GOJIRA

REVIEW | Álbum: Magma – Gojira

Quando você se muda, você muda o mundo.

Em 17 de junho de 2016 a banda Gojira lançou o disco Magma. O sexto disco de estúdio da banda francesa é uma das obras mais inovadoras do Metal moderno.

Gojira - Magma

Ficha Técnica: 

Grupo: Gojira

Álbum: Magma

Faixas: 10

Formação: Joe Duplantier (vocal e guitarra), Christian Andreu (guitarra), Mario Duplantier (bateria), Jean-Michel Labadie(baixo)

Gravadora: Roadrunner Records

Ano: 2016

SONORIDADE E RECEPÇÃO

Primeiramente, o disco foi recebido com desconfiança pelos fãs mais puristas da banda. Isso ocorre em razão do novo direcionamento dado à sonoridade do grupo francês. Entretanto, a recepção por parte da crítica foi sensacional, sendo eleito pela revista Metal Hammer o melhor disco do ano de 2016. Não obstante, recebeu críticas excelentes por parte de grandes revistas especializadas como Kerrang! e AllMusic.

A estranheza dos fãs mais antigos se deu pela novas influências atmosféricas do Gojira. Magma, embora técnico e pesado, é menos agressivo e frenético que os clássicos The Way Of All Flesh (2008) e From Mars To Sirius (2005). Certamente, é o disco mais sentimental, pessoal e introspectivo da banda. O álbum traduz o sofrimento de uma fase complicada dos irmãos Joe e Mario Duplantier, que perderam sua mãe para um câncer terminal durante o processo de composição da obra.

A ira característica da sonoridade da banda ainda está lá, mas dessa vez, não se restringe às causas ambientais. Em Magma, o desespero e a espiritualidade do quarteto francês são manifestados através de melodias inpiradoras contrapostas aos riffs estridentes de Andreu e Duplantier. Aliás, Joe demonstra, mais uma vez, que não está acomodado e tem a sua melhor performance vocal da carreira.

Mario, Jean Michel, Christian e Joe

THE SHOOTING STAR

A primeira faixa do disco é uma jornada estelar e extremamente atmosférica. Já em suas primeiras notas é possível notar a direção que será tomada em todo disco. A introdução culmina em um riff arrastado que dá o tom da canção. Os vocais de Joe são a grande surpresa, apostando na voz limpa como poucas vezes havia ousado. A canção encerra com uma sensação nostálgica.

SILVERA

Em contraste com a calmaria de “The Shooting Star”, Gojira lança a primeira pedrada. Evidentemente, “Silvera” é uma das canções mais marcantes do Heavy Metal moderno. O riff “oriental” já demonstra a originalidade da canção e Mario Duplantier, considerado um dos melhores bateristas da geração, contribui para o frenezi da música. A letra da canção expressa todo o ativismo dos integrantes, defensores das causas ambientais e colaboradores da Sea Shepherd Conservation Society, com um discurso direto. Resumidamente, “Silvera” fala sobre a capacidade do ser humano de transformar a realidade através da sua conscientização e critica a exploração dos animais.

Time to open your eyes to this genocide
When you clear your mind you see it all
You’re receiving the gold of a better life
When you change yourself, you change the world

THE CELL

A terceira faixa inicia com uma porradaria insana por parte de Duplantier. Assim, o destaque da canção, do início ao fim, fica para a “cozinha da banda”. Jean-Michel, notável pelas suas enérgicas performances ao vivo, com suas linhas de baixo dá todo o peso e equilibrio necessários para os riffs de Christian e Joe e a tradicional “ignorância” de Mario.

STRANDED

Então, um riff estridente anuncia a chegada de “Stranded”. As influência de Groove Metal dos franceses ficam evidentes nessa canção. Assim, essa é a típica música para balançar a cabeça. O refrão é extremamente cativante, alternando entre os gritos de Duplantier e o riff groovado mencionado anteriormente. Destaque para a segunda parte da faixa que invoca novamente ao lado atmosférico da banda. Novamente, Duplantier explora a sua voz limpa e encerra a canção com um grito desesperador. Quanto ao aspecto lírico, é notável a melancolia de Joe ao descrever a perda de sua mãe e a sensação de desamparo. “Stranded’ é aquele típico caso de canção que ganha poder ao vivo.

YELLOW STONE

Uma curta faixa instrumental que funciona como uma espécie de “introdução” para a segunda parte do disco.

MAGMA

A canção homônima do disco retoma a pegada atmosférica de “The Shooting Star”. Já as guitarras, soam extremamente melódicas, arriscando alguns solos, recurso pouco utilizado pela banda. Inegavelmente, a bateria de Duplantier foge do convencional e surpreende em cada passagem. Assim, Joe demonstra sua versatilidade vocal em um refrão cativante. Vale ressaltar o trabalho de Jean-Michel, cujas linhas de baixo pulsam nas faixas menos “sujas”.

PRAY

A sétima canção do disco evoca a um clima tribal. “Pray” é sombria, densa e arrastada. Novamente, o destaque fica para as percussões insanas de Mario Duplantier, que bebem muito da influência do Sepultura. Essa é uma das canções emblemáticas do disco, abordando crenças, quase como um culto ao poder da natureza. Vale destacar a incrível “versão estendida” que a banda apresentou no Live At The Red Rocks, em 2017.

ONLY PAIN

Então, essa é uma daquelas canções feitas para abrir shows. O contrabaixo de Labadie pulsa e se transforma em uma massa sonora junto ao sempre impressionante trabalho de Mario Duplantier. Dessa forma, Only Pain é o Gojira em sua essência.

 

LOW LANDS

Talvez a minha faixa favorita do disco. Low Lands é pura espiritualidade. Dessa forma, a canção aborda conceitos como o “pós-vida” e o transcendentalismo. A canção soa como uma prece a Patrícia Rosa, mãe dos irmãos Duplantier. Mais do que isso, essa música diz muito sobre o alívio de dois irmãos ao saberem que sua mãe está livre de todo o sofrimento e dor mundanos. Inclusive, a casa que aparece no clipe é o lugar onde os irmãos cresceram. Ao final, temos a explosão típica do Gojira em um mistura de agressividade, ódio, revolta e toda as emoções primitivas que a banda sabe expressar como ninguém. Low Lands é o encerramento perfeito para o disco.

While you drift away

From all the plagues of this world

You’re put out of misery, giant monster

You won’t have to face it again

Every step of the way gets you higher

LIBERATION

Por fim, como uma extensão de Low Lands, encontra-se “Liberation”, uma faixa instrumental acústica que emana paz após a carga emocional da canção anterior.

 

Portanto, Magma demonstra a maturidade musical do Gojira, desapegando-se das conveniências do Metal Extremo e apostando em novas dimensões da sua capacidade criativa. Mais do que isso, o Gojira ensina que, mesmo em meio à dor e ao sofrimento, possuímos a capacidade de mudar o mundo ao nosso redor. Dessa forma, somos forças da natureza capazes de destruir e reconstruir, como o magma de um vulcão.

NOTA 10

Peralta João Pedro
Estudante e estagiário de Direito, 20 anos, gremista e fã de Heavy Metal.