RESENHA | Filme: Parasita

Vez ou outra nos deparamos com alguma história (seja um livro, jogo ou filme) que por mais simples que seja, nos fisga de uma maneira que não conseguimos para até sua conclusão. E é bem isso que encontrei no filme coreano Parasita, que vem causando ótimos comentários seja na mídia especializada ou no boca a boca de quem já assistiu.

Ficha técnica
Título Original: 기생충 / Parasite
Duração: 132 minutos
Ano produção: 2019
Estréia: 7 de novembro de 2019 (Brasil)
Distribuidora: Pandora Filmes
Elenco: Kang-Ho Song, Woo-sik Choi, Park So-Dam, Chang Hyae Jin, Sun-kyun Lee, Cho Yeo-jeong,
Direção: Bong Joon Ho
Classificação: 16 anos
Gênero: Thriller/Comédia/Suspense
Países de Origem: Coreia do Sul

  • SinopseTodos os quatro membros da família Kim estão desempregados e moram num porão sujo e apertado, porém uma obra do acaso faz com que o filho adolescente comece a dar aulas privadas de inglês à rica família Park. Fascinados com o estilo de vida luxuoso, os quatro bolam um plano para se infiltrar um a um nos afazeres da casa burguesa. É o início de uma série de acontecimentos incontroláveis dos quais ninguém sairá ileso.

Parasita conta com uma premissa bem simples: uma família pobre (os Kim) formada pelo pai, mãe e casal de filhos, vive num porão numa região pobre e sofre com o desemprego e falta de oportunidades na vida. Eles conseguem sobreviver fazendo embalagens para pizza, mas esse bico está longe de resolver os problemas financeiros pelo que passam. Tudo muda quando o filho Ki-Woo consegue um emprego para lecionar inglês para uma garota de família rica. Somos então apresentados a família Park, também composta por 4 membros (pai, mãe e casal de filhos), uma grande sacada já que eles seriam o reflexo oposto da família Kim.

Enquanto os Kim vivem confinados num pequeno espaço onde tudo é velho, sujo, cheio de insetos, apertado e amontoado, a residência dos Parks é o oposto com ambientes espaçosos, limpos, modernos. Essa diferença é percebida muito além do ambiente em si, mas da forma como o diretor retrata cada local. Usando uma paleta de cores especifica para quando a cena acontece na casa dos Kim e outra, quando na casa “chique” do Park, ou no som, que tem uma característica mais baixo e abafado quando os diálogos acontecem na casa da família pobre ou com o eco que soa quando as falas acontecem nos grandes ambientes da mansão.

Os núcleos familiares também são bem construídos. Devida as dificuldades enfrentadas diariamente, a família Kim tem uma sagacidade típica de quem tem que fazer das tripas coração para conseguir sobreviver num mundo onde os menos favorecidos não tem vez, mas nem por isso perdem o bom humor e carinho uns pelos outros. Sabem rir das adversidades e sempre estão apoiando uns aos outros. Já na família Park vemos o oposto, apesar de ter praticamente tudo, percebe-se que as relações são distantes, frias, vazias, superficiais e de aparências. E o diretor guia tudo tão certinho que não conseguimos pegar raiva dos Kim mesmo eles fazendo algo errado, como também, não conseguimos pegar implicância ou antipatia pelos Park, mesmo com algumas atitudes questionáveis deles. Você simpatiza com todos enquanto teme pelo que pode vir a ocorrer com ambos os núcleos. Formidável.

Então, o jovem Ki-Woo ao ir para o novo trabalho como professor, vê na inocência, ignorância e superficialidade da matriarca Yeon-Kyo, a porta de entrada para colocar todos os membros da sua família para trabalhar ali. Começa então, a sucessão de acontecimentos que faz com que não desgrudemos mais os olhos da tela pra ver onde aquilo tudo vai dar.

O título “Parasita” que é definido no dicionário como “organismo que vive de e em outro organismo, dele obtendo alimento e não raro causando-lhe dano” ou “indivíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou preguiça” é uma grande sacada do diretor, pois ele retrata muito bem as situações que veremos ao longo da história, muito mais até do que possamos imaginar.

Com atuações certeiras de todos os atores (principalmente Kang-Ho Song que interpreta o patriarca Ki-taek), diálogos bem escritos que vão mostrando características bem pontuais dos personagens, situações totalmente inusitadas e reviravoltas que nos pegam de surpresa, Parasita é uma grata surpresa que consegue entreter de forma certeira mesclando comédia, suspense e críticas sociais sem cair em clichês e sem pender para algo caricato. E uma dica: quanto menos souber sobre a história melhor. Tudo o que foi escrito aqui está no trailer e não entrega nada que possa comprometer a experiência de assistir esse filme que com certeza é um dos melhores do ano.

Parasita agradou a crítica e público alcançando notas 8,6 no IMDB e incríveis 96 no Metacritic e ganhou a Palma de Ouro em Cannes esse ano. É um forte concorrente na premiação do Oscar 2020. Infelizmente o filme estreou em poucas salas no Brasil, mas se o filme estiver passando perto de onde você mora, vá assistir. Vale a pena conferir.

~Marcos Viana


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