Ficha Técnica

Autor: Maurício de Sousa
Editora: Primeira Pessoa
Ano de lançamento: 2017

 

  • Sinopse: Com mais de 80 anos de vida e quase 60 de carreira, Mauricio de Sousa tem uma história tão fascinante quanto os personagens da Turma da Mônica, que seguem encantando gerações de leitores. “Ideias mudam o mundo – poucos chavões são tão verdadeiros e inspiradores. Não mudei o mundo nenhuma vez. Mas, à minha maneira, acho que o melhorei um pouquinho ao gerar bons momentos, diversão e entretenimento para milhões de brasileirinhos. Raros são os autores, no Brasil e no exterior, que podem dizer que foram lidos com o mesmo prazer por avós, filhos e netos. Ou que carregam na bagagem a honra e o privilégio de saber que suas criações, com gibis ou livrinhos agindo como cartilhas informais, ensinaram pelo menos três ou quatro gerações a ler – disparado, meu maior orgulho. Em última instância, sou um sobrevivente, um homem que começou do nada, realizou seu sonho e não quer desistir dele de jeito nenhum. Enquanto eu estiver por aqui, saiba que foi você quem sempre alimentou meus sonhos. Depois que eu partir, não se esqueça de que ideias, e também sonhos improváveis, é que movem o mundo. De um jeito ou de outro, sempre estarei com vocês.” Mauricio

INTRODUÇÃO

 

Mauricio – a história que gibi nenhum contou, por certo, não coube em pouco mais de 300 páginas. No entanto, nenhuma a mais comoveria tanto.

Mauricio de Sousa ama uma trilogia. OK, a bem da verdade é que, ao divulgar o lançamento do seu livro biográfico no ano de 2017, em programas de televisão, uma das primeiras coisas pelas quais falou foi a possibilidade em lançar mais duas edições desse, visto as lacunas deixadas em um calhamaço, cujo levou em torno de um ano para ficar pronto.

A princípio pensei no exagero. Artistas costumam gostar de figuras de linguagem… A hipérbole é uma das favoritas. No entanto, ao longo da leitura eu percebi algo. O cartunista, tão aclamado pelos Brasileiros, já tinha mais de oitenta anos ao lançar o livro. – Eu, com pouco mais de trinta, percebi que nem mesmo a minha história com o Mauricio e, muito provavelmente, a sua também, caberia em míseras centenas de páginas. – Joguemos então para as milhares e comecemos essa narrativa.

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A HISTÓRIA

Primeiramente, Mauricio é meticuloso ao falar da infância, da criação, da família na longínqua, e para mim muito perto, Mogi das Cruzes em São Paulo – eu também curto uma figura de linguagem – . Nesse ínterim há um grande foco no desenvolvimento do artista que, aos seis anos, já lia os quadrinhos. Também cantava, fazia locução em rádio, montava filminhos para os colegas e divertia a todos com seus desenhos e histórias. Ao mesmo tempo, fala de um “Mauricinho” tímido que cresceu introspectivo – trabalhando sozinho e ficando sem falar com ninguém por dias e noites. Ao longo do seu crescimento, Mauricio fala da  sua primeira e pequena equipe de trabalho como cartunista, bem como de sua vida particular. Era frequente a sua distância da família e foco no profissional. Logo menciona sobre os relacionamentos afetivos, poupando alguns detalhes, mas não muitos, e dos dez filhos que teve.

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CARREIRA

Era certo que o Mauricio não pensava que chegaria tão longe.Tudo conspirava contra ele. Fosse pela infância humilde que teve, fosse pela não formação no ensino regular ou até mesmo por já ter sido preso. Ele trabalhou em um jornal, passou alguns anos como repórter investigativo, ao mesmo tempo que continuou desenhando.

Franjinha e seu cachorro surgiriam em 1959, numa tirinha de um grande jornal, mas foi com a criação da Mônica, em 1963, que seu nome passaria a ser reconhecido. Nesse momento, esse célebre artista participava de eventos internacionais de quadrinhos e conheceu diversos clássicos, como o Will Eisner, Quino, Stan Lee, Osamu Tezuka e muitos outros. Além disso, ainda jovem, ganhou um prêmio e foi aplaudido por vários dos que ele aplaudia há tempos. E isso foi apenas o começo…

O fato é que Mauricio não parou, jamais se acomodou e logo ampliou – dos quadrinhos para as campanhas publicitárias, os diversos produtos com a marca da turminha mais famosa do Brasil, o mercado internacional, a aliança com celebridades como “Pelé”, “Os trapalhões”, a “Xuxa”… Levou a turma dos quadrinhos para as telonas no final da década de 1970 pela primeira vez. Enfim, ousava cada vez mais nas ideias, sempre questionando: “E por que não?”. Ele teve tropeços, houve problemas sérios que poderia tê-lo quebrado, mas sempre se reergueu tendo o apoio da família e de amigos.

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FATOS IMPORTANTES

De antemão devo salientar: não vou abordar a história toda, apenas enfatizarei alguns detalhes importantes da genial criação de Mauricio de Sousa:

De forma impressionante, foram publicadas mais de 1 bilhão de revistas da turma da Mônica até hoje.

O Mangá da Turma da Mônica Jovem foi ideia da Alice Takeda, esposa e diretora de arte da empresa do Mauricio. Com muita expressividade, as vendas chegam a bater recorde sobrepujando os próprios quadrinhos clássicos da turma.

Em contrapartida ao seu jeito de trabalhar, Mauricio se mostrou relutante quanto a Graphic Novel de seus personagens. Logo teve que ouvir: “E por que não, Mauricio?” – sua equipe devolveu a pergunta que sempre o motivou a coisas novas. Sendo assim, não teve muito como se desvencilhar. Com algumas figuras e muito texto, artistas que participaram de homenagens a ele foram convidados para a realização do trabalho. “Laços”, uma das “Graphics”, virou filme exibido no ano de 2019 nos cinemas nacionais com crianças reais e agradou imensamente o público.

Simultaneamente, Mônica Toy foi inspirada por um artista contratado para fazer os convites de um aniversário do cartunista. A figura de “cabeça grande”, braços e pernas pequeninas, agradaram tanto ao Mauricio que ele, por sua vez, quis reaproveitar em outro produto. Sua equipe então desenvolveu a “Mônica Toy” para a internet, alvejando todas as idades, sem fronteiras. Na atualidade, a animação faz tanto sucesso que o canal oficial no Youtube superou o número de visitas comparados ao site oficial e é popular em diversos países, incluindo a Rússia.

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VIDA PESSOAL

Mauricio foi casado algumas vezes. Com 10 filhos, alguns netos e bisnetos. Alguns dos filhos trabalham diretamente na “Mauricio de Sousa Produções”. A Mônica, filha que inspirou a personagem homônima e famosérrima, é diretora comercial. Mauro, inspiração para o “Nimbus”, é o responsável pelos eventos “ao vivo” da turma, principalmente quanto às peças teatrais e musicais. Marina, cuja também inspirou a personagem homônima, trabalha junto com a Alice na direção de arte.

Supervisionando tudo está o aclamado artista, que não descansa e só avança.

Por outro lado, um bem obscuro, Mauricio relata em poucas linhas, e com muito pesar, a respeito do filho falecido em 2015, aos 44 anos – Mauricio Spada, inspiração para o “Professor Spada” que vira o “Doutor Spam”. Também fala do sequestro do “Marcelinho”, o mais novo, quando tinha 9 anos.

Em síntese, é fato que estamos falando de alguém próspero, aparentemente feliz, que tem se emocionado com as mínimas coisas. Suas ideias nunca o deixaram. Basta saber que ele ilustra, com exclusividade, as tiras do Horácio até os dias de hoje.

Definitivamente a história do Mauricio é muito ampla para tão poucas páginas.

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MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ritmo da leitura é constante e cada fato instiga. Do mesmo modo, cada encontro foi incrível! Parecia que eu estava lá! Que história!

Falando por mim, – minhas ideias românticas me faziam pensar que, após tantos reconhecimentos e prêmios, a carreira estava garantida. Mas, quem poderia prever tantas derrocadas? 

O fato é que ele nunca desistiu.

Confesso que me senti incomodada com o pouco relato quanto ao filho Mauricio Spada, que infelizmente faleceu em 2015. – A imprensa quase nada relatou.

Por um ponto de vista semelhante, Marcelinho foi mencionado pela primeira vez quando num sequestro. Ou seja, – a impressão que me deu de ambos é que “nasceram” em tragédias, mas enfim. Esses assuntos não me dizem respeito, só tenho um instinto materno reprimido.

Em suma, acho incrível acompanhar biografias e documentários de personalidades que, para mim, sempre foram mais do que humanas. Mauricio de Sousa me era quase que como uma aparição, semelhante aos OVNIS pelos quais ele relata ter visto. Histórias… Histórias… Ao menos a história do Mauricio é real!

Acompanhei muito do autor em alguns eventos como a Bienal do Livro em São Paulo, mas sempre a distância. – Até porque não sou de mergulhar em meio a grandes tumultos e a popularidade dele já era bem alta quando nasci –  correspondente ao final da década de 1980. – Deste modo enfatizo: biografias como essa tornam o que não parecia tangível, bem tangível. Mauricio de Sousa passa de figura emblemática, para uma pessoa de carne e osso. Até mais do que isso: um amigo.

Por fim, emocionei-me muito ao ler a história do Mauricio, ainda mais do que lendo os quadrinhos, atividade essa que não deixo… E olha que pensei que isso não aconteceria.

 

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