Diferente, desnorteado e acidentalmente divertido. Noite de lobos faz como todo bom galanteador fake: promete uma jornada fantástica cheia de emoção, mistério e aventura, mas entrega uma sonolenta e ardilosa trama de reviravoltas que ninguém entende.

Noite de Lobos (Hold the Dark)
Direção: Jeremy Saulnier
Roteiro: Macon Blair
Elenco: Jeffrey Wright, Alexander Skarsgård, Riley Keough, James Badge Dale, Julian Black Antelope
Fotografia: Magnus Nordenhof Jønck

Quando vi o filme Hold the dark (Noite de lobos) pela primeira vez, confesso que o achei meio bizarro, diferente, um pouco sem sentido talvez no final… Mas, sinceramente, a confusão narrativa chega a ficar em segundo plano com tantas reviravoltas que o filme possui.

O filme baseia-se no livro de mesmo nome escrito por William Giraldi e estrou na Netflix em setembro do ano passado. Tive a oportunidade de vê-lo apenas em 2019 e provavelmente passou batido pra muita gente. Contudo, acho que ele merece uma chance pelas questões abordadas direta e implicitamente que chamaram a minha atenção.

A começar pelas questões explícitas: um escritor meio solitário já nos invernos da vida é chamado por uma mulher a ir ao Alaska para resolver um mistério em relação ao desaparecimento da filha, já que ele é especialista em lobos e tudo indica que a menina foi raptada/morta pelos lobos da região.

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Inicialmente parece um thriller policial com investigação e mistério. Mas aí a mulher me deita nua ao lado do homem especializado em lobos com uma máscara de lobos no meio da noite e, a partir daí, tudo começa a tomar outro sentido!

Nesse meio tempo, o filme passa para o Iraque onde um soldado americano salva uma mulher iraquiana de ser estuprada por seus colegas do exército. Ele toma um tiro e por causa disso retorna aos EUA para rever sua esposa (a mulher lá do Alaska) e sua filha. Quando ele descobre que sua filha foi assassinada, ele parte numa peregrinação para investigar o que aconteceu.

Nesse entrevero narrativo (observe a confusão que isso já virou), há uma metalinguagem tão grande entre homem e natureza que fica muito complexo teorizar tudo. Para não dar spoiler de toda história, apenas entenda que o casal tem uma ligação muito estranha que será explicada no final do filme e o tal escritor mais velho descobre outras verdades que são o plot twist desse roteiro bem bagunçado.  O que realmente me divertiu foram as cenas de tiroteio (até bem filmadas) e de assassinato (mesmo que super mal explicadas). Habitam aqui a subjetividade implícita que comentei.

Nota: os policiais e moradores da região são os personagens secundários na história, mas cada um possui um miniarco a ser explanado pelo filme. O problema é que tudo fica tão embolado que o telespectador se perde ao ver que os roteiristas quiseram falar de racismo, intolerância, a importância da família, da amizade e de ocultismo(?).

O que me ajudou a entender a ideia do filme foi esse ar um tanto melancólico em que todos os personagens estão: uma região inóspita, cheia de gente ressentida por algum motivo e nada hospitaleira. A alegoria da selvageria contida na figura dos lobos que transpassa para os seres humanos tão ou mais brutais quanto a natureza que os cerca.

Estranho, bizarro e confuso:  “Noite de lobos” oferece uma possibilidade de arrancar risos involuntários de quem ousar assisti-lo. Uma mistura de serial killer com thriller de terror psicológico/drama que não diz realmente para que veio.