A “Bíblia” da Terra-Média!?

De antemão, O Silmarillion é considerado por muitos, como o Antigo Testamento da Terra-Média.

Oi? Calma, eu te explico!

Na verdade, o livro reúne contos dos primórdios da Terra-Média, ou seja, é um relato dos Dias Antigos, precisamente, da Primeira Era do Mundo (a história de O Senhor dos Anéis, vale dizer, é ambientada na Terceira Era).

Em resumo, são lendas provenientes de um passado muito mais remoto, quando Morgoth (sim, existiu um ser maligno antes de Sauron), habitava a Terra-Média, e os altos-elfos guerreavam com ele pela recuperação das Silmarils.

Ficha Técnica

Origem: Reino Unido 
Gênero: Ficção Inglesa (Fantasia)
Autor: J.R.R. Tolkien (Editado por Christopher Tolkien)
Editoras:
Harper Collins Brasil e Martins Fontes 
Ano:
1977

    • Sinopse: O Silmarillion é um trabalho da vida inteira de Tolkien, cujas primeiras versões foram escritas em 1917 (muito antes de O Senhor do Anéis). Embora nunca tenha sido publicado em vida por Tolkien, este nunca deixou de revisar e ampliar sua narrativa, deixando as instruções necessárias para que Christopher Tolkien, seu filho, organizasse e publicasse o material mais próximo desta excelente obra. O conteúdo quase que bíblico do livro nos conta histórias da Primeira Era da Terra-Média, desde a criação do mundo e dos seres que o habitam, como os elfos, os anões, os homens e os demais seres tolkienianos e a guerra pela recuperação das Silmarils.
Tuor Chega à Cidade de Gondolin, por Ted Nasmith

Sobre o Autor

John Ronald Reuel Tolkien, ou como você preferir, J. R .R. Tolkien, é o autor por trás das obras como: O Hobbit (confira a resenha aqui) e O Senhor dos Anéis.

Atualmente conhecido como o “pai da literatura fantástica”, Tolkien nasceu em 3 de janeiro de 1892 e durante sua trajetória, teve uma ilustre cadeira acadêmica, sendo então agraciado com os títulos de Comendador do Império Britânico e de Doutor honoris causa em Londres pela Oxford University.

Resumidamente, seus livros foram traduzidos para mais de 30 idiomas e venderam mais de 50 milhões de exemplares no mundo todo.

Contudo, não viu esta obra ser publicada, pois faleceu em 2 de setembro de 1973, quatro anos antes do lançamento de O Silmarillion.

Sobre o Editor

Constantemente, quando você ouvir sobre as obras de Tolkien você também vai ouvir falar de Christopher Tolkien. Nascido em 1924, o filho mais novo de Tolkien ficou conhecido como o principal editor das obras póstumas de seu pai.

O “arqueólogo da Terra-Média” conseguiu compilar O Silmarillion em 4 anos e teve ajuda de Guy Kay, a quem menciona no prefácio da obra.

Em suma, no decorrer dos anos, passou a vida a estudar os trabalhos do pai e assumindo a responsabilidade do Tolkien Estate (órgão que gerencia as obras de J.R.R.Tolkien).

Infelizmente, o primeiro leitor de O Hobbit e guardião das essências de Tolkien faleceu este ano em 16 de janeiro.

A divisão do livro

Primeiramente, cumpre dizer que a obra se divide em:

  • AINULINDALË: conta o mito da criação do Universo;
  • VALAQUENTA: descreve a natureza e os poderes de cada um dos deuses;
  • QUENTA SILMARILLION: relata a guerra entre Morgoth e os Altos-Elfos para a recuperação das Silmarils;
  • AKALLABÊTH: narra o apogeu e a queda do reino de Númenor, no final da Segunda Era;
  • DOS ANÉIS DE PODER E DA TERCEIRA ERA: conta os principais acontecimentos narrados em O Senhor dos Anéis e os grandes eventos do final da Terceira Era. 

Isso quer dizer que além da história das Silmarils, há outros contos mais curtos intimamente relacionados ou não, ao QUENTA SILMARILLION que dá o nome ao livro.

Evidentemente, é importante dizer que as Silmarils são 3 grandes jóias equiparadas ao Santo Graal, em minha humilde opinião, uma vez que toda a narrativa da presente obra, ainda que indiretamente, trata da sua criação e a guerra pela sua retomada.

Sobre os personagens

É impossível tratar de todos os personagens do livro, uma vez que a quantidade de nomes é imensa. Assim sendo, Christopher Tolkien nos agracia ao final do livro, com um glossário completo: com nome, breve definição e referência às páginas.

Ademais, após a criação do Universo, os elfos passam a protagonizar boa parte dos contos de O Silmarillion e apesar de seus feitos serem fabulosos, é neste livro que deparamos que esses seres também possuem defeitos e por consequência, se tornam mais palpáveis à realidade humana.

Quanto aos homens, estes também adentram à obra de O Silmarillion com suas histórias e muitas vezes se envolvem direta ou indiretamente às tramas dos elfos.

Em suma, os personagens de O Silmarillion possuem arcos bem construídos e são extremamente interessantes.

Aliás, é nesta obra que você conhece o surgimento de personagens importantíssimos à trama dos livros mais conhecidos de Tolkien, como Sauron, Gandalf, Galadriel, Elrond, entre outros, que não vou mencionar aqui, para não estragar a surpresa.

Alqualondë por Ted Nasmith

Sobre a Narrativa

Não pense que ao ler O Silmarillion você terá uma narrativa leve como o O Hobbit ou O Senhor do Anéis, pelo contrário, a narrativa da obra é densa e consideravelmente lenta para quem não está acostumado.

Mas dê uma chance ao livro, pois conforme você vai lendo, vai se acostumando com os vários nomes e descrições frequentes. E convenhamos, os melhores livros são esses, não!?

Ademais, apesar de ter uma leitura extremamente difícil, o livro encanta com as histórias repletas de conflitos da vida real, como a inveja, a ambição, a morte, a amizade, a perda, o amor, a superação, somados a momentos trágicos e melancólicos.

Destaca-se ainda, que por ser um compilado de mitos e lentas criados por Tolkien, a leitura é mais livre, ou seja, se você ler apenas os contos que te interessam, não vai se perder na narrativa, ainda que cada história tem a sua relevância.

Curiosidades

Curiosidade 1: A saber, três contos de O Silmarillion tornaram-se obras individuais, como se pode ver em:

  • A queda de Gondolin,
  • Os Filhos de Húrin e
  • Beren e Lúthien.

Curiosidade 2: Edith Tolkien, esposa do autor, foi a inspiração para o conto de Beren e Lúthien e nas lápides do autor e sua amada se encontram os nomes gravados dos personagens.

Curiosidade 3: Tolkien era um amante das línguas, por conta disso, sugiro que você não negligencie os Apêndices da obra que contêm notas compiladas dos idiomas criados pelo autor: Quenya e Sindarin.

E é isso, pessoal!

Não deixem de ler O Silmarillion, pois tenho certeza que será uma experiência maravilhosa para quem ama ou quer conhecer com mais profundidade, o universo de O Senhor dos Anéis.

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Até mais, e obrigado pelos peixes!