Resident Evil diverte, mesmo em meio a tantas decepções e clichês.

Resident Evil
Ficha Técnica
Título: Resident Evil: A Série
Ano de Produção: 2022
Dirigido Por: Andrew Dabb
Estreia: 14 de julho de 2022
Duração: 8 Horas (8 episódios)
Classificação: 18 Anos
Gênero: Ação e Terror
País de Origem: EUA
Sinopse: Anos depois do surto viral que provocou o apocalipse mundial, Jade Wesker luta para sobreviver entre os infectados e jura derrubar os responsáveis. Assista o quanto quiser. Lance Reddick (John Wick) e Ella Balinska (As Panteras) protagonizam esta nova versão da franquia icônica de mesmo nome.

 

Antes de mais nada, é importante que você leitor saiba que aquela que com vocês fala é uma grande fã da franquia Resident Evil há mais de 15 anos. Tanto que minha ID no videogame utiliza o sobrenome da Jill Valentine em homenagem a essa grande personagem que abriu as portas para a representatividade feminina nos games – obrigada Shinji Mikami.

Dito isso, quero destacar que minhas expectativas estavam sob controle, pois eu já sabia que a série seria uma reimaginação. Logo, é claro que seus criadores exerceram a liberdade criativa para criar algo novo. Se eu preferiria uma série mais fiel? Seria o mesmo que perguntar se um zumbi quer comer gente. Existem ótimos livros da S.D. Perry para usar como base, mas okay, vamos parar de reclamar e dar início a essa crítica.

Primeiras Impressões

Assim que assisti ao primeiro episódio, minha vontade era de parar ali mesmo e desistir. No entanto, não acho correto julgar uma obra inteira pelo seu piloto. Então continuei, e quando chegou na metade da série, juro a você leitor que estava verdadeiramente empolgada, achei que ia ficar tudo bem, apesar de tudo. Mas não foi bem assim, pois alguns dos episódios finais vão fazer o expectador se perguntar “Por quê? Agora que eu estava gostando, por quê?”.

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Billie e Jade Wesker com 14 anos da esquerda para a direita.

Onde eu quero chegar com tudo isso? Simples, a série começa devagar e até que se desenvolve de uma forma positiva momentaneamente. Somos capazes de nos envolver com a trama e se importar com as duas irmãs que protagonizam essa história. O problema é que chegamos em determinados momentos em que realmente fica difícil de engolir.

  • Os zumbis são do tipo corredores, mas em algumas cenas eles simplesmente ficam parados para a protagonista conseguir fugir.
  • A decomposição desses mesmos zumbis não faz jus ao tempo que eles existem.
  • A quantidade de referências aos jogos é tão grande, que chega a perturbar, como se tudo fosse motivo para Easter Eggs.
  • Usaram o T-Vírus como referência, mas os zumbis não se comportam de acordo.
  • E tem essa dança ridícula em um dos episódios que deu vontade de quebrar a TV, é simplesmente absurdo e não dá para defender (nem vilão da Disney faz aquilo).

A História

Anos depois do surto viral que provocou o apocalipse mundial, Jade Wesker luta para sobreviver entre os infectados e jura derrubar os responsáveis.

A trama por outro lado é deveras interessante em alguns momentos, fazendo um balanço entre passado e presente. Ora mostrando as irmãs Jade e Billie crianças antes do surto e ora passando a perspectiva de uma Jade adulta vivendo num mundo pós-apocalíptico. Mas falha em não chegar a lugar algum com essa dinâmica. As atrizes por outro lado, cumprem satisfatoriamente seus papéis, o suficiente para você querer saber o desfecho das duas linhas temporais, pelo menos.

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Jade Wesker já adulta, interpretada por Ella Balinska.

A princípio pensamos estar cientes de tudo o que irá acontecer, mas a série não se entrega tão fácil e acaba tendo algumas reviravoltas amargas. O final da temporada inclusive deixou brechas para nos perguntarmos quem é realmente a vilã da série e espero que determinada teoria seja positiva, pois do contrário algumas escolhas no enredo poderiam ser consideradas realmente deploráveis e confusas.

E quanto a Albert Wesker?

Era tão fácil criar novos personagens no mundo de Resident Evil, sem reinventar os já existentes. Tão fácil! Olha The Walkind Dead por exemplo, existem várias séries derivadas, todas se aproveitando do peso do nome da franquia, mas sendo cada uma dona do próprio nariz. Mas não, vamos criar uma teoria maluca para o grande vilão de Resident Evil e deixar uma legião de fãs raivosos.  Não que Lance Reddick não consiga interpretar bem a personalidade arrogante de Wesker, mas tudo tem limite.

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Na foto você pode ser Albert Wesker, interpretado por Lance Reddick.

Resident Evil: A Série poderia ser muito mais respeitada se Jade e Billie não tivessem o sobrenome Wesker. Dessa forma outros eventos difíceis de engolir na série poderiam ter sido evitados e assim talvez, e bem talvez, ela tivesse alguma chance de brilhar.

Ambientação & Efeitos Especiais

É preciso elogiar algumas criaturas conhecidas que foram fielmente retratadas aqui, pelo menos quanto a sua aparência. Foi muito bom ver um Cerberus (um cachorro zumbi que era um verdadeiro pesadelo na trilogia original), um bando de Lickers (criatura cega com uma ótima audição e língua comprida), o cara da serra elétrica (um terror no Resident Evil 4) e outros mais. Porém não se empolgue tanto, algumas coisas não existem ou podem vir a ser bem estranhas.

Já quanto a ambientação, está bem atrativa na parte pós-apocalíptica, com cenários variados e decorados de acordo. O problema é antes do surto, pois por mais que as garotas vivam naquele momento em uma cidade da Umbrella ‘Nova Raccoon City’, é tudo muito apático e sem graça, desde a cor das casas, até as mobílias e figurino.

As cenas de ação, suspense e drama são bem distribuídas, mesmo que as primeiras possam as vezes ser um pouco forçadas demais e ultrapassem a barreira do acreditável.

Resident Evil: A Série: Vale a pena?

Como você já deve ter percebido, se for fã da série, vai se decepcionar e concordar com o meme que circula pelas redes sociais onde reclamávamos dos filmes estrelados pela Alice (Mila Jovovich), mas eles não parecem mais tão ruins agora. Exagero? Talvez. Entretanto uma coisa é certa, os fãs de Resident Evil sofrem demais na esperança de ter uma live-action digna do sucesso da marca.

Assim sendo, a série tem seus momentos bons com a Ella Balinska (Jade), e nos envolve o suficiente com seu melodrama para ficarmos curiosos sobre todas as pontas soltas deixadas na primeira temporada.

Agora se uma segunda temporada irá acontecer, é difícil dizer, afinal, decepcionar os fãs não parece ser uma boa estratégia. Porém, a verdade é que não sou uma fã raivosa e quero saber onde as ideias do Andrew Dabb vão parar, quero uma continuação, mais do que gostaria de admitir.

Não nos abandone ainda, tem muita coisa legal acontecendo, dê uma olhada aqui.