Zac Efron, no papel do serial killer Ted Bundy, convence em seu melhor trabalho como ator. Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal, longa sobre o assassino mais famoso dos EUA na década de 70, mostra o quanto as pessoas podem ser – infelizmente – coagidas e convencidas por pessoas “com boa lábia”. Filme dá uma  boa “romantizada” na figura do assassino e suaviza/disfarça bastante o que, de fato, ele fez na vida real.

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Zac Efron x Ted Bundy (o real assassino retratado no filme)

Ficha técnica

Nome: Ted Bundy – A irresistível face do mal
Nome Original: Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile
Origem: EUA
Ano de produção: 2019
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 110 min
Classificação: 18 anos
Direção: Joe Berlinger
Elenco: Zac Efron, Lily Collins, Angela Sarafyan, John Malkovich, Dylan Baker, Haley Joel Osment

Sinopse

Ted: bonito, inteligente, carismático, efetuoso. Liz: mãe solteira, cautelosa, mas apaixonada. Imagem da felicidade doméstica, a vida deste casal parece perfeita. Mas isso apenas até Ted ser preso e acusado de uma série de assassinatos particularmente tenebrosos.

 

Crítica | Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal

 

Para quem esperava ver um filme com cenas brutais de assassinatos (tipo eu!), confesso que o filme deixou bastante a desejar. Não há sangue, não há brutalidade. Nada de “Jogos mortais”, “Hannibal” ou “Psicopata Americano”. Há aqui um drama novelesco.

Vale lembrar que o filme é baseado no livro “The Phantom Prince: My Life with Ted Bundy” escrito pela ex-namorada  de Ted chamada Elizabeth Kendall. Ou seja, o filme é a visão de Liz sobre todos os fatos e não das vítimas. Desse modo, cabe dizer que é a visão de uma mulher atormentada por ter convivido com um assassino, mesmo sem saber do real risco que ela corria. Talvez por isso, diferente do documentário e da maioria dos filmes que retratam as atividades de criminosos seriais, “Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal” não pesa a mão nas cenas aterrorizadoras dos crimes acontecendo em si. Ao invés disso, o longa-metragem coloca o espectador na mesma posição que a própria Liz, que enxerga o homem que ama através da lente da vulnerabilidade e pelo desejo de que ele seja inocente.

Berlinger, o diretor do filme, é, também, um documentarista premiado – foi indicado ao Oscar em 2011 por Paradise Lost 3: Purgatory -, e também diretor da série documental “Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy” (disponível na Netflix). Em seu currículo, apenas uma ficção, o malfadado A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, e agora Ted Bundy. Levando-se em conta este filme, é importante observar que ele poderia ter deixado sua veia documental falar mais alto aqui. Certamente, traria mais complexidade ao filme e melhor detalhismo aos personagens.

Comparo esta película com o documentário porque, coincidentemente, antes de fazer essa resenha do filme, eu havia assistido ao documentário (disponível e original na Netflix) e posso afirmar: caso você queira ver ao filme, assista ao documentário antes porque o mesmo é muito mais detalhado e interessante. Lá utiliza-se de mídia original (entrevistas e imagens de Ted Bundy) para criar a narrativa em torno do assassino, algo que, além de dar veracidade, disponibiliza muito mais credibilidade e tensão à história.

É notório dizer que o filme reconta a história de Ted Bundy de um modo bem diferente, por exemplo, de seu documentário, pois aqui o diretor traça a narrativa do ponto de vista do próprio assassino, sem levar em conta o ponto de vista da polícia e/ou das vítimas, como normalmente vemos em filmes de terror. O filme, por se tratar essencialmente de um drama, vai por outro caminho. Esse caminho é, na verdade, uma versão bem mais sutil e menos bizarra do que a pessoa física de Ted foi; não se sabe ao certo quantas mulheres foram estupradas e mortas por ele, mas estima-se que o número varie entre 30 e 100.

É importante mencionar que o filme começa com o jovem Ted (Michael Reilly Burke), um estudante que tenta ingressar na faculdade de Direito. Sua obsessão por voyeurismo e sexo violento aos poucos vai ficando mais sinistra e o rapaz passa a apresentar vários sinais de comportamento psicótico. Antes de assistir ao filme é extremamente importante você saber mais sobre quem foi Ted Bundy. O motivo não é apenas para se inteirar da história e não ficar perdido, mas para que este filme não lhe romantize com a vida daquele que foi um dos maiores serial killers americano.

Desse modo, o filme não foca nos assassinatos do serial killer, mas na dificuldade de Elizabeth conciliar os supostos crimes do homem que aparentemente demonstrava compaixão por ela e sua filha. De fato, não há dúvidas que Ted sentia apreço por Elizabeth e sua filha. Se não tivesse, ela teria sido, com certeza, assassinada antes por Bundy.  Nós, público, vemos o filme com a vantagem de saber como tudo terminou, e que ele realmente era culpado daqueles crimes e de outros, colocando-nos numa posição privilegiada em relação aos outros personagens – muitos, afinal, deixaram-se levar pelo charme e lábia do matador. Berlinger estabelece pontos interessantes sobre o relacionamento de Ted e Elizabeth. Os dois são vítimas na história. Mas apenas Ted apresenta falsas motivações. Já Elizabeth, tem motivos para ainda acreditar no sorriso encantador do namorado e no seu olhar penetrante que a faz acreditar na inocência.

Vê-se que o filme poderia ser mais tenso e menos “bonitinho”, pois apoia-se muito na atuação de Zac Efron. O que posso dizer é que o filme tem um roteiro meio irregular, mas que é uma obra muito fiel (apesar de beirar muito a “glamourização” dos fatos), e que mostra como, às veze,s a história pode ser mostrada por outra perspectiva, mas que os fatos nunca podem ser mudados. Esquecido o melodrama fraco que o roteiro quer dar a figura de Bundy como “vítima de seus próprios atos”, a atuação do elenco é admirável – sem problemas ou exageros – e, claro, dou um destaque gigantesco para Zac Efron; além de salvar filme, fez valer meu ingresso. Acho que nunca tinha visto um filme que prestasse dele, até porque ele enveredou por filmes de comédia e suas atuações nunca eram memoráveis até chegar nesta obra aqui em análise. Dito isso, veja o documentário e depois, se julgar necessário, aprecie o filme para assim ter um senso mais crítico em relação ao personagem cinebiografado.

 

Confira o trailer legendado abaixo:

//www.youtube.com/watch?v=DKb0MorZDtc