Resenha | Filme: Invasor Zim e o Florpus

Muitas animações conquistaram o público no começo dos anos 2000 e são lembradas com a clássica nostalgia de umas das era mais experimentais de grandes estúdios. Invasor Zim é um destes desenhos que parece fazer parte do inventário coletivo como referência de um show perturbador e igualmente fascinante. Anos após o cancelamento repentino das aventuras distópicas e nada previsíveis entre Dib Membrane e Zim, a Netflix trouxe ao ar o filme Invasor Zim e o Florpus, para mais uma vez surpreender o público da forma mais desconcertante possível.

Ficha Técnica

Título Original: Invader Zim: Enter the Florpus
Origem: Estados Unidos
Gênero: Comédia, Ficção Científica, Animação
Direção: Johnen Vasquez
Estúdio: Nickelodeon Animation Studio
Maven Animation Studio (animation services)
Distribuidor: Netflix Streaming Services
ViacomCBS Domestic Media Networks
Duração 71 min
Exibição: 16 de agosto de 2020

  • Sinopse: Quando Zim aparece para começar a próxima fase de seu plano alienígena para conquistar a Terra, seu mega-adversário Dib Membrana quer desmascará-lo de uma vez por todas.

 

Série Animada

Invasor Zim e o Florpus é um filme que cumpre perfeitamente sua promessa em manter a essência do desenho no qual é baseado. Este possui apenas duas temporadas, que foram exibidas na Nickelodeon ao longo dos anos 2001 e 2002. Em todos os episódios podemos testemunhar as tentativas do invasor alienígena em dominar a Terra serem frustradas tanto pelas falhas óbvias de seus planos mirabolantes, quanto pelo seu rival Dib Membrane. Outro contraste memorável do show é o quanto a raça humana é incapaz de reconhecer o alien e suas atividades conspícuas, enquanto Dib usa seu fascínio pelo sobrenatural e inteligência acima da média para impedir os planos de Zim, muitas vezes salvando seus colegas mas nunca sendo reconhecido por isso. Apesar de ser lembrado como uma coletânea interminável de momentos grotescos, os episódios exibidos não continham o desfecho do desenho, que ficou em aberto até o lançamento do filme.

O Filme

Seu autor, Johnen Vasquez, manteve o tom irreverente de sua obra durante o filme, inclusive explicando, à sua maneira,  o porquê do desaparecimento do alienígena durante um grande período de tempo. Mais uma vez, temos Zim tentando destruir a Terra para provar seu valor ao exército de seu planeta, contudo diferentemente do desenho, o filme aborda as questões dos arcos principais do programa de forma mais direta. O filme traz algumas situações inéditas como Zim reconhecendo que sua espécie tentou se livrar dele ao designá-lo para uma missão na Terra. Também aprofunda mais nos relacionamentos familiares conflituoso entre Dib e seu pai, um cientista brilhante e completamente cético para o sobrenatural. Em Zim e o Florpus, podemos presenciar pela primeira vez o desejo de Dib de provar a veracidade de suas pesquisas sobrenaturais para seu pai e um plano de Zim indo surpreendentemente melhor do que o esperado, colocando a terra em mais risco do que a série já havia mostrado até então.

Dublagem e Estilo de Animação

Em sua versão orinal em inglês o filme contou com a maior parte de seu elenco original para atores de voz, incluindo Richard Steven Horvitz (Zim), Andy Berman (Dib) e Melissa Fahn (Gaz) e Rikki Simons (GIR). Na adaptação para o português, o filme também manteve seu elenco original incluindo Vágner Fagundes (Zim), Wendel Bezerra (GIR) e Rodrigo Andreatto (Dib).

A animação e dublagem em ambos os idiomas fazem um excelente trabalho em caracterizar os personagens. O icônico robô GIR consegue roubar a cena em diversos momentos por sempre trazer um fator de imprevisibilidade tanto em movimento quanto em voz. Esta é uma das características mais marcantes de Invasor Zim e o Florpus: nunca se sabe quando uma cena em desenvolvimento crescente será interrompida para dar lugar a algo inimaginável. Existe um certo compromisso em Invasor Zim em fazer o público se sentir constrangido por rir dos alívio cômicos. Na maioria das vezes eles são saturados de nonsense e proporcionam o tipo riso que nos faz desviar o olhar da tela, como se um alguém tivesse contado uma piada ruim de forma deliberada.

Invasor Zim e o Florpus também é um filme que foge da tendência de fazer as animações cada vez mais consistentes em teor de realidade, onde ações possuem consequências e tudo exibido na tela torna-se definitivo. Se em um momento vemos um personagem com o estômago estufado por ter comido mingau por dois dias seguidos, na próxima cena ele aparece como se isso nunca tivesse acontecido. Assim como em filmes clássicos de super herói, vemos cidades sendo destruídas e acontecimentos catastróficos sem se preocupar com a verdadeira gravidade que isso teria na vida real. A maneira como os personagens usam a lógica também contribui para essa falta de comprometimento com causa e consequência. Por exemplo, podemos ver tecnologias avançadas sendo usadas de forma banal mas elas não necessariamente são utilizadas para dominar a Terra ou salvá-la. É um filme que desde o começo pede licença poética para não ser levado muito a sério.

O filme explica todas as premissas necessárias para o entendimento do roteiro nos primeiros minutos de filme, sendo ideal tanto para os fãs de longa data quanto para quem nunca teve contato com a série. Mais do que um filme nostálgico, Invasor Zim e o Florpus é um filme que conclui todas as pendências deixadas para trás ao mesmo tempo que conta uma história nova. Com a sensação de ter sido extraído de uma cápsula do tempo, é uma animação dedicada aos fãs dos desenhos underground dos anos 2000.

Onde assistir: Netflix

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