Resenha do livro: Win, de Harlan Coben.

Win é um personagem polêmico no mundo de Harlan Coben. Melhor amigo de Myron Bolitar, o mais famoso dos personagens de Coben e que mantém uma série de 11 livros até o momento, ganhou sua própria versão com uma narrativa em primeira pessoa. Nesta, vemos um Win mais maduro, mas ainda assim, vemos o Win.

Eis a resenha do livro de um “anti-herói” totalmente envolvente; sendo uma trama com os mesmos elementos característicos do suspense, com enigmas sem fim, do mestre das noites em claro.

RESENHA | Livro: Win – Harlan Coben capa
Ficha Técnica
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2021
Sinopse: Em uma cobertura em Nova York, um homem recluso é encontrado morto. Junto ao corpo, há duas peças dignas de nota: uma pintura de Vermeer e uma mala de couro com as iniciais WHL3 gravadas.

Levado até o local pelo FBI, Win não faz ideia de como sua mala e o quadro que foi roubado de sua família anos atrás foram parar lá.

Mas ele decide que vai descobrir, principalmente depois de saber que o homem assassinado pode estar ligado ao sequestro de sua prima, ocorrido há mais de 20 anos. Na época, ela conseguiu fugir, mas seus captores e os objetos roubados nunca foram encontrados.

Dono de uma apurada capacidade de observação, Win tem três coisas a seu favor para desvendar esse mistério: uma ligação pessoal com o caso, uma enorme fortuna e um estilo único de fazer justiça.

 

RESENHA | Livro: Win – Harlan Coben frase 1


Introdução


Win não é do agrado de muitos… Entretanto, ele pouco se importa com isso. Esse único e simples fato de sua característica com certeza é um fator extremamente importante para que muitos gostem dele, inclusive a que vos fala aqui. Ame-o ou odeie-o!

A introdução de propaganda da Editora Arqueiro fala o seguinte a respeito desta obra-prima:

“Neste suspense inédito de Harlan Coben, o protagonista é o milionário Windsor Horne Lockwood III – ou simplesmente Win, como é chamado pelos (poucos) amigos, entre eles Myron Bolitar.”

Autor – Harlan Coben

É considerado o “mestre das noites em claro” e, também, o “rei da Netflix”. Há várias adaptações já feitas e já confirmadas para as redes de streaming – por além da poderosa Netflix. No entanto, Myron Bolitar, seu principal personagem, ainda permanece no “escuro”. Claro que há descrições de muitas de suas características físicas (mas, principalmente, internas). Todavia, nada de ilustrações… Nada de “pessoas reais” e afins. Assim também é com o Win – melhor amigo, portanto, extremamente importante na saga do Myron.

O Complexo Win

Win é complexo, de muito poucos amigos, mas sempre esteve presente quando Myron precisou. Então, poderíamos pensar que o querido amigo estaria com ele neste livro inédito – o primeiro pela visão integral de um “insano” personagem. Ledo engano.

Vale frisar que Win já foi agente do FBI e, vira e mexe, ele e Myron se aventuram paralelamente, e colaboram, com tal importante corporação. Nesta trama, porém, aspectos da própria família de Win serão revirados, gerações e seus costumes expostos, mas isso não quer dizer que serão divulgados…

Enfim, antes de prosseguir tal leitura, recomendo que – apesar das obras poderem ser lidas separadamente (11 livros do Myron Bolitar e 3 do Mickey Bolitar até este do Win), consigam certo conhecimento prévio do que está por vir. O impacto das revelações, com certeza, será bem maior assim… Ai meu coração!


Personagens de Destaque


Win

“- Não vá me dizer que aquele psicopata engomadinho também está metido nisso.
Não havia quem conhecesse Win e não o amasse.” – Sem deixar Rastros, Myron Bolitar 

Windsor Horne Lockwood III  – Um herói as avessas, talvez… Um justiceiro… Uma versão “real” de Bruce Wayne… Quem sabe? Win é um personagem controverso, pertence ao rol dos “mocinhos”, mas, muitas vezes, extrapola em seus julgamentos e feitos. Ele não é infalível, assim como ele mesmo se define, no entanto não possui muitos arrependimentos, nem costuma se remoer por eles. Ah não ser por um, em específico, talvez…

É muito rico, de uma família americana super tradicional, solteiro convicto, um financeiro dos melhores, sabe diversos estilos de luta e artes marciais. Gosta de jogar golfe, de lidar com armas de fogo, tem um “q” de detetive – já tendo trabalhado para o FBI, inclusive; além de ter “pinta de galã”, ainda que não muito sensível com as palavras e, por vezes, sexista. Já fez muitos estragos, até aqui, com sua “justiça falível”, julgando, condenando, ameaçando pessoas que são, no mínimo, más. Há um vislumbre desta “justiça” já nas primeiras páginas deste texto, com Teddy Lyons.

“A VIOLÊNCIA É INEBRIANTE, MAS NÃO SOU SÁDICO.”

Ademais, ele é conhecido pelo famoso “articule” (palavra usada assim que atende o telefone) e pelo seu gesto, fazendo um triângulo com os dedos, ao pensar em algo muito importante.

Há muito mais para se falar dele, mas encerremos por aqui, por enquanto.

Patricia Lockwood

É a parenta favorita de Win. A prima, filha do irmão do pai de Win, é a chave para toda a trama deste enredo. Patricia tem um projeto chamado “Abeona Shelters” (ou “Abrigo Abeona”) – que já foi mencionado em tramas anteriores:

“Patricia Lockwood preside os abrigos Abeona Shelters para garotas, ou adolescentes, ou moças – seja lá qual fora terminologia correta atual – sem-teto e vítimas de abuso.”

Seu desejo em implementar um projeto social tão importante, veio após ter sido sequestrada e torturada física e psicologicamente, já havia mais de 20 anos, em uma “cabana dos horrores”. Win sempre respeitou o silêncio dos outros. A bem da verdade, ele aprecia muito o silêncio em si. Mas, com o fato de um quadro único e de estimado valor ter aparecido no apartamento de um procurado pelo FBI, assim como, uma mala com as iniciais de Win; a vida de Patricia e todo o seu tormento terá que ser revivido e reascendido.

Aldrich Power Lockwood, pai de Patrícia, foi proibido de entrar no “Solar Lockwood”, principal mansão da família, há muitos anos – o que influencia na presença de Patricia. Detalhes sobre isso vão sendo expostos ao longo da trama.

Os Seis da Jane Street

Win vai procurar e confrontar tudo e todos sobre cada um dos “rebeldes” de 50 anos atrás. Eles são acusados de lançar um coquetel molotov que atingiu um poste elétrico e fez com que um ônibus perdesse a direção; matando assim quase uma dezena de pessoas, e ferindo outras mais. Os nomes “dos seis”: Ry Strauss, Arlo Sugarman, Lake Davies (Jane Dorchester), Billy Rowan, Edie Parker e Lionel Underwood.

Eles pertenciam a um movimento de manifestantes e idealistas. No entanto, a partir do momento em que mataram pessoas, passaram a ser um dos grupos mais procurados e visados da América. Lake Davies se entregou as autoridades, pouco após o ocorrido, e logo foi solta; assim, vivia sob o nome Jane Dorchester. O paradeiro dos demais, entretanto, não era de conhecimento público, até o momento em que Ry Strauss, o líder, foi encontrado morto, junto com o quadro valioso da família de Win e a mala com suas iniciais.

RESENHA | Livro: Win – Harlan Coben com e sem Myron


Desenvolvimento


Diferente dos demais livros de Myron Bolitar, a narrativa deste é totalmente em primeira pessoa. É incrível, pois Harlan Coben parece responder a todos os pensamentos dos próprios leitores quanto a personalidade de Win. Na verdade, por vezes, Win fala diretamente com o leitor:

“Somos todos mestres em racionalização. Procuramos modos de justificar nossa narrativa. Distorcemos essa narrativa para nos tornarmos mais simpáticos. Vocês também fazem isso. Se estão lendo isso, é porque nasceram entre o um por cento que ocupa o topo da população mundial, nenhuma dúvida disso.”

A justiça de Win

Win já começa sua narrativa analisando muito as expressões dos presentes, em meio a um jogo de basquete universitário (clara referência inicial ao Myron Bolitar, que foi jogador). Todavia, não demora nada para que ele narre os seus próprios interesses, que nada tinha a ver com o jogo. Sim, ele estava em outra de suas “missões particulares”, diferente das antigas “rondas noturnas”, onde ele se infiltrava nos mais remotos lugares a fim de “combater o crime”. Só por isso, poderíamos deduzir que, apesar dos anos (há por volta de 15 anos desde “Quebra de Confiança” – primeiro livro do Myron Bolitar, até este do Win), Win não havia mudado. Ledo engano…

Bem, “mudar”, mudar mesmo, não tanto assim… Ele continua sendo um “salafrário”, como ele mesmo se define logo no início. Continua em rompantes de justiceiro, que faz o que a lei de fato não faz ou demora para fazer. Ainda trata as mulheres como “objeto”, ou pior… Afinal, alguns “objetos” parecem que tem valor para ele. Não se apega a relacionamento algum, inclusive, mora sozinho. Gosta de analisar cada detalhe, com todas as suas minúcias, mas detesta verborragia. Devaneios não é com ele… Win é objetivo e pode soar como uma pessoa fria, muitas vezes. Mas, com os poucos mais achegados, ele é realmente muito afetuoso.

“Não estou parecendo o herói dessa história, estou?”

O arrependimento do Win

O que mudou então?

Pouco, mas muito – ainda mais em se tratando do Windsor Horne Lockwood III.

“Tenho poucos arrependimentos na vida. Esse – a forma como tratei minha mãe – é o maior.”

Sim, o que mais me impressionou foi a forma como ele menciona a mãe na “atualidade”. Não vou entrar em detalhes (que estão mais especificados no livro “O Preço da Vitória” – 4º de Myron Bolitar), mas o fato de a “mãe” ser figura recorrente no texto, tem uma importância surreal para os fãs da série.

Os afetos de Win

Que Win gosta de Myron Bolitar, o melhor amigo, é incontestável, o que já nos leva a duvidar de sua suposta “psicopatia”. Win apenas disse a uma pessoa que a amava, e essa pessoa é justamente Myron – o qual, com muita frequência, é citado no livro.

Vale frisar algo que acontece de forma paralela a trama principal e reforça seu grupo fechado de afetos: alguns dos desafetos (já que Win pratica a “justiça com as próprias mãos” óbvio que ele possui muitos desafetos) tentam sequestrá-lo e Win provoca um grave acidente a fim de “tentar” se safar. Muito entorpecido, no hospital ele contempla algumas das figuras mais importantes da sua vida: o primeiro, é, claro, Myron. Depois, ele percebe Ema, a “filha biológica” e, o que mais impressiona e o faz perceber de que, definitivamente, estava delirando – foi perceber a própria mãe.

Somado a essas pessoas, estão a prima Patrícia e o pai de Win, Windsor II.

Patrícia Lockwood e Win

Trama Principal: Win e Patrícia são os grandes suspeitos da polícia pela morte de Ry Strauss, um dos seis da Jane Street. Motivo: um quadro muito valioso de família e uma mala única, com as iniciais de Win. O problema é que a mala pertencia a Patricia. Sendo assim, o FBI retomou as investigações da época do roubo dos dois quadros valiosos dos Lockwood (Vermeer e Picasso, sendo que o Vermeer foi o único encontrado até então) e o sequestro de Patricia, seguido da morte de Aldrich – pai dela.

Já frisei que Win colaborou com o FBI em um passado remoto (antes das tramas do Myron Bolitar, aliás). Então, ele tinha contatos. PT, era um deles. PT havia trabalhado por muito tempo com o Win e não ponho em xeque o seu conhecimento quanto a personalidade deste. Por falar nisso, trata-se de uma característica bem recorrente nas tramas de Harlan Coben. Isto é, o leitor, de fato, passa a ter conhecimento a respeito de tudo o que envolve a trama principal. Mas, isso não quer dizer que a polícia o terá.

Assim caímos em outro “clichê” de Coben: PT pede ajuda ao Win para investigar “os seis da Jane Street”, paralelo ao FBI, pois Win pode fazer o que eles (de acordo com a lei) não podem. Ou seja, “extravase no julgamento da sua própria justiça”, se precisar. Eu ficaria preocupada, senão percebesse o lado humanitário de Win, nem sempre exposto de forma clara nos livros de Myron Bolitar.

Enfim, a trama gira em torno do sequestro da “prima Patrícia”, as mortes e fugas dos “seis da Jane Street” e da personalidade do personagem principal, que alterna entre heroísmo e anti-heroísmo. O fato é que, para ele, nem tudo é preto e branco… E ele não é tão insensível quanto demonstra muitas (e a maioria das) vezes. Talvez ele seja mais parecido com Myron do que pensa…

RESENHA | Livro: Win – Harlan Coben mestre


Considerações Finais


De antemão, já aviso que aqui poderá conter spoilers “pesados”. Além disso, também exporei a minha sincera opinião quanto a trama e, principalmente, quando ao polêmico personagem muito citado aqui e que dá nome ao livro. Esta é apenas a minha opinião, divida a sua comigo se quiser…

Ah, também já aviso que não li todos os livros da série ainda! Quando resenhei “O menino do bosque“, eu não havia lido nenhum dos livros da série “Myron Bolitar”. Minha experiência, até o momento, se resume nos quatro primeiros livros da série e, agora, com Win.

Visão contaminada de fã detected!

Myron Bolitar não aparecer foi o cúmulo:

  • Em quase todos os capítulos, Win menciona Myron;
  • Chega a ter um vislumbre dele quando entorpecido;
  • Foi assunto principal no retorno da Jéssica (antigo amor do amigo);
  • Em quase todas as vezes em que ele adentrava o prédio principal, no qual é presidente – a prestigiosa corretora de valores Lock-Horne Securities, no centro de Manhattan, lembrava do Myron e sua sala desorganizada, cheia de fotos de musicais;
  • Era assunto até com o próprio pai, Windsor II.

“…outra coisa que aprendi com Myron. Provocar o adversário o deixa desequilibrado.”

Enfim, alguém extremamente importante que não esteve com ele fisicamente em um momento de extrema importância, com certeza, frustrou um pouco meu lado de fã. Não houve nem ligações, nada de “articule” para ele…

Win é pai

Pareceu-me algo bem improvável de acontecer com alguém tão meticuloso e que sempre frisou o “não apego” em relacionamentos. Isso, claro, incluía a decisão de não ter filhos. Mas, sendo revelado para ele há “poucos anos”, logo mencionou ter uma “filha biológica” e, pasmem, ela aparece e é bem importante na série do Mickey Bolitar – a saga infantojuvenil de Coben, com o sobrinho do Myron bancando o “detetive”.

O que logo me chamou a atenção, após o “baque inicial”, foi o fato dele falar “filha biológica”. Ou seja, ele não era um pai presente. Mas, mais de se espantar ainda, é o comportamento firme da filha, Ema. Aluna do ensino médio, ela parece a “cópia mirim” do próprio Win (mas, os olhos são da mãe dele); com alguns de seus trejeitos característicos (como formar uma pirâmide com os dedos para pensar), o “apelo visual” para juntar as peças dos enigmas e, o que mais me impressionou: “Você não precisa de uma filha e eu não preciso de um pai, então não precisa me proteger, pode me contar tudo.”

Ficar com a Ema fazia bem ao Win e, apesar de não querer ceder, logo ele passou a se referir a Ema como “filha”, não mais “filha biológica”. De fato, ela se tornou uma pessoa muito importante para ele e a recíproca é verdadeira. Apesar de “gélidos”, Win contou muitas coisas terríveis a ela, mas a poupou de outras – extrema referência ao seu julgamento de valores.

A aparição de Jessica

Não gosto de julgar um personagem não tendo a visão ampla dele, mas com a Jéssica é diferente. Complicado não desgostar dela, após tudo o que ela fez com Myron… Isso se reflete nas falas de Win, ainda que não em seu posicionamento quando ela aparece.

Win faz um breve resumo de como Myron e Jessica se separaram e, muitas atitudes dela, não foram das melhores. Claro que, muitos julgaram as atitudes do próprio Myron enquanto no relacionamento, mas, de verdade, para mim não se compararam as dela. Leia e depois me conte sua opinião!

Por fim, achei de tremendo mau gosto as insinuações lançadas ao próprio Win e a provocação de que iria atrás do Myron.

Win está no sistema, mas critica o sistema

“Dinheiro é poder. Esse não é um romance de John Grisham, do tipo ‘homem contra o sistema’ – na verdade, o homem comum não consegue aguentar isso.”

Por vezes, se questiona se não está sendo hipócrita. Win, com certeza, não hesita em usar do seu dinheiro, bem como, poder para suas causas. Nada contra, aliás! Ao pressionar uma testemunha, por exemplo:

“Mas eu comprei a sua dívida e agora você deve a mim.”

Escala Kinsey

Confesso que receava ler um livro em que o personagem só falasse em “sexo”. Win é viciado e ele admite isso. Chega, inclusive, a mencionar a “escala Kinsey”, que tenta descrever o comportamento sexual de uma pessoa ao longo do tempo e em seus episódios num determinado momento. Mas, não é do feitio de Coben se atentar a tantos detalhes, como tenho visto em outras obras, tais quais a série: “Os Bridgertons”, ou mesmo “50 tons de cinza”. Na verdade, Win pareceu bem mais comportado… A idade? Parece-me que ele se tornou mais seletivo em suas “escolhas”, mas a possibilidade de um relacionamento monogâmico continua sendo impossível.

Win é Psicopata?

Eu não sou psicóloga e seria de extrema arrogância tentar diagnosticar alguém. Win teve uma vida abastada, mas complicada. A família guarda muitos segredos e muita obscuridade, o que ele afirma ser inerente a famílias tão tradicionais e poderosas como a dele. Alguns desses segredos são revelados, mas o mais importante: Win não é tão frio como parecia ser em algumas das tramas passadas (série Myron Bolitar).

“Extremismo e indignação são simples, implacáveis e merecedores de atenção. Racionalidade e prudência são difíceis, exaustivas, tediosas.”

Deixando de fora o seu círculo ínfimo de amizade verdadeira:

  • Win é sensível o suficiente para contar a idosos sobre uma grande tragédia da melhor forma que conseguiu, por exemplo;
  • Mesmo precisando falar muito com o pai debilitado, pós AVC (derrame), não o perturba quando este está descansando;
  • Protege alguns cidadãos que, por meio de muitas provas concretas, considera “inocentes” de um mal que poderia levá-los a morte;
  • Se a lei estiver atenta, ele deixa a cargo dela, apenas dá um empurrãozinho se necessário;
  • Ele respeita as diferenças das pessoas, ainda mais das que ama.

“Sou filho do meu pai, mas não sou meu pai. Ele fez o que achou melhor, e eu o amo por isso.”

Enfim, acredito que seja um personagem muito bem construído a fim de nos fazer confrontar com nossos próprios pensamentos e crenças; moral e eticamente. Há quem o ame e há quem o odeie! Meio termo, é bem difícil de encontrar…

“Vocês vão discordar de algumas das escolhas que faço. Não se aflijam. Nem eu sei se elas estão corretas. Se tivesse certeza, estaria provavelmente errado.”

Referências aleatórias no livro

Além do Myron, encontre Hester Crimstein (Não conte a ninguém, O menino do bosque e outros livros) e Saul Strauss (também de O menino do bosque) sendo citados aqui. Só foi um gosto! Também não houve qualquer interação…

Sadie Fisher, a advogada que alugou a sala do Myron no edifício do Win, aparece com um caso bem paralelo a tudo. A importância principal disto: reforçar o caráter do personagem em questão.

Ah, aliás, Win tem uma parenta brasileira: tia Aline, mãe da Patrícia. Brasil marcando presença! … Mas não muito.

“Ora, vocês sabem!” – frase recorrente do Win

Sei o quê?? Afinal, quem era o ator da Marvel que estava ao lado dele no jogo de basquete? Ou a modelo famosa com quem ficou?? Sou muito ruim de referências…

Tramas de Harlan Coben

Por fim, revelo que, a princípio, não me surgiu o ímpeto de entrar para os “Harlanlovers” (fãs do autor). Já tinha lido “Seis anos depois“, há seis anos atrás (reparem na comicidade) e “O menino do bosque”, neste ano. Apesar de serem tramas incríveis, não conseguia me apegar aos personagens… Isso porque, Harlan parece reservar os melhores para a série do Myron Bolitar. Aliás, tal série, tão premiada e vendida pelo mundo, aparentemente só vai terminar quando “Myron encontrar a felicidade”.

Myron é, sem dúvida, meu personagem favorito. Seguido do Win, claro. É difícil desvincular os dois, afinal, são o “Batman e Robin” das artimanhas de Coben.

No entanto, afora os personagens que, muitas vezes, são pouco desenvolvidos – as protagonistas femininas são as que mais pesam por aí. Mas, vamos relevar por ora…

Enfim, hoje sou “harlanlover”, fazer o quê? Como já diria o Win: me julguem!

“Mas desde quando me importo com o que vocês pensam?”

Concluindo: Win é um livro, primordialmente, feito para os fãs da série Myron Bolitar. Se você é fã, é indispensável. Contudo, por assim ser, você também lerá com uma “visão contaminada” – goste ou não do Win. No entanto, com certeza, as referências serão bem melhor compreendidas e sentidas se você já acompanha desde os primórdios da série pertencente ao final do século XX até os dias de hoje.

Vocês também sentem uma imensa pressão ao resenhar uma obra de tão estimado valor? Enfim, deixa eu parar por aqui…

Curiosidades


Coben já teve suas obras traduzidas para 45 idiomas, contando mais de 75 milhões de exemplares vendidos. Vários de seus livros foram adaptados para o cinema e para séries de streaming, entre eles O inocente, lançada pela Netflix. Ademais:

  • Em 2022 “O menino do bosque” ganhará sequência;
  • “Fique Comigo” (Stay Close) do Harlan chegará em 31 de outubro na Netflix;
  • O primeiro livro de Mickey Bolitar, Refúgio, será adaptado para as telas, tendo Jaden Michael como protagonista.

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Por me fazer, definitivamente, me tornar “harlanlover”:


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