Além de ser o primeiro filme da muito boa franquia Mad Max, é o primeiro do diretor George Miller. Com uma ação crua e de qualidade, personagens bem específicos e uma qualidade de produção bem diferenciada, criaram um filme, como o título já sugere, bem louco.

Nome Original: Mad Max

Direção: George Miller

Roteirista: James McCausland e George Miller

Produtor de Arte: Jon Dowding

Cinematografia: David Eggby

Edição: Tony Paterson e Cliff Hayes

  • Sinopse: Em um futuro distópico não muito distante, os recursos de óleo foram esgotados e o mundo está mergulhado em guerra, fome e caos financeiro. É quando o policial Mad Max, que não tem mais nada além de seus instintos de sobrevivência e retaliação, começa uma vingança contra uma gangue.

O filme começa muito bem, seu prólogo deixa muito claro em que tipo de história estamos entrando, nos apresenta a loucura logo de cara, a lei, o ambiente devastado, e o estilo do nosso protagonista, desde o início vemos que Max é coisa séria, desde como ele é apresentado de maneira calma e densa, até a reação de seus adversários ao encontrá-lo e perceber suas atitudes ousadas. A narrativa do filme gira em torno da loucura da gangue motoqueira e de sua crueldade, a anarquia envolvida na história é muito grande, um local perigoso com regras muito bem estabelecidas, veículos diferenciados e sem ordem nas estradas.

A história que o filme possui, é bem simples, forte em vários momentos sim, porém analisando o seu enredo percebe-se que não há absolutamente nada de diferente quanto a isso, na primeira metade do filme, apesar de nos fazer entender muito bem em que estamos nos metendo, não nos deixa interessado pela curiosidade e vontade de saber o que vai acontecer, ficamos interessados por outros motivos. Acredito que o filme poderia ter sido um pouco mais longo para deixar algumas questões mais claras e interessantes, como o fato de Max tomar uma decisão importante para o rumo da história parecer meio sem fundamento, a cena é fundamentada no prólogo, mas ainda sim achei pouco para ele tomar tal decisão. Além de algumas coincidências e cenas desnecessárias que não tiveram muito o porque. Na segunda metade, o filme já se torna bem mais interessante em sua história, lá o roteiro decide focar em alguns aspectos mais emocionais, o famoso fazer a gente se importar com algo e então tomar alguma atitude que mexa com a audiência, e o faz muito bem aqui. É pesado, e com muito ódio o filme se conclui muito bem, com aquela famosa força tirada do interior do personagem no momento de maior dificuldade mental e física. A jornada pessoal do Max, para se tornar o Mad Max, um homem louco é muito boa, como já dito, é muito bem desenvolvida a parte para sua vingança e descontrole, porém antes disso já havia uma certa loucura em seu comportamento que poderia ter sido melhor trabalhada.

“When i was a kid… me and my father used to go for long walks. I remember staring down at his shoes, they were special shoes, brown and he always kept them really shiny. He was tall, and he used to take long strides. And there I’d be right alongside him… just trying to keep up with him. I don’t think he ever knew how proud I felt of him or how good it felt just to be there alongside him.”

Uma característica geral do filme que merece um grande destaque, é sem dúvida nenhuma o design de produção ou direção de arte, o que faz com que esse filme seja diferente, fora do comum. A construção da concepção do design do longa é com certeza , muitas vezes, bizarra, no bom sentido, na caracterização de muitas pessoas e objetos, além dos cenários. A criatividade utilizada por Jon Dowding junto com o George Miller para criar um ambiente tão fora do ordinário foi bem elevada, por exemplo, cada motoqueiro tem um capacete com alguma particularidade, algo que é realmente bem peculiar, cada um com um detalhe bem específico e bem feito, ou no uniforme da polícia, em seus veículos, cabelos e vários outros detalhes que realmente fazem a diferença aqui, você sente a loucura no universo, o fora do comum, e isso é ótimo, talvez o melhor aspecto do filme.

Um fator para esse filme, com certeza é o seu baixo orçamento em relação a tudo que é feito aqui. Todas as batidas de carro deveriam ser feitas em seu primeiro take, e a maioria é bem satisfatória, principalmente levando em conta o ano em que foi feito, onde não se tinha tanta facilidade para realizar cenas grandiosas, e claro, novamente, o baixo orçamento até mesmo para a época. Um fator importante além das explosões e batidas aqui, é que você sente a adrenalina em vários momentos, principalmente em momentos de perseguição, isso é crucial para a qualidade desse filme.

A atuação do filme de maneira geral não tem muitos desafios para os envolvidos, mas com certeza alguns merecem certo destaque. Mel Gibson, como Max, consegue ser o famoso personagem badass, que passa medo para seus inimigos e ele faz essa parte muito bem, como se o personagem sabe que ele é um temido e usa isso a seu favor, em outros momentos de ódio e raiva, é praticamente perfeito, eu consegui sentir a agonia e ódio nas expressões dele, em outros momentos de questionamento eu acho que poderiam ter sido melhores, eu não senti a dúvida que seu personagem incita em determinado momento do filme. Hugh Keasy-Byrne é o mais caricato dos personagens, bem louco mas ao mesmo tempo sério e entendido, ele passa liderança e faz um trabalho muito bom. Joanne Samuel também faz uma personagem caricata, a sua personagem é bem forte e importante para a trama e para causa consequências, ela faz você gostar e se importar com ela, o que é essencial para a história. Ekipedia steve Bisley e Geoff Parry também merecem algum destaque, ambos chamam bastante atenção, e da mesma maneira que Hugh Keays-Byrne como Toecutter, eles conseguem fazer personagens bem legais e caricatos.

A trilha sonora é composta e conduzida por Brian May, ele mesmo, guitarrista do Queen. A trilha é ótima, ele te leva junto com a ação e te coloca no filme, deixando as cenas mais poderosas, apesar da ação ser de maneira crua, o melhor é que a trilha não tira esse aspecto das cenas, a trilha implementa essa simplicidade das cenas e não tire o aspecto cru, o que é ideal.

Mad Max é um filme muito criativo, que te permite arrepiar com o som de motores, músicas envolventes, personagens intimidadores e diferentes, além da arte do filme que em vários detalhes se destaca por ser bem ímpar em vários momentos. A história é simples e em alguns fatores poderia ser melhor trabalhada, porém de maneira geral é muito satisfatória a ponto de você sentir a raiva, o sofrimento e a adrenalina em vários momentos.

Trailer:

//www.youtube.com/watch?v=caHnaRq8Qlg