Resenha do livro “O menino do bosque” de Harlan Coben.

E se, de repente, fazendo uma trilha, algo bem softrelax, você se deparasse com uma criança e ela estivesse sozinha? Pois, foi o que aconteceu com Harlan Coben na realidade e, desta, ele transpôs ao próprio imaginário. Assim, deu vida a sua 18ª história – marcada por muitos mistérios, reviravoltas e um pouco de sangue.

capa o menino do bosque x
Ficha Técnica
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2021
Sinopse: Há trinta anos, um menino foi encontrado vivendo na mata como uma criança selvagem. Ao ser interrogado, ele não sabia nada sobre seu passado. Agora, já adulto, Wilde ainda não tem nenhuma lembrança confiável sobre suas origens.

Quando Naomi, uma garota que mora nos arredores da floresta, desaparece, ninguém parece levar a sério o seu sumiço, nem mesmo seu pai. Até que Hester Crimstein, uma famosa advogada criminalista com quem Wilde tem uma trágica conexão, fica sabendo que a jovem era vítima de bullying na escola.

Ela então pede a Wilde que use suas habilidades e seu instinto especial para ajudá-la a descobrir o paradeiro da menina.

Wilde é incapaz de ignorar uma adolescente em apuros. Só que, para encontrar Naomi, ele deve ingressar em um mundo no qual nunca se encaixou, um lugar onde os poderosos são acobertados mesmo quando guardam segredos que podem destruir a vida de milhões de pessoas.

E são esses segredos que Wilde precisa descobrir antes que seja tarde demais.

 


Introdução


Foi notícia em toda a parte quando, em 1986, um menino, de cerca de 6 anos de idade, foi encontrado sozinho num bosque. Nada se sabia sobre seu passado, incluindo sobre seus pais, procedência e, mesmo, sobrevivência. Afinal, quem criou o Mogli desta vez?

Jornal Harlan - o menino do bosque

Primeiramente, vale frisar que, apesar da história se passar nos tempos atuais e ter sido lançada no meio de uma pandemia; sua escrita foi anterior a tudo o que nos acontece. Isto é, não há qualquer menção a nossa sombria realidade.

O “menino do bosque” foi batizado como “Wilde”, ou “selvagem”, quem sabe, “não-domesticado”… Foi adotado, pôde conviver com vários irmãos afetivos e colegas na escola, mas nunca se deu em grupo. Além disso, trabalhou com a irmã afetiva, Lola, numa agência de serviços especiais particulares, à la FBI. No entanto, no momento em que a história toda se desenrola, Wilde já está por volta dos 40 anos, 1,83 de altura, com 84 quilos. Vive numa ecocápsula, com minimalismo, isolado em determinado lugar de uma mata específica numa cidade pequena de New Jersey, perto de onde foi encontrado aos 6, 7 ou 8 anos.

Ademais, a história é contada em 3 atos, praxe: no primeiro, Wilde investiga um suposto desaparecimento de uma jovem, colega de classe do afilhado Matthew, que sofria bullying; no segundo, a mesma coisa, mas com um “dedo decepado” na história, além de intrigas políticas borbulhantes (que novidade!); e, por fim, o terceiro, a conclusão de tudo isso e o próximo passo rumo ao definitivo do “menino do bosque” na história.

Fiquem atentos ao anel de caveira…


Personagens de Destaque


Wilde

O “menino do bosque”, encontrado sem passado, sem memória, mas bem letrado e alimentado – graças a um “instinto de sobrevivência” e talvez qualquer coisa mais; também foi um soldado e investigador particular ao longo de sua vida adulta. Na atualidade, vive num isolamento autoimposto, e embora tenha tido (e ainda tenha) vários relacionamentos, não pretende formar família ou mesmo, viver em uma; ainda que tenha sido adotado pouco após ter sido encontrado. A irmã afetiva Lola, aliás, vive num total contraste com relação a ele: tem uma família bem grande e está sempre em contato com os pais adotivos.

Wilde vive numa ecocápsula, com minimalismo. Tratava-se de alguém que desconfiava muito de tudo e de todos e, embora não tivesse tanta “tecnologia”, tinha um esquema de segurança razoavelmente interessante. Nada que sobrepujasse sua vivência em florestas, mas interessante. Além disso, Wilde tinha uma inteligência rara, com QI elevado.

Ademais, Wilde também foi comparado ao “Mogli” e “Tarzan”, personagens épicos, de ficção, que foram criados por animais em florestas. Também foi alcunhado de “Boo Radley”, personagem de “O sol é para todos“, um homem solitário, poucas vezes visto pelos moradores de sua região.

Por fim, mas ainda no começo, Wilde proferiu uma frase que até poderia se autocaracterizar:

“A natureza pinta a própria tela., então a gente chega e acha que pode melhorá-la. Nada disso. A natureza deve ser selvagem. Se você domesticá-la, perde o que a torna especial.”

Hester Crimstein

Uma grande advogada, famosa pelo “show bis” com seu programa: “Crimstein contra o crime”; tem um grande papel de destaque aqui. É a primeira a ser envolvida pelo cerne desta história, pelo neto “Matthew”, de 16 anos. Além disso, sofre com a morte precoce do filho David, pai de Matthew, já há vários anos e, de certa forma, isso afeta o relacionamento de avó e neto. Ainda assim, Hester abraça o pedido do neto em ajudar uma colega de escola, mesmo não sendo algo pelo qual se envolveria normalmente.

Ademais, está de flerte com o recém divorciado chefe de polícia quase aposentado: “Oren Carmichael”, com seus quase 70 anos de idade e, ainda, bem vistoso.

Naomi Pine

A garota que é o centro dessa história, pertence a mesma turma de Matthew e sofre bullying constante de vários dos que se consideram os “populares da turma”. Aliás, ainda que Matthew não concordasse, ele também não conseguia fazer nada a respeito. Adotada ainda bebê e, logo, deixada pela mãe adotiva, seus amigos mais próximos pareciam ser seus bichos de pelúcia.

Wilde a descreveu assim quando a conheceu:

“Algumas pessoas parecem inteligentes, ou burras, ou fortes, ou cruéis, ou fracas, ou corajosas, ou qualquer coisa. Naomi parecia estar sempre se encolhendo com medo, como se pedisse ao mundo que não batesse nela, e isso apenas fazia com que o mundo risse na sua cara.”

Matthew Crimstein

Neto de Hester, filho de David (falecido) e Laila (advogada, sem grande relevância para esta história), e ainda, afilhado de Wilde; Matthew é um adolescente que quer se enturmar, ainda sem ter a própria turma. Devido à qualquer resquício de remorso, ele pede a avó, Hester, para investigar o paradeiro de Naomi Pine – isso na primeira vez em que ela sumiu. Sua ação discorre na primeira parte do livro, depois, ele é quase que totalmente esquecido.

Família Maynard

A poderosa “família Maynard” contrastava totalmente com a vida minimalista a que Wilde levava. Carrões, mansões, seguranças, helicópteros… Dash, “dono” de programas famosos na TV, ostentava para si, para os filhos e até para os amigos dele, bem como, dos filhos. Quanto a esposa, Delia Reese Maynard, era chefe do departamento de ciência política da “Reston College”; nada para se atentar ainda. E, o destaque, o filho mais velho “Crash” – o “líder dos populares” e, portanto, o que mais implicava com Naomi. Tratava-se de um adolescente que bancava o valentão e se considerava “muito importante”.

Há ainda mais duas meninas gêmeas, filhas de Dash e Delia, que não têm relevância alguma por aqui.

A família sofre certa perseguição “populista” por apoiarem um político que, aparentemente, é “desprovido de sanidade”, vulgo, louco.

Rusty Eggers

Senador, candidato a presidência dos Estados Unidos. Foi uma espécie de “guru” de autoajuda na televisão e ganhou muita fama, tendo, inclusive um programa próprio – financiado pelos Maynards. Com um passado sombrio, muitos colocavam em dúvida sua sanidade.

Contudo, suas falas são as mais expressivas no dito “cenário político”. Chamo a atenção para a “teoria da ferradura”, no qual Eggers destaca que dois ideais extremos e opostos acabam se encontrando na “curva”, estando, assim, mais próximos um do outro do que do centro”.

Ademais, Rusty Eggers ainda tinha sequelas do acidente de sua juventude, no qual os pais morreram. Com a provável “síndrome do sobrevivente”, nos primeiros três anos ele se afundou em remédios e na depressão, sentindo-se perdido; mas, logo se reergueu e partiu para o seu próprio extremo oposto.

Gavin Chambers

Coronel, chefe de segurança dos Maynard e braço direito de Rusty Eggers.

Saul Strauss

60 anos, advogado, está atrás de Rusty Eggers e seus podres. Já foi próximo de Chambers, mas suas divergências quanto a Eggers os afastaram.


Desenvolvimento


o menino do bosque 1

A de se levar algumas coisas em consideração, antes de tudo: “o menino do bosque“, embora seja o mais atuante por aqui, não é o centro da questão.

Nada se sabe sobre seu passado, isso eu já disse, mas não espere ficar sabendo também. Na verdade, embora tenha começado com isso, logo esta história é posta em segundo plano. Wilde, o famoso “menino do bosque”, que não é “menino” há muito tempo, leva sua vida de forma totalmente despreocupada quanto ao seu passado. Todavia, lá no íntimo, é claro que ele gostaria de obter respostas, assim como qualquer leitor que começou a acompanhá-lo.

Wilde não é do tipo que se deixa impressionar facilmente. A bem da verdade, ele aparenta certa frieza com relação a tudo e todos, não conseguindo conviver com ninguém; embora tenha poucos amigos a quem se dedica. A família do ex amigo “David Crimstein” está nesta lista.

Aos poucos, vamos descobrindo mais sobre a relação de Wilde com a família Crimstein. Hester, a mais antiga, o aprecia bastante, aliás. Os fãs de Harlan Coben devem se lembrar dela no aclamado livro “Não conte a ninguém”. A narrativa é forte na presença de Hester e de Wilde. Enquanto na de Hester transborda vida, na de Wilde, podemos sentir a “reserva”, a introspecção. Ainda assim, por vezes, Wilde se deixa contagiar pelo humor de Hester e pela sensibilidade de determinada situação.

A Ecocápsula

Wilde saiu de uma floresta e voltou a viver em uma. Numa espécie de “trailer”, super ecológico, ele vive a própria vida com o mínimo de recurso possível. Assim a “ecocápsula” é descrita:

“Wilde a havia pintado por fora com uma estampa de camuflagem, para mantê-la escondida. O espaço total era pequeno, com menos de 7 metros quadrados e um cômodo, mas tinha tudo de que ele precisava: uma microcozinha com fogão de indução e uma minigeladeira, um banheiro completo com torneiras que economizam água, chuveiro e uma toalete incinerador, que transformava os dejetos em cinzas. A mobília era integrada: mesa, armários, depósitos, uma cama dobrável – tudo feito de painéis leves do tipo colmeia com acabamento em laminado de freixo. O exterior do ovo era feito de conchas de fibras de vidro com isolamento montadas numa estrutura de aço.”

Você conseguiria viver num lugar assim?

Seu modo de vida influencia, claro, quem ele é. Alguém solitário por escolha, que evita se envolver demais com as pessoas, e utiliza da “tecnologia” apenas para o necessário.

O destaque é Naomi Pine

No entanto, embora Wilde narre boa parte desta trama, o cerne aqui se chama “Naomi Pine”, ou ao menos, o destaque na primeira parte.

A adolescente que sofria bullying parecia disposta a fazer de tudo para ser aceita. Ela fugia com frequência, por isso quando Matthew pediu a Hester que pediu a Wilde ajuda para encontrá-la neste início de história, a polícia pouco deu caso. Naomi foi comparada ao menino do conto épico do “Pedrinho e o lobo”, a quem ninguém dava crédito por já ter mentido e se omitido muito.

O pai adotivo da garota, que vivia na bebida, era quem a criava e pouco deu importância, a princípio, ao desaparecimento dela, o que intrigou mais Hester e Wilde.

Pois bem, Naomi ainda daria um pouco mais de trabalho, principalmente para Wilde, que abraçou a causa dela e, de certa forma, sentiu imensa empatia quando falou com a garota. Foi quase como uma conexão por neurônio-espelho.

 “Naomi conhecia todas às perspectivas melhor do que ele (Wilde) jamais conheceria. Tinha vivido todas elas diariamente. Ele não.”

Enfim, esta história é ligada pelos dois sumiços de Naomi Pine. Ou seja, todo o restante se desenvolve ao redor destes. Há desde intrigas políticas a assassinato, que não necessariamente envolva a personagem. Hester com seu faro e suas demais habilidades de advogada dos “famosos”, sensível a causa pública; junto com Wilde – fiel aos poucos amigos e “teimoso” o suficiente para não desistir facilmente de ninguém; não deixarão restar pedra sobre pedra neste caso – ao menos neste e uma camada de seu envoltório.


Considerações Finais


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Foi uma boa história e gostei muito do Wilde e da Hester, os que mais estiveram presentes na narrativa. No entanto, foi curioso pensar que “Matthew”, neto da Hester e afilhado do Wilde, foi o elo que os ligou na atualidade da trama e “desaparece” na segunda parte da narrativa.

Enfim, vou pontuar melhor alguns pontos muito bons e outros levemente incômodos:

Sobre o Wilde:

  • “Wilde” é mencionado “1019” vezes na história, enquanto Hester “515”, Naomi “329” e “Maynard” (incluindo “Maynards”) é de apenas 164;
  • Traçar o psicológico de Wilde pelo seu modo de vida é épico. Achei de extrema sensibilidade do autor em não associar diretamente o modo como vivia o “menino do bosque” com sua personalidade – o externo com seu interno; deixando a cargo do leitor;
  • Gostei do “contraste” do minimalismo (modo de vida de Wilde) e da ostentação (modo de vida dos Maynard);
  • Gostei muito disso em Wilde também: ser inteligente o bastante para não ser “condescendente” com a Naomi. Apesar de empático, ele soube respeitar os sentimentos da menina e não lhe pregou sermões clichês o que “muitos” acham que ajuda, mas depende da situação, momento, pessoa…;
  • Wilde descobriu muita coisa, mas não levou a “público” nenhuma. Bem, o que esperar do “menino do bosque”? Por certo, ele é um sujeito de opinião bem forte e sensível a diversas causas;

Sobre Hester:

  • Hester foi muito bem aproveitada nesta trama. Querida pelos fãs por já ter aparecido no, talvez, mais famoso livro de Harlan Coben até agora (Não conte a ninguém); a advogada dos “famosos” se mostra sempre “durona” confrontando “grandalhões” em seu programa de TV. No entanto, a narrativa mostra o lado dela sensível e, inclusive, com um “espírito juvenil”. O fato de ainda estar em tratamento para superar a dor da perda do filho David e o flerte com Oren, um chefe de polícia, mostra uma Hester humana e cativante. Aliás, eu gostei das descrições de Hester toda intimidada por estar apaixonada outra vez, como se fosse a primeira vez, mesmo tendo mais de 60 anos de idade. Por certo, o leitor lê uma Hester bem mais jovem do que a idade que “Coben deu a ela”;

Sobre os Maynards:

  • Os “Maynard” são descritos como “muito perfeitos” no início da trama, algo pelo qual o próprio leitor deduz. O casal, inclusive, é dito como o “exemplo” a qual qualquer pessoa almeja em um casamento: apaixonados, um ouve o outro, enfim… Foi outra jogada interessante do autor esta, pois, sabemos que “não existe família margarina” e, assim, isto nos confronta desde o início;
  • A “caveira no dedo” do Crash Maynard é destacada algumas vezes, nos fazendo atentar para algo que pode ser importante futuramente para a trama. Essa é uma jogada importante deixada pelo grande escritor que Coben é;
  • A conversa de Crash com Matthew em um ponto importante no meio da história não fez lá muito sentido para mim, apenas me confundiu como leitora, mas irrelevante para a história;

Sobre Naomi Pine:

  • Olhem essa exclamação em determinado trecho do livro: as “tripas se retorcendo” ao ir para a escola. Naomi, amiga, eu te entendo!;
  • Não vi qualquer ligação ou influência dos “bichos de pelúcia” da Naomi Pine com a história, a não ser que até por gostar deles ela sofria bullying;
  • O “caso Naomi” foi resolvido. Os pais adotivos foram expostos e Wilde pôde descobrir mais sobre a garota que sofria bullying e vivia fugindo de casa. Todavia, tudo o mais fica sugestionado. Aliás, mesmo o da Naomi se choca com a legalidade, com seus segredos tendo que ser ocultos do mundo. Todavia, o caráter de alguns é bem exposto;

Sobre Rusty Egger:

  • Rusty Eggers é importante, mas é secundário nesta história. A oposição chegou a compará-lo a Hitler. Apesar (e talvez por isso mesmo) de saber lidar muito bem com o sistema público, ele não parece ser muito são. O leitor desta história apenas acompanha o que dizem a seu respeito, ainda que acompanhemos também algumas de suas posições de manipulação (principalmente) a massa. No entanto, sobre a vida dele mesmo, quase nada;

Sobre Personagens em geral e referências:

  • Eis alguns personagens de pouca importância que poderiam nem ter sido colocados na história: Laila – apesar de ser mãe de Matthew, ela pouco tem ação nesta história. Pior que ela, as gêmeas dos “Maynard” que foram mencionadas apenas por existirem. Além disso, os amigos do Crash também não influenciam muita coisa, a não ser por seguirem-no;
  • Houve um personagem no presídio, acusado injustamente de assassinato e preso há 30 anos por isso, “usado” para comover Wilde. Pois bem, foi esse o único papel dele na história, infelizmente;
  • Marcas famosas e expressões: 7-eleven e Dunkin’ Donuts foram alguns exemplos do “merchandising” de Coben na história. Patrocínio? Merece! Além disso, algumas expressões presentes em outras histórias também foram destacadas. Como, por exemplo, “articule”, dita por Hester várias vezes em que ela atende o celular,  mencionando pertencer a um “amigo”. Suspeito que seja de um atleta de basquete presente em uma das história de Myron Bolitar;
  • Gostei muito de algumas referências robustas utilizadas para ilustrar a história como a “síndrome do sobrevivente” e o “exército fantasma”.

Criando um Exército Fantasma no Século XXI

Enfim, não posso dizer que me deparei com grandes surpresas. Na verdade, tive algumas pontas de decepção… Contudo, porém, todavia, tudo indica que Harlan Coben continuará tecendo a respeito do “menino do bosque”; afinal, muitos brechas foram deixadas – inclusive, sobre ele próprio, quem abriu a história nos invadindo com enigmas e a fechou com os mesmos enigmas. Aliás, isso é incomum para o gênero a qual esta história está caracterizada.

Seria um “Exército Fantasma”? Espero que não… O livro faz menção a um esquema usado na segunda guerra mundial, ilustrando uma situação atual. Tratava-se de “uma força de elite composta por artistas e criadores de efeitos especiais que trabalhavam com ‘ilusão tática’. Usavam coisas como tanques infláveis e aviões de borracha e até criaram uma trilha sonora de guerra, tudo para montar a versão de um cavalo de Troia do século XX.”

Pois bem, o que me suaviza é saber que Myron Bolitar é um grande exemplo de que Harlan Coben gosta de reprisar seus personagens. Hester já apareceu antes, aliás… Então, Wilde deve aparecer depois.

Contudo, a obra tem tudo o que atrai um leitor “mais que elementar” de Harlan Coben: um protagonista com muitos segredos sobre seu passado, “humanista”, forte e muito inteligente; desaparecimentos; tramas que começam em um ambiente e terminam em outro muito maior; easter eggs para dar e vender, bem como, vários plot twits. É… Estamos falando do “mestre das noites em claro”. Prepare seu café e seu cantinho de leitura aí!

“Elimine o possível e o que restar, por mais improvável que seja, é a verdade” – citação de Arthur Conan Doyle no livro.

Próximo Lançamento

Ademais, “Win” deve ser o próximo “inédito” de Harlan Coben a ser lançado no Brasil. Tendo participação do famoso Bolitar, a história terá como protagonista o milionário Windsor Horne Lockwood III. A editora Arqueiro deve lançá-la em 19 de outubro de 2021.


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