Primeiro filme dirigido pela Brie Larson, antes ela já havia feito alguns curtas, mas esse é o seu pioneiro entre os longas. Aqui ela nos leva para uma jornada para nos ajudar a celebrar os dias bons em um mês ruim, um filme que diz na nossa cara que não podemos perder algumas essências.

Nome Original: Unicorn Store

Direção: Brie Larson

Roteirista: Samantha McIntyre

Edição: Jennifer Vecchiarello

Cinematografia: Brett Pawlak

Sinopse: Após fracassar na escola de artes e aceitar um emprego entediante num escritório, Kit finalmente tem a chance de realizar seu grande sonho: adotar um unicórnio.

“Ele não vai ver se não acreditar”

A narrativa do filme é muito boa, bem simples, nada extra-inventivo e diferente, como é o primeiro trabalho de Brie isso é muito compreensível, não é ruim de maneira alguma, porém falta algo a mais ali, algo diferente na maneira em que a história é contada, fora do senso comum. A história não é ruim, aborda um tema muito bom, porém o transfere de maneira ok para junto com a história, falta invenção para torná-la única de alguma maneira. O filme tem personagens muito caricatos, ao extremo em alguns casos, mas isso ocorre porque querem nos mostrar de maneira bem clara o horror de perder algo dentro de você, a ideia do filme é mostrar como é importante manter uma criança em você, manter a “magia”, como ela diz.

O melhor do filme é com certeza a sua mensagem e seus significados, que por mais indiferente que tenha sido a maneira com que foi feita, ainda sim é bem poderosa e legal. A minha interpretação para com a principal ideia e diferença do filme, é sobre o Unicórnio ser uma metáfora para os nossos sonhos. E apesar de toda a narrativa do filme, os seus diálogos e afins serem bem básicos, nada de muito inventivo e diferente, o filme me ganha nesse aspecto, na simplicidade de se construir essa metáfora de sonho, na sutileza em definir algumas regras e objetivos, e facilmente possíveis de fazer a relação com nossas vidas pessoais. Quem não se identifica com se sentir um fracasso, em tentar algo diferente, fora da caixa e muitas vezes ter a certeza de que vai dar certo e se decepciona e isso segue com uma depressão, procrastinação, falta de rumo e afins? O filme consegue colocar em plano, de uma forma bem legal, o sonho em si e como serão os desafios para alcançá-lo.

“Every person alive has a dream, everybody needs some magic in their lives, even if they are all grown up”

É um filme sobre estar perdido em seu inicio de vida adulta, relembrar a sua infância e focar na sua própria representação do que é ser bem sucedido e ter felicidade, não baseado no que os outros dizem ou te comparam, ter personalidade própria independente do quão idiota isso soe para os outros.

Algo muito bom no filme é o clima agradável, ou não, que a diretora conseguiu colocar, a personagem é muito divertida e fácil de se identificar, alguém que não gosta da rotina normal, que não quer ser um “robô” e fazer a mesma coisa em todo o momento, pensamento que é representado muito bem quando a personagem, Kit, arruma um emprego genérico que não implica em usar a sua criatividade, e mesmo quando é necessário usá-la, ela é derrotada por algo genérico e sem vida. Essa personagem acaba sendo aquela que é comparada com os outros, nivelada por baixo e ela não aceita e quer ser além, diferente, ter mágica, daí surge o personagem do Samuel L. Jackson junto com seu cenário diferenciado e muito bem feito.

A atuação de Brie Larson é muito boa, mesmo com textos, muitas vezes, bem simples, ela consegue esboçar emoções de maneira bem pertinente, suas expressões são ricas em detalhes, sua personagem aqui é, de certa maneira, bem infantil fazendo sentido com a história, porém ela passa aquela crise de inicio de fase adulta muita bem e ainda nos diz algumas mensagens de maneira bem bacana. Samuel L. Jackson dá um show, o seu personagem é o vendedor e ele é bem divertido, tem uma maneira de falar bem alta e empolgada, bem como vendedores que conhecemos, um trabalho bem engraçado.

Filme que em alguns momentos me lembrou bastante o jogo Life is Strange, pela simplicidade que aborda a vida real e suas crises, individuais ou coletivas, que com certeza se consegue pegar algo de positivo dentro dele. Mesmo tendo algumas situações problemáticas, algumas coisas bobas, esse filme que não irá agradar a todos, merece ser visto, irá clarear a mente de certas pessoas.