O livro mais recente do Stephen King, o “mestre do terror”, segue a linha infantojuvenil, em primeira pessoa, com o Jamie e seu peculiar “sexto sentido”. Enfim, confira nossa resenha!

Livro Depois Stephen King - Amazon
Ficha Técnica
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Ano de lançamento: 2021
Sinopse: James Conklin não é uma criança comum: ele vê gente morta. Com que frequência? Jamie não sabe bem; afinal, os mortos em geral se parecem muito com os vivos. Exceto pelo fato de que eles ficam para sempre nas roupas em que morreram, e são incapazes de mentir.
Sua mãe implora para que ele mantenha essa habilidade em segredo, o que não é problema na maior parte do tempo. Pelo menos até Liz Dutton, a companheira de sua mãe e detetive do Departamento de Polícia de Nova York, aparecer na saída da escola e anunciar que precisa de ajuda.
É assim que Jamie embarca em uma corrida para desvendar o último segredo de um falecido terrorista, e começa a jornada mais assustadora de sua vida.

 

Livro Depois - Stephen King - 2021

“Um livro que demonstra todo o talento de Stephen King, Depois é assustador e emocionante, e fala dos desafios de crescer e aprender a distinguir o certo do errado. Uma história poderosa, perturbadora e inesquecível sobre o preço de encarar o mal, não importa sob qual forma ele se esconda.”


Introdução


Ciclos da vida… O bem e o mal… Amadurecimento… Enfim… A vida de ninguém é tão comum, nem para quem é incomum mesmo!

O autor que tem mais de 60 livros publicados, mestre King, dentre os sucessos como por exemplo: “O iluminado”, “À espera de um milagre”, “Carrie a estranha” e “It – a coisa” (super sucessos cinematográficas também, vocês sabem!); lança mais um neste ano de 2021 prometendo uma nova visão para o poder de Cole Sear, digo, para as pesquisas do doutor CroweNão, espera!

Filme "O Sexto Sentido"
Filme “O Sexto Sentido”

De início, essa é a história do James Conklin, um narrador ativo que começa suas desventuras aos 6 anos: vendo mortos e com um desenho de peru. Depois, termina a narrativa com uma habilitação para dirigir e um possível desgaste psicossomático. Pois bem, é uma trama que, com certeza, não foge da linha do mestre; ainda que façamos alusão com um famoso sucesso das bilheterias do final dos anos 90. No entanto, porém, todavia… Com a habilidade de ver “recém-mortos”, o terror está feito, principalmente quando pessoas não tão bem-intencionadas acabam descobrindo a respeito.

O que será do jovem Jamie?


Personagens Destacados – vivos ou mortos?


James Conklin

Também conhecido como “Jamie” ou “campeão” (ele detesta que o chamem assim… Pudera! Os “piores” o chamavam assim.), é o narrador desta trama. Ele possui uma habilidade bem incomum: consegue ver gente morta… “Com que frequencia?”… Todavia, ele nem sempre sabe quem está morto, a não ser que a morte tenha sido acidental ou algo muito extremo, que desfigure o “cadáver”. Ele tem 6 anos quando começa a narrar e fala para a mãe o que vê, no caso, a vizinha que acabara de morrer. Aliás, geralmente, alguns dias após a morte, Jamie já não os ouve e logo, nem consegue mais vê-los. Os recém-mortos também só podem contar a verdade a ele toda vez que são perguntados, o que não os impede de mentir quando não perguntados.

Ademais, Jamie também gosta de ler. Parece ser fissurado em obras de terror, tais como o clássico “Drácula” do Bram Stoker.

Thia Conklin

A mãe de Jamie é agente literária. Ela comanda uma agência que tem certa influência no mercado (tendo como carro-chefe a série policial-picante “Roanoke” do escritor “fictício” Regis Thomas) , cujo dono era o “tio” Harry, irmão da Thia. No entanto, com sinais de demência precoce, com pouco mais de 40 anos, ele já não vivia sem supervisão, sendo internado em uma espécie de casa de repouso, mantido pela irmã.

Thia parece ter duas grandes paixões: a agência e o filho. Ela não permite que Jamie conte sobre o “poder” dele, mas é graças a sua própria indiscrição que os problemas do pequeno filho começam de verdade.

Por fim, ela tem um bordão, conhecido pelos latinos como pertencente ao professor Girafales:  “tá tá tá”. A mãe de Jamie costuma usar essa “expressão” quando não quer prolongar em algum assunto.

Pré-venda especial do Submarino, com brindes exclusivos
Pré-venda especial do Submarino, com brindes exclusivos.

Liz Dutton

A policial chegou a ter um relacionamento sério com a mãe de Jamie. Aliás, graças a ela, Liz soube do poder do garoto e, para benefício próprio, usou e abusou dele; chegando, inclusive, a sequestrá-lo por duas vezes. Ademais, envolvida com drogas, a policial não parece estar esperando um futuro muito brilhante…

Prof. Burkett

O intelectual, professor aposentado, de costumes e falas antigas, foi um vizinho do Jamie. O menino se refugia nele, procurando por ajuda, quando se vê em uma encruzilhada fantasmagórica. Além disso, a primeira pessoa “falecida” descrita por Jamie foi a esposa de Burkett. Em suma, apesar de relutar em dar créditos ao garoto, no fundo, ele parece acreditar que há algo de sobrenatural o envolvendo.

“Fantasma do Therriault” 

Um serial killer, que atormentou por anos os cidadãos da cidade nada pacata de Jamie, morre e, após a policial Liz obrigar o garoto, do poder peculiar, a encontrá-lo e falar com ele, Jamie passa a ser “assombrado” pelo espírito maligno que o apossou. Entretanto, os “espíritos dos mortos” deveriam desaparecer logo! Afinal, como fazer exorcismo em um morto?


Embarcando na História


Jamie vê gente morta… Contudo, não é sempre! Tem que ser um “recém-morto” e, para identificá-lo assim, é mais fácil quando a morte se deu por algo tremendo (Por exemplo: assassinato, suicídio, atropelamento…) ou tenha acontecido de usar vestimentas “inapropriadas” para o dia-a-dia no momento do fatídico (como uma camisola transparente e andar pela rua normalmente, sem que ninguém mais perceba – nem seja Carnaval ou uma festa do tipo!). Senão, eles podem se passar por cidadãos comuns para o Jamie, sem que outros os vejam, claro.

E os mortos percebem que Jamie pode vê-los!

O garoto não tinha necessidade alguma de confrontar os “fantasmas”, apesar da sra. Burkett, primeira que ele relatou, ter dito que o peru desenhado por ele era feio…

Thia, a mãe “superprotetora”, só tinha ele como filho e nunca falava sobre o pai. Na verdade, ficava muito irritada com o assunto e logo o encerrava (tá, tá tá)… Isso com Jamie ou com quem quer que fosse (Liz já havia perguntado sobre ele). Não que o garoto parecesse se importar muito, mas, no fundo, ele se importava sim – só não deixava a mãe perceber, pois também gostava de protegê-la.

Quando Thia começou a se relacionar com a policial Liz, Jamie se incomodou um pouco com a “atenção dividida”, ainda que a agência literária ocupasse tanto espaço quanto. Todavia, ele gostava da policial. Até que…

A mesma que o superprotegia e havia dito para ele não revelar sobre seu “dom” para ninguém, foi a primeira que “abusou” dele.

Desesperada em meio à crise econômica americana, a situação piorou para a agente literária quando o escritor que mais vendia em sua agência morreu subitamente enquanto escrevia o último romance da série “Roanoke”, tão famosa em “seu mundo”. Aparentemente sem muito pensar, Thia foi com Liz e Jamie até a casa que era do escritor a fim de redigir o último livro, tendo Jamie como mediador entre ela e o “fantasma” do escritor Regis Thomas. Quase como uma criptografia, Liz Dutton assistiu a tudo o que um aparente simples garoto dizia e, apesar de não crer totalmente, sabia que ele não falaria todas aquelas palavras por si só… Afinal, Jamie era muito novo pra isso!

Pôster A3 ilustrado por Bruno Romão
Pôster A3 ilustrado por Bruno Romão da história fictícia de Roanoke do personagem Regis Thomas.

Contudo, em meio aos acontecimentos tenebrosos, ainda havia tempo para alguns trechos descontraídos ali e acolá no texto:

“Nós conseguimos que ele nos contasse (em uma hora!) tudo que ele levou meses para inventar. Ele não podia dizer não, e talvez isso desse a ele o direito de nos mostrar a bunda.” – referência ao fato do “morto” estar usando um short que caía com frequência.

Com aquele ato, Thia não percebeu que expôs o filho e isso quase custou a vida e a sanidade do Jamie.

Liz Dutton chantageou e usou o menino por duas vezes, aliás, a segunda e última foi fatal. Como já dizia um dito popular: “uma chantagem nunca acaba, assim como a ambição de uma pessoa, a não ser...” Não poderíamos esperar um final muito romântico, não é? Não espere nem mesmo um começo romântico, vai por mim!

Na primeira vez, Liz expôs Jamie ao “espírito” de um assassino em série, que teve um “reinado de terror”. A policial queria garantir o seu emprego denunciando a última bomba colocada pelo assassino, antes da trágica morte. Jamie ainda era uma criança quando isso aconteceu, via a imagem desfigurada do morto e quase não segurava a náusea:

“… agora eu podia olhar diretamente para a cratera que já tinha sido o lar dos pensamentos dele. A orelha ainda estava no lugar, mas estava torta , e me lembrei de repente do Senhor Cabeça de Batata…”

Jamie ainda identificava que havia seres sensíveis, como os animais (um cachorro não parava de latir para o “morto-vivo”) e os bebês que choravam ao ver (ou sentir) os “recém-mortos”. Aliás, também dizia que as pessoas, mesmo sem saber, desviavam deles ou não sentavam nos bancos em que estavam.

No entanto, o catalisador aqui é o interrogatório forçado que Jamie conduz, contra sua vontade, a um assassino que logo viria a assombrar os seus dias.

O professor Burkett o ajuda a combater o tal assombro contando fatos e boatos a respeito do Ritual de Chüd, com o intuito do garoto tomar o controle sobre a assombração de Therriault:

“…. era praticado por uma seita de budistas tibetanos e nepaleses.Eles faziam o ritual para atingir um estado de perfeito nada e um estado resultante de serenidade e clareza espiritual.”

Contudo, será que Jamie conseguiu se livrar do ser demoníaco? Já ouviram falar em um “morto possuído”?

O segundo “trabalho” forçado que Liz submete Jamie define melhor o que a assombração pode fazer e o que ele, Jamie, representa para ela.

Portanto, a história no sentido adrenalínico se resume nos dois encontros forçados de Jamie com Liz!

Jamie e Liz - Depois - Stephen King
Jamie e Liz – Depois – Stephen King

Considerações Finais


Confesso que estava esperando uma história mais adulta, ainda que a sinopse deixe bem clara a intenção juvenil da trama.

É interessante ver os aspectos pela visão da criança, do pré-adolescente, do adolescente e, enfim, do jovem adulto – sendo todos uma mesma pessoa. Ressaltando aqui, porém, que a maior parte da história se passa no período pré e adolescente do Jamie. E, claro, como numa história clássica de terror, não sabemos se qualquer “poder sobrenatural” é uma dádiva ou uma maldição. Acredito que isso fique a cargo de cada leitor (notem a habilidade do escritor que é o Stephen King: dar ao leitor o que falar, bem como, o poder de decisão!)… Quanto a mim, medrosa como sou, eu não iria querer ter um poder desses não. E você?

“Eu sabia que os mortos podiam causar impacto nos vivos, aquilo não foi surpresa. Eu já tinha visto, mas esses impactos sempre foram coisas ‘pequenas’. O prof. Burkett sentiu o beijo da esposa, Liz sentiu Regis Thomas soprar na cara dela, Mas as coisas que eu tinha visto agora, a lâmpada explodindo, a maçaneta tremendo e girando, o mensageiro caindo da bicicleta, todas eram de um nível totalmente diferente.”

Em suma, vários segredos, encobertos e obscuros, são adiados… Jamie parece ser este tipo de pessoa: se não der para descobrir tudo agora, não tem problema, pode ser depois

Por fim, percebi alguns elementos técnicos que entrelaçam muito bem a trama, ponto para o genial mestre Stephen King! Por exemplo, “ver mortos” não serviu apenas para assombrar “físico-psicologicamente” o personagem principal (precisa de mais? O que sobrou?). Foi por meio desse poder que, enfim, ele descobriu algo que tanto queria descobrir. Mas, será que foi uma boa descoberta? De fato, sem esse poder, ele não teria tido esse conhecimento… Ademais, leia e descubra qual é a revelação do maior segredo da história em si. Agora ou depois…

“Stephen King já está tão consagrado como o mestre do terror sobrenatural que às vezes esquecemos que o talento dele também cobre todas as outras áreas.” – New York Times Book Review


* ONDE COMPRAR *

Amazon



Aproveite e leia a resenha da HQ “N”, também do Stephen King, AQUI, no TG.