Como maior entendedor do assunto e especialista reconhecido pelo próprio Masami Kurumada, darei a honra de vocês lerem minha análise sobre a mais nova obra do universo de Cavaleiros do Zodíaco, a série em CGI da plataforma Netflix. Obviamente, minha opinião é suprema e, caso não concorde com algo, saiba que você é que está completamente errado, simples assim. Isto posto, vamos para a análise!

Brincadeiras à parte, tenho que admitir que está muito chato ler/ver algumas análises, parte disso porque uma parcela da mídia especializada não entendeu (ou se recusa a aceitar) que esse reboot de Cavaleiros do Zodíaco não foi feito pra quem assistiu ao anime clássico na TV Manchete. Apesar da zoeira no início do texto, posso afirmar, sem dúvidas, que já consumi praticamente todas as obras do universo de Cavaleiros do Zodíaco, não apenas o anime clássico de 1986 e, sim, todas, desde as mais espetaculares como Lost Canvas e Next Dimension (ainda não finalizado) até as mais sem noção e medíocres, como Saint Seiya Ômega, Soul of Gold e o mais recente Saintia Sho. Sendo assim, me sinto bem a vontade para falar sobre o assunto. Divagando um pouco mais sobre algumas das “análises” que vi sobre a animação, o sentimento que tenho é que esqueceram de analisar os pontos-chaves da obra, tais como: enredo, desenvolvimento de personagens, trilha sonora, qualidade da animação, entre outros pontos, e simplesmente passaram a comparar a animação da Netflix com o anime clássico. Entenda que a comparação com o primeiro anime é de fato importante e faz total sentido quando estamos falando de um reboot da franquia, mas uma análise não pode focar apenas nisso. Por fim, por favor, né, tentem deixar o saudosismo de lado! O próprio anime de 1986 não é lá essas maravilhas, e olha que sou um grande fã da franquia! Sem mais delongas (e dessa vez falando sério) vamos a análise:


Ficha Técnica:

  • Título: Cavaleiros do Zodíaco;
  • Data de Lançamento: 19 de julho de 2019;
  • Produzido por: Toei Animation
  • Distribuído por: Netflix
  • Dirigido por: Yoshiharu Ashiro;
  • Roteiro: Eugene Son;
  • Número de Episódios: 6 episódios (Metade da primeira temporada);
  • Classificação: Livre;
  • Gênero : Animação.

Lançado em 19 de julho na plataforma de streamring Netflix, o reboot de Cavaleiros do Zodíaco conta, inicialmente, com apenas 6 episódios. Como esperado, o enredo da série sofreu algumas modificações, se comparado com a história original (mangá), ou com o anime de 1986, entretanto, nada de muito impactante. O maior destaque é a introdução do novo vilão Vander Guraad, antigo sócio de Mitsumasa Kido. Guraad e Kido encontram o Cavaleiro de Ouro de Sagitário, Aioros. O dourado, pouco antes de morrer, explica sobre a importância do bebê que estava em suas mãos (sobre a reencarnação da deusa Athena, os cavaleiros, suas armaduras e o santuário) e confia à Guraad e Kido o bebê e a armadura de ouro de Sagitário (e o futuro da humanidade). Infelizmente, Vander Guraad vê outras possibilidades para esse novo mundo de deuses e cosmos que o foi revelado, acabando por decidir que usaria todo esse poder para derrotar os deuses (incluindo Athena) e qualquer outra ameaça. Enquanto Mitsumasa Kido cria o bebê como sua neta Saori Kido e busca pelos jovens predestinados a tornarem-se cavaleiros e protegerem Athena, Guaard lidera um exército e um grupo denominado de Cavaleiros Negros, composto por jovens que falharam em seus treinamentos para que se tornassem cavaleiros. O objetivo do vilão é recuperar a armadura de ouro de Sagitário, que estava aos cuidados de Mitsumasa Kido. Curiosamente, o visual de Vander Guaard lembra muito o de Jango, líder dos Cavaleiros Negros na obra original. Obviamente, existem outras mudanças no enredo, tais como: Mitsumasa Kido ainda está vivo e o próprio explica para Seiya sobre seu poder oculto e seu destino como cavaleiro de Athena. O torneio da Guerra Galática é secreto, as Armaduras Negras não são cópias/imitações das armaduras de bronze, entre outras. Ocorre que a forma como a história é contada é um tanto quanto apressada. É óbvio que a série teria que resumir alguns pontos, porém o que fica nítido é que isso não foi trabalhado da melhor forma possível, ou seja, acontecimentos que deveriam merecer um mínimo de explicação e destaque são desprezados, ao passo que acontecimentos que poderiam ser resumidos acabam ganhando mais tempo de tela. Esse mesmo problema também ocorreu no filme Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário (2014), que tentou resumir toda a saga dos Cavaleiros de Ouro e a Batalha das Doze Casas em aproximadamente 1 hora e 30 minutos – e falhou miseravelmente – afinal, se você tem que sintetizar mais de 30 episódios de um anime (com aproximadamente 20 minutos de conteúdo cada) em um filme de 90 minutos é óbvio que a última coisa que deve ser feita é um musical de 3 minutos para apresentar um personagem!

Mesmo com um enredo apressado não podemos negar que o desenvolvimento dos personagens principais foi bem executado. Com exceção da Saori/Athena, que não teve tanto destaque (logo não temos como analisar), todos os cinco cavaleiros de bronze são bem trabalhados. De fato houve uma nova roupagem para os personagens, mas a essência de cada um ainda é a mesma, o que nos leva a uma das polêmicas existentes antes do lançamento da série: o Shun agora é mulher! Bem, sinceramente essa “mudança” não mudou em absolutamente nada, então a impressão que temos é que ela ocorreu apenas, e puramente apenas, para que exista uma mulher no grupo principal e o próprio produtor e roteirista Eugene Son confirmou isso logo após a polêmica, veja as palavras dele:

A série sempre teve personagens femininas fantásticas com uma dinâmica forte, e isso refletia na tremenda quantidade de mulheres que são apaixonadas pelo mangá e pelo anime de Saint Seiya. Mas trinta anos atrás, um grupo de garotos batalhando para salvar o mundo sem garotas em volta não era um problema. Esse era o padrão. Agora o mundo mudou. Garotos e garotas trabalhando lado a lado é o padrão. Nós estamos acostumados a ver isso. Certo ou errado, o público poderia interpretar uma equipe totalmente masculina como nós tentando dizer alguma coisa.

Não irei prolongar muito sobre esse assunto para não deixar essa resenha muito grande, porém quero deixar claro que concordo com o foi dito por Eugene, no entanto a escolha feita por ele e pela equipe de produção é que foi problemática. O Shun da obra original é o personagem mais sensível dentre os 5 principais, é completamente contra o uso de violência e ainda usa armadura da cor rosa, ou seja, definitivamente fora do esteriótipo, pegar justamente esse personagem e transformar em mulher não foi a decisão mais inteligente. Considerando o que disse anteriormente, eles vão realmente fazer com que a única personagem feminina seja sensível, contra violência e que constantemente tenha que ser salva pelo irmão mais velho? Acho que, para ser coerente com o argumento apresentado, seria melhor modificar algumas dessas características do Shun (ou mesmo ter escolhido outro cavaleiro de bronze para fazer essa mudança, mas essa opção já é completamente inviável).

Um aspecto que me decepcionou na obra da Netflix foi o visual. Preferia que fosse usado os traços mais tradicionais dos animes, mas já que o CGI foi a escolha, ao menos daria para fazer algo um pouco mais polido. Visualmente não temos qualquer aspecto que chame atenção: armaduras sem brilho, cabelos sem movimentos, rosto (olhos, boca, nariz) sem qualquer tipo de detalhamento, enfim… é só aquele CGI basicão, mesmo. Ok, eu entendo que não tem como exigir que a qualidade do CGI de uma série seja a mesma de um filme. Neste ponto, por mais medíocre que seja o filme Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário (2014), visualmente, ele é bem superior a esta nova série, mas o visual de Cavaleiros do Zodíaco (Netflix) é, definitivamente, de mediano para ruim. Mas, para compensar a qualidade das animações é boa, né, não? Não, é simplesmente preguiçosa. Tem bastante reutilização de cenas e faz uso de cortes e transições como truque para evitar que uma determinada animação mais trabalhosa fosse feita.

E quanto aos efeitos sonoros e trilha sonora? Olha… infelizmente, não tenho nada de bom para falar sobre esse ponto. Os efeitos sonoros são ruins e a trilha é ok, mas sem qualquer música famosa do anime clássico. A música de abertura é simplesmente frustrante, pegaram a clássica abertura “Pegasus Fantasy” e colocaram outra letra, aí você é forçado a ouvir “Pegasus, the Destiny” (Esse não é o nome da música de abertura) no meio da letra e engolir o “Pegasus Fantasy” que já estava na sua garganta esperando para ser cantado. Outro detalhe da abertura é que não foi feita nenhuma versão brasileira para ela. Uma pena, pois a versão de “Pegasus Fantasy” do Angra é muito boa. Por fim, a música de encerramento é uma das coisas “mais nada a ver” que ouvi,. Parece uma música country. Apenas para título de informação, tanto a abertura, quanto o encerramento, são interpretados pela banda The Struts. Nada contra a banda, a música de encerramento é até legal, mas não combina com a série. Fora que, pra quem estava acostumado a ouvir encerramentos como “Blue Forever”, “My Dear” ou “Kimi To Onaji Aozora”, ouvir “Somebody New” é meio brochante.

Para finalizar essa resenha, que confesso estar maior do que eu previa, irei sintetizar os pontos que já expliquei e listar alguns pontos não citados (por serem mais simples), classificando-os em Positivos e Negativos:

  

   PONTOS POSITIVOS:

  • Ótima dublagem (considerando a versão BR, praticamente todos os dubladores do anime de 1986);
  • Mesmo com uma nova roupagem, todos os personagens principais mantém sua essência da obra original, como explicado anteriormente;
  • Algumas referências ao mangá, dentre quais destaco:
    • Armadura de Taça (Next Dimension) aparece bem no início do primeiro episódio;
    • Aioria assistindo a luta de Seiya e Cassius pela armadura de Pégasus;
    • Hyoga foi ao torneio da Guerra Galática com intuito de matar Saori e os outros cavaleiros de bronze (algo que foi modificado no anime de 1986, mas que a série da Netflix preferiu seguir à obra original);
    • Shaka conversando com Ikki logo após o mesmo ter conseguido a armadura de Fênix.
  • Os Cavaleiros Negros da nova série são visualmente “coerentes”. Nunca fez sentindo algum os Cavaleiros Negros do anime de 1986 serem tão parecidos com os protagonistas de bronze;
  • As urnas com as armaduras viram espécies de pingentes (bem parecido com o que foi mostrado no filme Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário), afinal é muito mais prático carregar um pingente do que uma urna gigante nas costas.

 

  

   PONTOS NEGATIVOS:

  • Enredo mal resumido/sintetizado, como explicado anteriormente;
  • Visual e animação de medianos para ruins, como explicado anteriormente;
  • Efeitos sonoros ruins;
  • Novo vilão desnecessário, pois daria tranquilamente para deixar apenas o Ikki como vilão dessa primeira parte. Até entendo, caso exista planos para esse novo vilão no futuro, mas para esse 6 primeiros episódios ele é bem desnecessário;
  • Humor muito forçado. É bacana uma cena ou outra para descontrair, mas o que temos aqui é um humor forçado e em exagero, um exemplo é a cena com a tampa de bueiro.

 

No geral, Cavaleiros do Zodíaco da Netflix pode ser resumido como um reboot bem mediano que não teve coragem para fazer mais mudanças (e melhores)! Consequentemente, acabou não agradando os fãs mais antigos (e acredito que esse nunca foi o propósito inicial desse reboot) e nem consegue atrair novos fãs. Espero que a série melhore e faça sucesso. Como fã da franquia gostaria muito de ver todas as sagas nesse reboot, quem sabe até o Next Dimension (talvez, a aparição da armadura de Taça foi um indício, quem sabe, né?), mas, para isso, é necessário melhorar nos aspectos negativos, aqui, listados. Considerando o que escrito até aqui, minha nota para a nova animação poderia ser tão mediana quanto a própria obra, mas como tenho um carinho especial pela obra de Masami Kurumada, irei dar um 6. Agora, é aguardar para ver como será a segunda metade da primeira temporada.

~Elton