RESENHA | Filme: Que Horas Ela Volta?

Que horas ela volta

Que horas ela volta não é apenas mais um filminho de “sessão da tarde”, pois trás dentro de si toda a perfeição de estética e e roteiro para apresentar as diferenças nas classes sociais. A trama nos envolve a todo momento, nos mostrando o sentimento materno e familiar de várias formas.

Que Horas Ela Volta?
Ficha Técnica
Título: Que Horas Ela Volta?
Ano de Produção: 2015
Dirigido Por: Anna Muylaert
Estreia: 27 de agosto de 2015
Duração: 114 minutos
Classificação: Indicado para maiores de 12 anos.
Gênero: Drama, Nacional
País de Origem: Brasil
Sinopse: A pernambucana Val se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica (Camila Márdila). Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho (Michel Joelsas), morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino vai prestar vestibular, Jéssica lhe telefona, pedindo ajuda para ir a São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

A narrativa não foi apenas um filme que eu vi, foi uma obra de arte que eu admirei junto com minha mãe e irmã.  Antes de explicar para você, leitor, sobre os pontos positivos (que são muitos) e negativos (na minha humilde opinião, não há nenhum), eu preciso contar sobre as lágrimas que minha mãe chorou ao longo de todo o filme:

Nordestina, veio da Paraíba para o interior de São Paulo, por volta dos seus 15 anos, para ajudar sua meia irmã com a saúde e aqui ficou. Conheceu meu pai, namorou e logo casou. Passou por situações que não desejo a ninguém, de humilhação e de falta de saneamento básico. Mas o que mais me dói é ver a saudade que ela tem da minha avó. Hoje ela liga todo dia para ela e fica horas pendurada no celular. 

Infelizmente, nem sempre foi assim, a distância é grande (2.330 Km para ser mais exata). Ela ficou anos conversando com minha avó por carta sem poder vê-lá (isso quando minha avó arrumava alguém para ler e escrever para ela). Eu cresci nessa dor da minha mãe, e assim aprendi a importância da presença materna.

Agora sim!

Agora que você leu até aqui (obrigada por ainda estar lendo kkk) e sabe como foi assistir essa obra, podemos começar a falar dela.

Val, verdadeiramente interpretada por Regina Casé, viveu mais de uma década longe de sua filha Jessica, para conseguir dinheiro para criá-la. Mesmo que longe, Val se sentia acolhida na casa dos patrões e não via o abismo sentimental e financeiro que os separava. Ela enxergava a diferença social, porém se via “da família”.

Quando sua filha chega tudo isso cai por terra. Jessica, de forma egoísta, não aceita que como empregada nem Val e nem ela podem sair do quartinho de empregada que lhe foi “dado”, e também que sua mãe estivesse presa no pensamento de servir a eles como família.

Uma das formas que os diretores usam para mostrar a prisão em que Val esta é através de sua fotografia, pelo enquadramento e movimento das câmeras. As imagens são em planos médios e em poucos momentos há planos detalhe, mostrando quão distantes era a relação entre eles (inclusive entre Bárbara, patroa de Val e seu filho Fabio). Diversas vezes a câmera fica estática para passar a sensação de uma de aprisionamento, evidênciando em algumas cenas (como a da escadaria que leva aos quartos, o quartinho de empregada e a cozinha) a situação em que Val esta.

Ela estava presa emocionalmente ali se libertando quando Fabinho, o filho da patroa que ela criou, foi viajar e quando decidiu que não deixaria Jessica fazer o mesmo que ela fez, ficar distante do filho.

Há vários símbolos dentro de Que Horas ela Volta que eu vou explicar pela minha perspectiva:

Xícaras: A Val presenteou a Dona Bárbara com um jogo de xícaras e garrafa térmica. Em que tinha 3 xícaras pretas com pires brancas e 3 xícaras brancas com pires pretos e a garrafa preta. Na imagem ilustrativa da embalagem, todo o conjunto cabia dentro da bandeja. Porém quando Val montou faltou espaço para uma xícara que ela tirou do jogo. Representando a filha dela que ela tirou do convívio. Essa mistura de cores entre os utensílios mostrava a mistura entre as classes sociais, a empregada doméstica e os patrões.

Quando a Val sai do serviço e vai morar com a Jessica elas tomam café com os utensílios das mesmas cores, como se tudo estivesse na ordem correta agora. Além de demonstrar que estava em um momento especial. Pois, quando Bárbara recebe o presente fala que vai guardar para um dia especial. Porém no aniversário dela, que seria um evento muito especial, a patroa não deixa Val servir as xícaras e manda usar as de madeira branca da Suécia.

Bandeja de prata: Quando Val recebeu a notícia que Jessica iria para SP ficou cheia de expectativas. Como a imagem de filha que ela tinha, sem ambição, aceitaria o quartinho da empregada. Todavia, quando a menina chega, ela quebra a expectativas dela, assim a bandeja representou.

Piscina: Representando algo inacessível para a Val, até mesmo proibido por ela mesma.

Um ponto importante, porém que ficou sem encaixe, foi a atração que o patrão teve por Jessica. Eu entendi que foi uma demonstração de poder absoluto, como “o dinheiro compra tudo”. Entretanto, eu senti que era uma informação perdida no meio da história.  Ao longo do filme, ele demonstrava ter algum problema de saúde, já que tomava remédio todo dia. Mas parece ter o puro prazer de ter coisas (ou pessoas). No meu ver foi o único ponto negativo.

Nem essa parte, fez eu gostar menos do filme. E fiquei muito feliz por mostrar o desgosto dos ricos em ver os pobres crescendo. Quando Jessica passa na primeira fase do vestibular e o Fabinho não. Assim, mostrou que com tantos recurso a mais e com tanta rejeição a Jessica, não conseguiram esconder o desgosto, principalmente, Bárbara.

selo nota 9

~Camila Couto


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