Um livro de pesquisas, trazendo nomes de mulheres não tão comuns ou clichês; foi composto por vários autores a fim de homenagear mulheres, cuja maioria, a história não foi nada generosa.

Livros Mulheres que Inspiram
Ficha Técnica
Autor: Rafael Arrais, Natalia Bemfeito, Taoana Padilha, Aline Ramos e Júlia Rena.
Editora: Textos para Reflexão
Ano de lançamento: 2021
Sinopse: A história foi injusta com as mulheres. Dentro da cultura patriarcal, quantas delas tiveram suas trajetórias ocultadas pela narrativa dominante? Filósofas, poetisas, cientistas, guerreiras, monjas, revolucionárias, artistas… enfim, mulheres. Esta obra pode ser vista como uma tentativa de recuperar essas histórias.

Vocês lerão sobre algumas mulheres do Brasil e do mundo tendo suas vidas contadas por outras mulheres-autoras (com a exceção de um único autor honradamente convidado por nossas autoras para também contribuir com este livro).

As autoras são escritoras talentosas. Como realizadoras deste projeto, cada uma se expressou livremente para fazer desta obra uma verdadeira arte. Cada capítulo tem o estilo de quem o escreveu. Cada texto é também sobre uma mulher que inspira as nossas autoras. Autoras e personagens se misturam, assim, criando um texto único, escrito entre quem nos conta e quem tem sua história contada.

Sabemos que Freud, o criador da psicanálise, se perguntou em determinado momento de sua obra: afinal, o que querem as mulheres? Este é o mito da feminilidade como um lugar de mistério, desconhecimento e ocultismo. Muitas coisas já foram ditas sobre as mulheres. Muitas coisas que não são certas. Portanto, antes de dizer qualquer coisa, deixemos de falar por elas, e simplesmente escutemos o que elas têm a nos dizer.

 


Introdução


Com pouco reconhecimento histórico e, em vários dos casos apresentados, muito sofrimento em vida; o livro aborda alguns dados biográficos e citações de estudiosos e famosos atemporais (tais como Camões), sobre personalidades femininas.

É curioso perceber a linha que os autores tiveram para a escolha de suas homenageadas. Além disso, é importante ressaltar que são mulheres destacadas nas diversas profissões, seja na medicina, na liderança político-religiosa, em guerras literais e na escrita também. É perceptível, na leitura, o interesse em comum que os autores tiveram para suas escolhas. Por exemplo: uma médica psiquiatra, destacou outra. No entanto, há de se perceber mais. Contudo, é inegável a importância relatada de cada homenageada, ainda que lutassem tendo viés político – e morressem por ela também, aliás.

Enfim, são poucas páginas com trechos biográficos (48) de 8 mulheres seculares injustiçadas. Acompanhem conosco a fim de perceber algum conhecimento a respeito!


Mulheres Homenageadas


Filósofa Safo

Safo

Segundo o livro, Safo foi uma brilhante poetisa da Grécia antiga que escrevia versos para serem cantados ao som da lira (instrumento de cordas, parecido com harpa). Ela criou uma escola de artes, filosofia e política para as mulheres. Contudo, seus escritos foram quase todos destruídos, sendo mais citada por autores importantes, como Camões. Safo abordava a sexualidade feminina, isso lhe trouxe muitos problemas na época.

Hipátia de Alexandria

Hipátia de Alexandria

Filósofa, exaltada como um “espírito divino” por seus seguidores. Fazia reuniões secretas, pelas quais pouco se sabe. Ela é mais conhecida pela maneira brutal com que foi assassinada: ela foi esquartejada por ideais religiosos-políticos.

Rabia Basri

Rábia Basri

Viveu no século VIII, Iraque. Foi considerada um ser divino, muito religiosa no Islã, e, mesmo escrava, foi liberta por seu dono que acreditou em sua divindade. Alegava-se que dela emanava uma luz e muita sabedoria. Nunca se casou ou teve relacionamentos afetivos, pelo que se soube. Teve poemas atribuídos a ela sobre “amor” e “fé”, principalmente.

“A oração deveria nos levar a um altar
onde não existem
nem muros nem nomes.”

Dandara dos Palmares

Dandara dos Palmares

A esposa de Zumbi é pouco relatada na história. A autora do texto que referencia ela, demonstra certo nervo por pouco lhe darem crédito, sendo que a considera; segundo estudos, uma das mais importantes guerreiras para a libertação dos escravos. Nasceu com o ideal de libertação e morreu da mesma forma, nunca se tornando escrava de ninguém, de acordo com o texto.

“Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz é medo”

Sabina Spielrein

Sabina Spielrein

Mulher com uma inteligência acima da média. Sabina teve problemas psiquiátricos antes de se tornar uma das médicas mais importantes no ramo. Era da Rússia, com ascendência judia. Além disso, teve educação militar, cujo extremo rigor lhe rendeu marcas. Quando médica, viajou em alguns lugares do mundo para palestrar e estudar. Por fim, infelizmente, faleceu no auge da segunda guerra mundial (em torno de 1942), junto com as filhas, quando a Alemanha invadiu a Rússia.

Mãe Menininha do Gantuá

Mãe Menininha do Gantuá

Maria Escolástica da Conceição Nazareth, conhecida como “Mãe Manininha”, foi uma personalidade muito importante no candomblé. Baiana de sangue africano (Nigéria), conduziu o terreiro do Gantuá por mais de 60 anos. Ademais, pessoas de diversos lugares, do Brasil e do mundo, iam até ela. É dita como uma das principais responsáveis pelo aceite de religiões africanas no país. Ela nasceu apenas 6 anos depois da abolição da escravatura. “Mãe Menininha” era tida como “grande mãe” por famosos, como por exemplo: Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso e Jorge Amado. Por fim, faleceu com mais de 90 anos.

Nise de Silveira

Nise de Silveira

Grande personalidade da psiquiatria (outra vez, mas desta vez…) brasileira. Conhecida por sua sensibilidade e bravura, ela revolucionou a psiquiatria no Brasil e ficou conhecida em todo o mundo. Foi de Alagoas, filha de um professor e uma pianista. Em 1948, já médica, se dedicou a terapia ocupacional, medicina muito desvalorizada, porém seus atentos foram grandes a fim de livrar os tormentos a que os pacientes psiquiátricos eram submetidos (lobotomia e sessões de eletrochoque, por exemplo). Vejam um trecho atribuído a ela:

“Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.”

Rose Marie Muraro

Rose Marie Muraro

Nascida nos anos 30, do século 19, quase cega, tornou-se uma prolífera escritora e feminista. Ao perceber que os livros mudavam o mundo, tornou-se editora. Tinha paixão pelas coisas impossíveis. Era ligada aos católicos comunistas, ou seja, tinha um forte ideal político, todavia, era democrática.


Considerações Gerais


É sempre muito interessante conhecermos mais da nossa história e isso inclui, claro, a história de outras pessoas. Não se pode questionar a importância que cada personagem destacada teve, e ainda tem. Aliás, não falo apenas das mulheres homenageadas, mas dos escritores que se empenham para difundir seus importantes feitos; e também os fazem.

Em suma, apesar do apelo político (algo que é totalmente justificável, visto cada período em que viveram e vivemos), além de poucos trechos de biografia (inclusive retiradas do wikipédia), são relatos impressionantes e, com certeza, nos estimula a saber e querer lutar mais a fim de nos tornarmos, nem que seja um pouquinho, do que cada personalidade feminina – um ser guerreiro por natureza, foi, é e será.

Ademais, as ações realizadas no âmbito médico e político podem ser os mais devastadores, sejam para o bem, assim como, para o mau.

Vocês seriam capazes de lutar por um ideal, mesmo indo contra a maré? Elas foram e, muitas, tiveram fins terríveis. Que ao menos divulguemos mais dos seus legados e vamos em frente!

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