muda de acordo com o contexto e dos objetos que estão ao seu redor, segurando a arma em posições e angulos diferentes caso esteja prestes a circular um objeto como uma estante, por exemplo.
Embora haja esse cuidado gigantesco com o som, algo que confesso não ter gostado foi a trilha sonora dos trechos com Leon, ficando preso muitas vezes ao mesmo tema sempre que um inimigo está próximo. E esses temas pra mim foram um pouco sem vida, embora haja uma melhora no final, inclusive encerrando o jogo com uma bela canção original chamada Through the Darkness.
Pra mim é inegável que a Capcom alcançou algo acima do padrão com a parte técnica de REQUIEM e os gráficos desse jogo estão entre os melhores dessa geração. Simplesmente perfeito.
Resident Evil Requiem: Vale a Pena?
Resident Evil Requiem foi uma ótima experiência onde fiquei investido praticamente 100% do tempo das 12 horas e 28 minutos que levei pra completar. Considero sua história como ponto positivo mesmo que algumas saídas do roteiro sejam meio convenientes. Um trecho em particular onde a história do jogo escolhe subverter a expectativa possivelmente vai irritar uma galera. Mas esse tipo de decisão pra mim não tirou o brilho da história que tenta algo diferente e entrega um ótimo desenvolvimento para uma nova personagem da franquia enquanto mostra novas camadas de outro já estabelecido. O jogo é dividido entre 50/50 para os dois protagonistas e confesso que se eu pudesse fazer um apelo à Capcom, seria por mais trechos com a Grace que achei simplesmente memoráveis. Por fim, como pontos negativos há a falta do fator replay, a quebra de ritmo do ato 2 e uma trilha sonora sem personalidade nos trechos do Leon (para o meu gosto). Com toda certeza, um dos melhores jogos da franquia.

Depois de tudo o que passamos juntos. De tudo o que eu fiz. Não pode ser em vão. Permaneça conosco.







