O retrato de Dorian Gray
Ficha Técnica
Autor: Oscar Wilde
Editora: Penguin
Ano de lançamento: 2012*
Sinopse: Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” – no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor. Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central – um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado – tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.

 

Um clássico é um livro que ainda não acabou de dizer tudo que queria dizer. A primeira publicação de “O Retrato de Dorian Gray” na Lippincott’s Monthly Magazine, gerou críticas nada gentis, palavras como: “impuro”, “venenoso” e “nauseante”, foram utilizadas. Além disso, o adjetivo mais usado pelo leitores na época foi “imoral”. Isso tudo sendo que a Editora já havia censurado vários trechos.

Em 1891, quando a obra foi publicada em sua versão final, foi recebida mais uma vez com escândalos. Então vamos falar sobre esse clássico polêmico.

Julgamento

Primeiramente, gostaria de ressaltar a importância de conhecer um pouco mais sobre o autor para ter uma ideia maior da grandeza desse livro. Vale lembrar que Oscar Wilde foi condenado na época por “sodomia” e “exposição indecente”, e a obra foi usada como prova de sua “indecência”. Foi exposto durante seu julgamento que Wilde mantinha relações com outros homens, e o livro seria um tipo de espelho disso.

Oscar Wilde chegou a falar sobre o que cada personagem carregava de si: “Basil Hallward é o que acho que sou; Lord Henry é o que o mundo acha de mim; e Dorian é o que eu gostaria de ser, talvez numa outra época”.

O Retrato de Dorian Gray

O livro conta a história de Dorian Gray, um jovem bonito e tímido, que devido isso acaba ganhando o fascínio de Basil Hallward, um pintor que decide retratar a beleza de Dorian em um retrato. Durante um dos dias que o rapaz está posando para o pintor, ele acaba conhecendo Lord Henry Wotton, que encanta Dorian com suas ideias sobre a aproveitar ao máximo a juventude, e de como tudo aquilo passa rápido.

Pensando nas palavras de Henry e em como manter sua beleza intacta igual a que mostra no quadro, Dorian acaba fazendo o pacto faústico. Dessa forma ele manteria sua juventude e beleza, enquanto o quadro sofreria as consequências.

“Como é triste! Eu vou ficar velho e horrendo e medonho. Ele jamais envelhecerá além deste dia de junho… Se pudesse ser diferente! Se eu permanecesse jovem e o retrato envelhecesse! Por isso — por isso — eu daria tudo! Sim, não há nada em todo o mundo que eu não daria! Daria a minha alma por isso!”

Consequências

Após isso os acontecimentos dos livros seguem e as tragédias começam a aparecer.

Durante toda a história somos levados a pensar sobre a valorização da beleza, e até onde as pessoas podem chegar por ela.

“Diz-se às vezes que a beleza é apenas superficial. Pode ser. Mas pelo menos não é tão superficial quanto o pensamento. Para mim, a beleza é a maravilha das maravilhas. Só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo reside no que é visível, não no que é invisível.”

Dorian começa a se mostrar cada vez mais perverso e cheio de ideias que são alimentadas por Lord Henry. Frequentemente ele se envolve em diversos casos amorosos, e corrompe sua alma de várias maneiras, tudo isso sem sentir na própria pele os efeitos dos seus atos. Em contrapartida vemos esses efeitos no retrato, que passa a envelhecer e carregar as marcas de todas as tragédias.

Então os demais detalhes deixo para você descobrir e se surpreender enquanto ler.

Sobre a Leitura

A leitura nem parece aquelas que já estamos acostumados em diversos clássicos, pois a escrita do Oscar Wilde é fácil de ler e flui muito bem. Ainda assim, também temos partes mais “cansativas“, como as descrições muito detalhadas dos prazeres de Dorian Gray.

Por fim, a obra tem hoje adaptações cinematográficas, teatrais e é referenciada em outros diversos tipos de arte. Dessa forma, vou deixar aqui a minha extrema indignação pela adaptação cinematográfica de Oliver Parker (2009), que é uma das piores que já tive o desprazer de assistir.

Sobre o Autor

Oscar Wilde (1854-1900) foi um escritor irlandês, autor da obra “O Retrato de Dorian Gray”, seu único romance, considerado uma das mais importantes obras da literatura inglesa. Escreveu novelas, poesias, contos infantis e dramas. Foi mestre em criar frases irônicas e sarcásticas. Para conhecer mais sobre o autor clique aqui.

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