Show de Truman

RESENHA | Filme: O Show de Truman: O Show da Vida

Um dos melhores filmes que já vi. É mais que uma crítica social, é um dedo na ferida de muitas pessoas que vivem e revivem reality show como se fosse a própria vida. Além de enaltecer o talento de Jim Carrey.

Ficha técnica

Título original: The Truman Show
Data de lançamento: 30 de outubro de 1998
Duração: 1h 43min
Gênero: Drama, Comédia
Direção: Peter Weir
Roteiro: Andrew Niccol
Distribuidora: Paramount Pictures
Disponível: Netflix

Sinopse

Truman Burbank (Jim Carrey) é um pacato vendedor de seguros que leva um vida simples com sua esposa Meryl Burbank (Laura Linney). Porém, algumas coisas que acontecem na sua cidade, com seus supostos amigos e sua esposa deixam ele desconfiado. Após conhecer a misteriosa Lauren (Natascha McElhone), ele fica intrigado e acaba descobrindo que toda sua vida foi monitorada por câmeras e transmitida em rede nacional por um programa de televisão.

O filme Show de Truman apresenta um reality show em que Truman Burbank é o protagonista, porém sem saber. Ao nascer, ele foi escolhido para protagonizar o programa e vive uma vida de mentiras desde então, os pais que o criaram não são verdadeiros, a sua esposa foi contratada para namorar e casar com ele. Tudo ao seu redor foi ensaiado e roteirizado para ele não perceber que era uma farsa. A trama foi feita por detalhes que fizeram a diferença, na atuação, direção, fotografia e roteiro. Cada cor, som e frase com significado intenso.

A atuação de Jim Carrey não pode ficar sem elogios e comentários, suas expressões, tom de voz e ações tudo condizente com cada tipo de cena. Sem deixar a desejar em momento algum. Todo o elenco estava em sintonia, aliás eles precisavam atuar duas vezes, uma enquanto dentro do papel do filme e mais uma vezes dentro do reality show.

Show de Truman

Durante a história o produtor do programa, Christof, passa por uma entrevista em um jornal e é perguntado “por que Truman nunca pensou em questionar a natureza do mundo em que vive?”, que na verdade é um estúdio de tv. Christof responde com uma fala muito importante para o filme “Aceitamos a realidade do mundo tal qual ela nos é apresentada, Truman pode ir embora quando quiser. Se tivesse algo mais que uma mínima ambição, se estivesse absolutamente decidido a descobrir a verdade, não poderíamos impedi-lo. Truman prefere a sua cela.” o que lembra o Mito da Caverna de Platão. 

Entretanto, Christof ignora algumas situações que ele mesmo criou para manter Truman dentro daquela mentira. Por exemplo, Truman demonstrava que queria velejar para o mundo descobrindo novos lugares e culturas, para impedir ele de fazer isso o diretor forjou a morte do (falso) pai do protagonista para gerar nele um trauma  nele o impedindo de sair da cidade fictícia por meio de barco. Todas as vezes que ele tentava sair de carro ou de avião, era colocado um impedimento para que ele não conseguisse. Então, mesmo que Truman tivesse toda a ambição do muito de sair de lá ele não conseguia.

Outro trauma que Truman passou foi a perda do seu grande amor. Lauren foi o grande amor de personagem principal, porém ela o amava de verdade e não queria mantê-lo naquela mentira. Por isso, tentou contar para ele a verdade, mas os outros atores conseguiram tira-lá a força de perto dele com mais mentiras. Podendo ser considerado o único momento até o final do final que ele realmente teve contato com a realidade, pois mesmo quando a iluminação caia do céu ou a chuva falhava não era causada por alguém. 

Show de Truman

Hoje em dia temos inúmeros reality shows um dos mais famosos é o Big Brother Brasil, nele os espectadores recebem inúmeras propagandas, porém todos dentro do programa estão ciente das propagandas e das marcas. No Show de Truman ele tem uma vida comum sem perceber que tudo o que ele usa e come é fruto de propaganda para gerar mais lucro para o reality show. 

Outro ponto muito apresentado no filme é o sensacionalismo, não na questão jornalística, mas na forma que tudo o que acontece com Truman é noticiado e veiculado 24 horas por dia todos os dias da semana. Criaram até uma bar 24 horas que transmitia a vida dele, todos iam para conversar, assistir e julgar. Como se aquele programa fosse parte da vida de todas as pessoas que assistem. Atualmente, a internet em alguns momentos gera essa exposição, nós nos colocamos dentro dela e cada dia nos expomos mais, perdendo controle até mesmo do que era para ser íntimo.

A fotografia de Peter Biziou consegue ser magnífica em todos os momentos. Conseguiu passar todo o sentimento do filme em diferentes planos e movimentos.

Show de Truman

O grande final deixou com gosto de quero mais, porém perfeito. A subida de Truman até a porta para o céu demonstrando o desenvolvimento do personagem, da ignorância até parte do que estava acontecendo, como uma ascenção. E encontrando com a voz de Deus que na verdade era uma conversa com o diretor Christof, que de forma muito bem pensada vivia no sol, sendo o real centro das atenções. Pois o único que ganhava verdadeiramente como aquele programa era ele, o dono. 

O filme foi indicado para várias categorias do Oscar, incluindo “Melhor Filme”, porém não ganhou nenhum. Entretanto, ganhou nas categorias “Melhor Ator de Drama”, “Melhor Ator Coadjuvante” e “Melhor Trilha Sonora” no Globo de Ouro e nas categorias “Melhor Diretor”, “Melhor Roteiro Original” e “Melhor Desenho de Produção” no BAFTA. Entre muitos outros prêmios que foi indicado.

E para finalizar tanto o filme quanto esta resenha nenhuma frase representaria melhor O Show de Truman quanto “E se não te ver mais, Bom dia, Boa tarde e Boa Noite!”

 

 

Camila Couto
Uma pseudo cinéfila que tenta acompanhar o mundo dos filmes enquanto trabalha, estuda e finge que está tudo bem kk