“Superação” é a palavra que, a cada virada de página, é exalada desta fantasia distópica. “Numbers: As Runas do Poder”, de Carolina Reginatto, tem muitas características envolventes para o jovem leitor; principalmente para aqueles que são fãs de uma boa aventura permeada em uma realidade alternativa. Afinal, a “união” teria poder suficiente para derrotar os grandes vilões, começando pelos internos?

numbers as runas do poder
Ficha Técnica
Autor: Carolina Reginatto
Editora: Livros Prontos
Ano de lançamento: 2021
Sinopse: Um grande sacrifício foi concretizado. Milhares de vidas dizimadas para garantir a sobrevivência de apenas nove. Durante anos eles foram treinados pelos mentores para este momento. Para que pudessem lutar contra o mal que destruiu não só o mundo deles, mas agora ameaça o atual planeta em que estão: a Terra. Precisarão aprender o verdadeiro significado de amizade, a trabalhar em equipe, confiarem um no outro, dominar as paixões e unir forças para lutarem como um só contra a Rainha Vermelha. O destino de todos está nas mãos desse grupo de jovens poderosos e inexperientes, e eles só têm uma opção: Vencer.

Carolina Reginatto e Numbers
Autora Carolina Reginatto e seu primeiro livro: Numbers: As Runas do Poder

Introdução


Antes de derrotar os problemas externos, é notável a sofreguidão ao enfrentar os internos. A história gira em torno de nove jovens super poderosos provindos de um planeta que não existe mais. O foco, a princípio, é sobreviver para, assim, poder lutar em um momento melhor.

Vamos nos situar…

Vindos do Planeta Shinden à Terra, nove “guerreiros” com poderes especiais tentam sobreviver sendo criados por mentores, pessoas importantes do planeta natal. Criados separadamente, desde criança cada um recebe treinamento diferenciado, explorando seus poderes, indo de encontro com a personalidade de seus mentores.

Shinden, junto com a maioria da população, foi dizimado a fim de não entregar o controle do planeta à vilã intergaláctica conhecida como “Rainha Vermelha” ou “Kaguyan” e seu exército de “reptilianos” encapuzados conhecidos como “Zekens”.

Entretanto, Kaguyan encontrou o planeta Terra e está próxima dos “Números” e de seus poderes. Ela almeja governar o novo planeta, com seus Zekens – traidores e recrutados de planetas pequenos já conquistados, retirando os poderes das Runas e aniquilando os enviados de Shinden.

São muitos obstáculos para alcançar o objetivo. No entanto, apesar de estar claro para o leitor, os heróis desta história não parecem tê-lo como certo ainda. Enfrentar a misteriosa vilã intergaláctica está muito longe para o alcance de qualquer um deles. Porém, sem atropelamentos (não de forma literal), a escritora lembrou bem que antes de andar, um bebê deve rolar, se sentar, engatinhar… Enfim, os nove jovens treinam muito, mas isso não é suficiente. Antes, eles (ou a maioria) precisarão confrontar a si mesmos, descobrindo a verdadeira força interior e, também, terão que aprender a trabalhar em equipe.

E assim, damos às boas-vindas à “Numbers”, o primeiro livro de uma trilogia cheia de reviravoltas, aventuras, dramas e uma pitada de romance; por que não?


Personagens Destacados


Foram nove os jovens enviados à Terra, ainda pequenos, do seu planeta natal: Shinden. Cada qual possui um poder especial, chamado de “Runa”. Seus nomes foram trocados assim que chegaram no planeta azul. – Como não percebi todos os nomes, mencionarei os que consegui juntar com a leitura deste primeiro livro –. Em ordem numérica, são eles:

Número Um: Kylie Collard – Runa Cristal 

A portadora da primeira runa é mencionada poucas vezes, mas seu poder tem papel muito importante ao longo da história. O poder de Kylie pode provocar ilusões ao seu alvo, fazendo-o se perder em pensamentos como se fossem reais. No mundo do mangá/anime de Naruto chamamos isso de Genjutsu. Aliás, parece similar ao espelho “Ojesed” de Harry Potter (“Não mostro o seu rosto mas o desejo em seu coração”) e os testes mentais em Divergente. Em suma, geralmente os afetados são iludidos com algo que queiram e só podem se libertar quando percebem que aquilo não é real.

Número Dois: Dimitri Ivanov – Runa Terra

Era conhecido como “Besta” por ser um exímio rastreador, como o James de Crepúsculo. Ele também não é lá tão destacado, todavia seu poder dará bastante trabalho para o grupo principal.

Número Três: Lorenzo – Runa Rocha

Um dos personagens mais destacados e colocado como ligação entre a turma, Lorenzo é constantemente chamado de “o ruivo” ou “cabeça de fósforo”. É muito amigo da Helena, portadora da Runa Cinco, e teve como mentor o irmão mais velho, Ruan. Ele pode manipular pedras e transformar seus punhos em rochas, assim como, partes do corpo.

Número Quatro: James Crow – Runa Trovão 

É um protagonista forte na trama, junto com Helena. Foi criado pelo mentor, “Bruce”, cujo nome em Shinden era “Lhoris”. Conhecido por ser implacável e até egoísta, o mentor do James o tornou um jovem distante, calado e áspero. Talvez o jovem até tivesse se perdido na solidão, se não fosse William, da Runa 6, amigo incondicional. “Aeron” era o nome do “moreno” também conhecido como “o garoto Crow” em Shinden. Aliás, o irmão mais velho, Itan, é uma memória constante para si. Em suma, capaz de provocar tempestades e muitos raios, James fica com os olhos vermelhos quando está pronto para lutar. Além disso, ele também pode entrar na mente das pessoas, lê-la e apagá-la.

Número Cinco: Helena – Runa Água 

Também conhecida como “a morena” ou “coisa rosa” (apelido dado pelo melhor amigo: Lorenzo, da Runa Três), Helena abre a narrativa com suas memórias perturbadoras dos seus últimos momentos no planeta natal: Shinden. ”A loira” Alejandra, conhecida em Shinden como “general Gália”, é a sua mentora sempre enérgica e não muito piedosa. Helena pode manipular a água, atraindo grandes ondas, e também pode usá-la como propriedade curativa. A kamikaze é altamente envolvida e daria sua vida, sem pestanejar, pelos amigos.

Número Seis: William – Runa Vento

O mais complacente da turma, “o loiro” também se mostra o mais convencido de seu poder a princípio: William pode criar redemoinhos e espadas mortais. Seu mentor é Robert, chamado por Myrin em Shinden, também conhecido como “o grisalho”. É um grande amigo de James, da Runa Quatro.

Número Sete: Dylan Johan – Runa Gelo

Ainda com pouco destaque, o inconveniente “Dylan” chama a atenção por ter sido de uma família importante em Shinden: a Vesryn. Seu mentor é o Erik, chamado em Shinden por Arannis, que parece lamentar pela criação que deu ao garoto.

Número Oito: Elizabeth

Ainda com poucos detalhes a respeito, Elizabeth tem uma vida de “nômade” e solitária até que possa se reunir com o grupo principal.

Número Nove: Chang 

Também não tem grande destaque ainda. Seu mentor é Kun, cujo nome em Shinden era “Beiro”, alguém de destaque no conselho do planeta natal.

livro numbers as runas do poder
Um Zeken segurando o livro?

Desenvolvimento


Nossos heróis, apesar de crescerem e viverem no planeta Terra, não demonstram grande interação com os humanos. A aparência deles é muito similar à dos habitantes da “nova terra”; no entanto, seus poderes, e os inimigos atraídos por eles, parecem afastá-los, seja por meio natural, seja por meio trágico. – Ou seja, espere muita morte! –

Acredito que o leitor consiga perceber e sentir bem os personagens com suas personalidades e peculiaridades. A princípio, são destacados a Helena, com sua mentora Alejandra; o James; o Lorenzo e o William com seu mentor Robert. No grupo percebemos cada individualidade, com evoluções muito fortes e marcantes das características pessoais – no momento em que se unem. E, apesar de estarem em guerra, lemos neste primeiro livro apenas momentos rápidos de “pequenas” batalhas. A guerra mesmo parece longe de terminar, assim como o alcance ao alvo principal dela. Aliás, só temos alguns vislumbres da grande vilã até então.

Os Zekens, lacaios da “Rainha Vermelha”, estão atrás de todos os portadores das Runas. Objetivam matá-los e retirar-lhes o poder (não exatamente nessa ordem); buscando um em especial. Desse modo, quando as circunstâncias são contrárias, nossos heróis fogem… – Claro, com uma luta ali e acolá, mas no geral eles fogem. – É como um lema que vi outro dia numa animação de sucesso (A Lenda de Aang): “sobreviver hoje para lutar amanhã”.

Heróis prontos?

Claro que incomoda um pouco perceber que nem sempre os “heróis” agem com escrúpulos, tendo que roubar e até chegam a usar, indiretamente, humanos como escudos. Há muitas mortes e, certamente, não tinha como não chamar a atenção… Fosse dos de Shinden, fosse dos humanos. – Achei estranho não perceberem o “alarde” que faziam, pareceu até um plano meio furado da “Rainha Vermelha”, mas isso foi no início… – Quando todos os “sobreviventes” se unirem pela única causa, acredito que os ajustes serão feitos e enfim parecerá que temos uma chance de ver o amanhã; até porque, no momento, as coisas não parecem muito boas para o lado dos heróis não…

Contudo, apesar das muitas derrotas, muitos obstáculos também são superados. Deixando um pouco a instabilidade e gerando um espírito mais forte e determinado, cada “guerreiro” se torna mais preciso naquilo que tem para fazer, jogando para escanteio, ao menos por enquanto, o que não tem relevância na guerra… Ainda que estejamos falando de um “romance romântico” entre eles, por exemplo.

Alfinetadas pontiagudas bem discretas…

Alguns pontos na estrutura do texto podem incomodar o leitor. Há alguns erros gramaticais, mas o que pesa um pouco mais são os “pronomes adjetivos” em excesso. Atualmente muitas editoras têm evitado se referir aos personagens segundo características “capilares”, como por exemplo: o ruivo, a loira, a morena, o grisalho…  Essas referências podem ser cansativas para quem lê e complicadas para o período politicamente correto que vivemos.

Quanto à história em si, alguns pontos frequentes em que os personagens agiam de modo conivente ou repetiam a balela de “não ter escolha” e, assim, justificarem a tomada de atitudes drásticas; também me foi muito sentida. Pareceu que, dessa forma, a vida dos nossos “heróis” valiam mais do que a dos de sua volta. – Não é assim, eu sei! Não combina com o contexto! – Claro que isso vai mudando ao longo da narrativa, mas é algo sutil, ainda que com ponta afiada e, por consequência, bem dolorida. Carolina Reginatto, a escritora, usa de muita habilidade para narrar o amadurecimento, não só dos jovens de Shinden, mas também de seus experientes mentores.


Considerações Finais


“Rainha Vermelha”, a vilã desta história, é um nome comum para os “amantes de fantasia”. Sendo assim, logo podemos remeter ao nome homônimo da série de livros de Victoria Aveyard. No entanto, a autora de “Numbers” destaca como seus favoritos e inspiradores obras como “Crepúsculo”, “Harry Potter”, bem como, “O Senhor dos Anéis” – considerados clássicos no meio e precursores de muita moda criação do mundo de sucesso da fantasia.

Por exemplo, a série da escritora brasileira FML Pepper “Não Pare” mostra alguma similaridade com esta da Carolina Reginatto, mostrando a evolução gradativa do emocional dos principais. Todavia, na trilogia da Pepper, a heroína é uma só e a narrativa é penosamente em primeira pessoa. “Numbers”, sendo em terceira pessoa, conseguiu permear pelos vários personagens destacados de forma muito bem feita e fluída; ainda que tenha ficado claro que a história não terminaria no primeiro livro (mesmo para um leitor que, como eu, não tenha visto as informações adicionais da obra e, desse modo, não sabia, a princípio, que seria uma série).

Numbers, o impacto norte-americano…

Por fim, mas bem distante do fim, chamar os jovens heróis de “Números” (ou “Numbers”, como no título) pode soar pejorativo em alguns momentos da leitura, porém só em alguns. A escritora, desta obra fantástica e apaixonante, é do mundo das “Exatas” (ou seja, ela ama “números”) e grande incentivadora emocional. Então, por certo, percebemos muita emoção, mesmo no mais introspectivo dos personagens, muita guerra interna e traumas; todavia, saber o que fazer com tais emoções, utilizando do amadurecimento provindo das experiências de vida, é certeiramente bem destacado. – Ok, há um “apagador de memórias” no meio deles, mas vamos relevar… Pelo menos, por enquanto. –

Nossos heróis estão aprendendo, isto é, ainda estão em processo. Às vezes se apresentam com diálogos e mesmo atitudes não condizentes com as responsabilidades, mas enfim… Acredito que eles sejam mais humanos do que pensam, afinal, não é só de habilidade especial que alguém é feito; nem só de bondade – ponto para a autora!

Agora, é aguardar os próximos livros, dando sequência a este, preparando bem o coração porque, como já dito, emoções não faltam. – Eu garanto, esta história é capaz de mexer com qualquer leitor: seja fã do Naruto, ou não: tem “sharingan”, tem “byakugan”, tem a “cerejeira” e a “coisa rosa”, tem chidori, tem ninjutsu, incluindo a geken genkai do Haku; tem genjutsu, tem chakra usado para curar, tem espada de vento, tem extração de “bijus”, tem discursos motivacionais… 

Gente, é muito bom!!! Leiam!!! A Carolina Reginatto arrasa!!!


Curiosidades


A gaúcha, economista e coaching motivacional: Carolina Reginatto tem grandes chances de ser indicada ao Coerência Choice Awards 2021, premiação da Editora Coerência cujo selo “Livros Prontos” assina a publicação da primeira obra da autora; nas seguintes categorias: Melhor Distopia e Autor(a) Revelação.

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Aproveite e confira a entrevista que o TG fez com a autora AQUI.