Joël Dicker ambienta no seu país natal o seu romance mais pessoal até hoje: “O Enigma do Quarto 622”.

 

Ficha Técnica
Autor: Joël Dicker
Editora: ALFAGUARA
Ano de lançamento: 2020
Sinopse: Joël Dicker ambienta no seu país natal o seu romance mais pessoal até hoje. Uma história de amor, intrigas e traições – e uma morte misteriosa por decifrar – com a mestria do autor d’A verdade sobre o caso Harry Quebert.

Numa noite de Dezembro, um cadáver jaz no chão do quarto 622 do Palace de Verbier, um luxuoso hotel nos Alpes suíços. A morte misteriosa ocorre em plena festa anual de um prestigiado banco suíço, nas vésperas da nomeação do seu presidente. A investigação policial nada conclui e a passagem do tempo leva a que o caso seja praticamente esquecido.

Quinze anos mais tarde, o escritor Joël Dicker hospeda-se nesse mesmo hotel para recuperar de um desgosto amoroso e para fazer o luto do seu estimado editor. Ao dar entrada no hotel para o que esperava ser uns dias de tranquilidade e inspiração, não imaginava que acabaria a investigar esse crime do passado. Não o fará sozinho: Scarlett, uma bela mulher hospedada no quarto ao lado do seu, acompanhá-lo-á na resolução do mistério, ao mesmo tempo que vai decifrando a receita para escrever um bom livro.

O que aconteceu naquela noite de Inverno no Palace de Verbier? Que crime terrível teve lugar no quarto 622? E porquê? Estas são as perguntas-chave deste thriller veloz, construído com a habitual mestria de Joël Dicker, que pela primeira vez nos leva ao seu país para narrar uma história surpreendente. Um triângulo amoroso, jogos de poder, traição e inveja – nada falta a esta intriga magnética, em que a verdade é muito diferente do que imaginávamos.

 


 

Introdução

Não aguentei esperar.

No Brasil o livro ainda não foi lançado, mas me adiantei na versão portuguesa, de Portugal.

Todavia foi na versão espanhola que verifiquei as diversas opiniões a respeito. As críticas não estavam muito positivas, ainda mais levando em consideração os livros anteriores de Joël Dicker. “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, que já teve resenha feita por nós – confira aqui, tão premiado, fez o autor ser sensação no mundo todo. Sendo assim, os leitores ficaram muito mal acostumados, com certeza.

“O Enigma do Quarto 622” é diferente de tudo o que Dicker já escreveu. 

Logo no início, fica claro a homenagem ao editor, Bernard de Fallois, há pouco falecido, quem revelou o escritor Joël Dicker. O livro é dedicado a ele, aliás.

Mas é diferente… Tudo é diferente…

Desta vez, se colocando mesmo como personagem, Joël Dicker nos apresenta uma nova aventura envolta em enigmas, intrigas diversas e mistérios policiais. Tudo para homenagear o “editor amigo”.


Embarcando na História

Junto com a nova amiga, Scarlett Leonas, parte para uma aventura em busca da resolução do mistério do “Quarto 622”. 

Ambientado em Genebra, Suíça – lugar de origem do famoso escritor, Joël decide se afastar de sua habitual convivência, após um término de um relacionamento “relâmpago”. Reparem na jogada de palavras: 

Sloane 

22/6: um dia para esquecer

622: um quarto para esquecer

Algumas expressões “regionalistas” são diferentes e curiosas em nosso próprio idioma “brasileiro”: “estivera nas tintas”, “foi uma confusão do caraças”, “viu o cinzeiro, na varanda, a transbordar de beatas”… Enfim…

São cerca de 700 páginas de muita história. Muitos personagens caricatos, mas também muita profundidade de sentimentos. Na verdade, tudo parece girar em torno de uma grande paixão… Seja do personagem “Joël Dicker”, seja dos vários outros criados para aliviar sua dor de cotovelo, não deixando de lado a homenagem a Bernard, seu editor de muito tempo.

Temos o Palácio de Verbier, hotel nos Alpes suíços, que guarda o segredo da não existência do número 622. No lugar dele, há o número 621B, algo não recorrente em nenhum outro quarto do luxuoso hotel. Logo perceberam que ocorreu um grande acontecimento naquele quarto, 15 anos antes da visita de Dicker e Scarlett, e eles estão dispostos a desvendar esse mistério.

Frequentemente, é curioso como o “passaporte de escritor” abre todas as portas para o “investigador” Joël Dicker. É íncrível a deferência que um escritor tem em alguns lugares do mundo. Como “escritor”, Dicker é conhecido por qualquer pessoa, seja pelo presidente de um banco tão famoso na Suíça, seja por qualquer dos seus empregados, não deixando, é claro, todo o corpo policial de lado. Assim, chegamos ao escopo!


Meus Incômodos durante a Leitura

A nomeação da presidência de um banco famosérrimo seria revelada, mas algo terrível aconteceu naquela data de Dezembro, há 15 anos, no Palácio de Verbier – local escolhido para as comemorações importantes deste.

A princípio, eu com a minha péssima associação, achei que o morto havia sido Macaire, o filho do antigo presidente, cujo leva o nome do banco – Ebezner. Por outro lado, nada fica esclarecido até os capítulos finais. Seria fácil a sucessão à presidência, se não fosse Lev Levovitch, o “queridinho de todos”, incluindo da mulher de Macaire

Definitivamente, confesso que relutei em fazer esta resenha, pois sabia que teria muito para criticar. Analise esses exemplos:

1 – Má construção da maioria dos personagens: 

  • Macaire é um tolo, os anos não ensinaram nada que pudesse aproveitar. Não tem amigo algum e sua única obsessão é a presidência do próprio banco;
  • Os Hansens, parentes de Macaire, que pertencem ao conselho do banco por cláusula centenária de testamento, quase não têm ação. Por um furo ou outro de Jean-Bénédict Hansen, o primo, quase que os personagens poderiam ser descartados;
  • É difícil decifrar o Lev. Ele parece ter múltiplas facetas. Não dá para perceber, tão logo, o que ele objetiva de fato e se considera, de alguma forma, o Macaire – com quem trabalha por 15 anos, ou qualquer outra pessoa. É um personagem “distante”;
  • Sinior Tarnogol, que exerce muita influência no banco, parece um fantasma. Alguém que não tem passado, nem futuro;
  • Anastácia, esposa de Macaire, não faz muita coisa durante toda trama, ainda que apareça bastante. Mesmo sendo casada por 15 anos, recebe fortes influências da mãe e vive se lamentando por tudo;

Apesar de tudo, gostei da “Arma”, empregada de Macaire e Anastácia. Ela deixa claro, desde o início, a sua predileção. Porém, nem de longe entra no hall dos favoritos na trama. 

2 – Capítulos enfadonhos:

  • Com tantas páginas, a história avançava e voltava. Parecia que “andávamos em círculo”. Não saía do lugar! 
  • Conforme a escrita de Joël Dicker, transposição do tempo e mudança de narrativa – de primeira para terceira pessoa, poderia não incomodar tanto. Porém, Joël como personagem foi terrível. A Scarlett e ele eram o cúmulo da chatice. Me senti assistindo “João Kleber” e seu “para, para, para” – um tremendo balde de água fria a cada capítulo que apareciam. Para piorar, essa narrativa de e com Dicker abriu e fechou o livro;
  • Assim também, a história de “Bernard” não combinou com a história central. Foi uma homenagem meio fora de estação.

Mas, contudo, porém, todavia… Como também é do feitio da escrita desse escritor jovem suíço, em torno da metade do livro em diante a ação verdadeira nos atinge e faz com que não consigamos largar a leitura. Sério! Mal dormi – isso enquanto li e ao passo em que a terminei.


Minhas Considerações Finais

Em síntese, ao encerrar a leitura, me percebi apaixonada por tudo o que havia lido. Houve tempo, e páginas suficientes, para acontecer muita reviravolta. Mal se podia respirar.

Como resultado, foram paixões proibidas e nem tanto, identidades reveladas, segredos sem fim expostos, romances que não dariam certo e deram, romances que não dariam certo e não deram mesmo… Assassinato, amor passional e fraterno… Enfim. Muita coisa! Muito para se ler e viver!

Às vezes compensa persistirmos um pouco… E como compensa! 

Como foi mencionado no livro de “Harry Quebert”, enquanto aconselhava seu pupilo escritor:

“Cerca de meio segundo após terminar o seu livro e ler a última palavra, o leitor deve se sentir invadido por uma sensação avassaladora.”

E diz mais:

“Ao terminar a leitura, por um instante fugaz: o leitor deve pensar em tudo o que acabou de ler, admirar a capa e sorrir, com uma ponta de tristeza pela saudade que sentirá de todos os personagens”.

E finaliza:

“Um bom livro é um livro que lamentamos ter terminado”.

Por fim, enfim e no fim…

Todas estas, e mais, são frases que, neste, me traduziram completamente.

Sei que não teria palavras suficientes para descrever mais o que senti e sinto por este livro. Só sei que, mais uma vez, Joël Dicker me conquistou e deixo a cargo de vocês o meu julgamento: concordam comigo ou não?

Só sei que de mim eu super recomendo, apesar dos pesares. Embarquem nessa leitura!

“A vida é um romance cujo final já conhecemos: no último capítulo, o herói morre. O mais importante, por isso, não é como a nossa história acaba, mas o modo como enchemos as páginas até lá. Porque a vida, como um romance, deve ser uma aventura. E as aventuras são as férias da vida.”


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