Não é novidade que mais um livro de John Green esteja fazendo tanto sucesso quanto suas publicações anteriores. O autor conseguiu, mais uma vez, conquistar seus fãs (e atrair novos) com uma história emocionante, causadora de aflição e cheia de frases que merecem ser sublinhadas e levadas para toda a vida. 

Após o sucesso de obras como A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, que foram adaptadas para o cinema, John ficou 6 anos sem lançar um novo título e, em razão disso, é óbvio que os fãs estavam com profundas saudades de suas narrativas (me incluo nessa), e, como já era de se esperar, após anos de hiatus, ele nos presenteia com essa história que nos faz querer devorar o livro inteiro sem largá-lo até chegar à última página, e, ao chegar, ficamos com a sensação de que o lemos muito rapidamente e sentiremos falta de passar um tempo com personagens que nos apegamos de forma tão intensa.

Publicado em outubro de 2017, em Tartarugas Até Lá Embaixo, acompanhamos a vida de Aza Holmes, uma garota de 16 anos que tinha tudo para ser alguém “normal”, mas já nas primeiras páginas descobrimos que ela possui algumas peculiaridades quando se trata de germes, bactérias, fluidos corporais e mania de limpeza.

Aza tem TOC e isso lhe acarreta enormes crises de ansiedade juntamente com situações de imersão dentro de sua própria cabeça. Em alguns momentos ela fica tão presa em si mesma que esquece o que está havendo ao seu redor, em consequência de seus conflitos internos e pessoais. Essa condição a deixa em estado de alerta o tempo inteiro e não a permite viver de forma espontânea e natural, levando em conta que a todo instante ela acredita que seu corpo será invadido por criaturas microscópicas.

“O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais, sabe? Na vida real, algumas coisas melhoram e outras pioram. E aí a gente morre.”

Em meio a esse turbilhão de problemas que fazem parte da vida de Aza, surge um mistério em Indianápolis, onde se passa a história. Um bilionário renomado, pai de um amigo seu de infância, desapareceu e ninguém possui pista alguma do que pode ter acontecido com ele. Como uma forma de tentar amenizar a agonia de Davis e Noah, filhos do bilionário, Aza se une à sua melhor amiga Daisy para tentar desvendar tal mistério.

Mesmo rodeada de tantos problemas psicológicos e emocionais, ela tenta levar uma vida normal como a de qualquer adolescente, apesar de não se achar nada comum, e embarca nessa jornada do enigma do desaparecimento, onde vai aos poucos compreendendo mais de si mesma e dos que a cercam.

“Estar vivo é sentir saudade.”

Esse não é apenas um livro que fala de problemas juvenis e suas vidas complicadas por causa dos hormônios. Nesta história, John Green aborda com enorme sensibilidade sobre os transtornos mentais e as prisões que criamos dentro de nossas próprias cabeças. Não é errado pedir ajuda quando achar necessário e também não devemos julgar como drama ou bobagem uma situação vivida pelo outro.

Quanto ao título do livro, ele remete à mitologia hindu que acredita que a Terra se sustenta no casco de uma tartaruga gigante e embaixo dela há outras tartarugas, ou seja, há tartarugas até lá embaixo… Para compreender onde esse contexto se encaixa na história é preciso adentrar em suas páginas e se aprofundar na metáfora utilizada.

Com o sucesso que este livro está tendo, vamos torcer para que a obra também seja adaptada para as telas nos próximos anos, igual ocorreu com outros títulos do autor.

~GG