Cidade Invisível mal estreou e já está entre os Top 10 da Netflix em mais de 40 países. Quanto orgulho de uma produção brasileira! Ainda mais de uma que retrata o riquíssimo folclore brasileiro.

A série traz aquele tom de mistério, para os amantes de suspense, fantasia para os amantes da ficção, e nostalgia para quem cresceu com as obras de Monteiro Lobato. A mistura deu muito certo e o resultado ficou incrível.

Já mencionei em outras oportunidades, mas repito: O Brasil tem muito mais a oferecer que apenas os excelentes filmes de comédia.

Então, deixe de perder tempo dormindo e antes que a Cuca te pegue vamos mergulhar na Cidade Invisível e entender melhor nossa própria história.

Cidade Invisível
Ficha Técnica
Título: Cidade Invisível
Ano de Produção: 2021
Dirigido Por: Carlos Saldanha
Estreia: 5 de Fevereiro de 2021
Duração: 7 episódios com duração média de 45 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: Fantasia, Suspense
País de Origem: Brasil
Sinopse: Um detetive atormentado pelas investigações de um assassinato, se envolve em uma batalha entre o mundo visível e um reino subterrâneo habitado por criaturas folclóricas. 

 

 O Folclore Brasileiro reinventado

Eric, interpretado por Marco Pigossi, é um detetive da polícia ambiental que perdeu sua esposa Gabriela, interpretada por Julia Konrad, em um incêndio aparentemente acidental na floresta próxima a sua casa. Viúvo e com uma filha pequena para criar sozinho, se sente atormentado e não consegue seguir em frente sem descobrir quem foi o responsável pelo terrível acontecimento.

Um mês após o ocorrido, Eric presencia um grupo tentando retirar um boto cor-de-rosa que apareceu morto na praia. Claro que isso causa estranheza já que o animal é natural de águas doces. Decidido a investigar o que houve, ele acaba descobrindo um mundo que não acreditava ser possível existir.

É nessa jornada do protagonista em busca pela verdade que Carlos Saldanha nos apresenta de forma inovadora a nossa própria história: O folclore brasileiro.

Muitos personagens são mostrados de uma maneira diferente da que conhecemos e que também é possível baseado na brilhante e profunda pesquisa que Saldanha fez.

Um exemplo disso é a Cuca/Inês, majestosamente interpretada por Alessandra Negrini, que para os fãs de sítio do pica-pau amarelo ficou conhecida como uma bruxa com cabeça de jacaré. Mas por se tratar de uma bruxa ela pode assumir várias formas, inclusive a de uma borboleta como nos é apresentado.

Cidade Invisível

Uma floresta cheia de mistérios e lendas antigas

A medida que Eric ao lado de Márcia (Áurea Maranhão), sua colega de trabalho, vão mais fundo nas investigações, mais fundo eles vão também nos mistérios que cercam a Cidade Invisível. Com isso, personagens que fizeram parte de nossa infância são acrescentados para enriquecer cada vez mais a história, e o time de entidades. Sim, as entidades não são más como pareciam nos contos infantis, e lutam juntas para sobreviver e proteger a natureza.

A beleza desta série é justamente isso, desmistificar o medo que foi criado em torno das entidades que as canções de ninar e estórias infantis provocavam, e mostrá-las com todo respeito que elas merecem.

Temos aparições de importantes criaturas como o Iberê (Curupira interpretado por Fabio Lago), Isac (Saci Pererê interpretado por Wesley Guimarães), Manaus (Boto cor-de-rosa interpretado por Victor Sparapane), Camila (Iara interpretada por Jéssica Corés), Tutu (bicho-Papão interpretado por Jimmy London – da banda Matanza), e Corpo Seco que é uma entidade que nem o céu nem o inferno quis e em sua busca por vingança toma o corpo de Luna (Manuela Dieguez), filha de Eric e Gabriela, para executar seus planos.

A maneira como a história é contada e desenvolvida é muito bem feita. A cada episódio vamos conhecendo um pouco mais sobre as entidades e como elas se tornaram quem são. Isso acaba nos aproximando de cada personagem e também os humanizando, além de nos oferecer uma profundidade antes não conhecida. Entender a motivação destas personalidades dá mais sentido para a trama.

Alessandra Negrini em Cidade Invisível

Uma narrativa envolvente e bem construída

Preciso enaltecer sim esta produção. Foi muito bem desenvolvida através de uma narrativa instigante e bem costurada. A curiosidade é estimulada a todo tempo, fazendo o espectador desejar mergulhar cada vez mais na história.

Eu não sou referência, pois sou daquelas que se tiver episódios liberados passo a madrugada assistindo a série. Porém não tem como não maratonar Cidade Invisível, eu simplesmente não consegui parar de ver. Me envolveu demais.

Todas as personagens tiveram seu espaço e relevância bem distribuídos, com cenas lindas explorando a importância de cada uma. O Curupira protegeu a mata e mostrou sua força, o Saci fez suas traquinagens mas também nos mostrou seu lado sensível, o Boto seduziu suas mulheres e de um dos seus amores nasceu uma criança importante, a Iara encantou homens e mulheres com sua beleza e também com sua empatia e generosidade, o Tutu nos mostrou o valor da lealdade, a Cuca o valor da união, e o Corpo seco nos provou que “a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena” (Ops, este ditado não é do nosso folclore, mas está valendo).

Tudo me cativou, os efeitos, o elenco, a fotografia, o roteiro…Contudo o destaque vai para a interpretação da Alessandra Negrini. Que mulher incrível! Ela conseguiu captar toda a essência da proposta. Fez eu me apaixonar pela Cuca, confesso. E olha que muitas vezes eu senti medo da personagem. Mas todo o mistério por trás de sua brilhante atuação foi deveras envolvente.

Foi lindo ver o resultado deste trabalho, ouvir nossas músicas típicas, conhecer mais nosso folclore, e principalmente me orgulhar disso. Sempre me senti triste por muitas vezes a cultura de outros países ser mais valorizada que a nossa por nosso próprio povo. Arrisco até a dizer que muitas vezes nosso folclore é desprezado.

Entretanto, esta obra de arte produzida pela Netflix veio para valorizar nossa vasta cultura. Por isso, estou torcendo demais por uma renovação. Lendas não faltam para isso, e gancho para uma nova temporada tem.

E vocês, já enalteceram nosso folclore hoje? Qual personagem da série mais gostaram?
Nos contem nos comentários.

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